<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-24997630</id><updated>2012-01-12T22:27:50.881Z</updated><title type='text'>Memórias e Raízes</title><subtitle type='html'>Foi plantada uma árvore que criou raízes muito profundas. Os seus ramos atravessaram oceanos, em viagens intermináveis e aventureiras. Quedaram-se em todos os continentes, fortaleceram-se. Os seus frutos eram apetecíveis... Por fim, o regresso, o reencontro com o velho tronco e o renascer nas raízes, uma nova esperança...</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://memoriaseraizes.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24997630/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://memoriaseraizes.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Cláudio Frota</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12347804865419095178</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>17</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24997630.post-9000087176260586567</id><published>2011-07-27T17:17:00.093+01:00</published><updated>2011-09-08T08:33:05.336+01:00</updated><title type='text'>Biografia de JOSÉ JOAQUIM DE MATEUS DA GAMA</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;Texto de António Gama - Micro-biografia do meu AVÔ PATERNO.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;UM POUCO DA SUA HISTÓRIA&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-boSbt88ZDUI/TktlM-nORrI/AAAAAAAAAMM/m41Aa3MOFoQ/s1600/264044_1833182954814_1397610893_31614493_3340374_n.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 248px; FLOAT: left; HEIGHT: 320px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5641714231852025522" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/-boSbt88ZDUI/TktlM-nORrI/AAAAAAAAAMM/m41Aa3MOFoQ/s320/264044_1833182954814_1397610893_31614493_3340374_n.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;José Joaquim de Mateus da Gama&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;, é, sem dúvida, uma das maiores figuras militares de Angola. Homem de alta envergadura moral e intelectual, paladino intemerato que, nas horas decisivas do perigo, sempre se afirmou pelos seus rasgos de audácia, como cavaleiro andante da dignidade nacional.&lt;br /&gt;Pela primeira vez, desde 1885, o Governo de Lisboa, decide encarar de frente o problema da fronteira Sul de Angola, deixando-se, por uma vez, de mais improvisações. Incumbe aos Generais &lt;em&gt;Mateus da Gama&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;Pereira d´Eça&lt;/em&gt; de organizar a expedição, ao mesmo tempo que lhes faculta todos os meios que empresa de tal envergadura exige. Para que mesmo em Angola o empreendimento tenha todo o apoio, &lt;em&gt;Mateus da Gama&lt;/em&gt; exerce as funções de &lt;strong&gt;&lt;em&gt;Comandante&lt;/em&gt;-&lt;em&gt;Chefe&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; e &lt;em&gt;Pereira D'Eça&lt;/em&gt; as de &lt;strong&gt;&lt;em&gt;Governador-Geral&lt;/em&gt;.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Foi necessário, não é demais repetir-se, o sacrifício de colunas inteiras, o martírio de funentes e missionários, a paralização total das trocas comerciais nas regiões em litígio, para que o Governo Central - (Terreiro do Paço - Lisboa) acordasse do sono letárgico de que estava possuído desde 1885, para não ir mais atrás no tempo.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-9eEYsXAz7q4/TkuG4zLGH8I/AAAAAAAAANM/7YDSirGAN8Q/s1600/ph_exped.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 300px; FLOAT: left; HEIGHT: 228px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5641751268579221442" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/-9eEYsXAz7q4/TkuG4zLGH8I/AAAAAAAAANM/7YDSirGAN8Q/s320/ph_exped.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;Mateus da Gama&lt;/em&gt; - Homem de Angola - tinha um ar marcial e uma vontade férrea, a par de qualidades ímpares de comando que o impunham naturalmente a militares e civis. Disciplinado e disciplinador, mal andava quem desafiasse a sua autoridade. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;Do plano de operações de &lt;em&gt;Mateus da Gama&lt;/em&gt;, que começara a ser elaborado logo após os trágicos acontecimentos de Naulila e sob o influxo da confiança que lhe fora reiterada pelo Governo Central, fazia parte a ocupação do Cuanhama. &lt;/span&gt;Mas, em telegrama de 5 de Fevereiro de 1915, tendo mudado o Ministério, era aceite a sugestão, por ele mesmo apresentada, de, em face da importância das forças em operação, ser confiado o comando a um oficial de grande determinação e de superior patente. Esse oficial foi &lt;em&gt;Mateus da Gama&lt;/em&gt; que, por motivo do insussesso de Naulila e da desorganização que dele resultou, encontrou logo de início enormes dificuldades a vencer. «Foi por isso que três longos meses se passaram em trabalhos de preparação e organização, porque tínhamos de garantir condições de vida a 12.000 homens (incluindo uma parte da população civil) e 3.000 solípedes, e eficiência combativa a perto &lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-2Rvn791DX80/Tktt0SZ5WlI/AAAAAAAAAMs/l4T391usVxg/s1600/Baixo%2BCunene.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 320px; FLOAT: left; HEIGHT: 230px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5641723703272757842" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/-2Rvn791DX80/Tktt0SZ5WlI/AAAAAAAAAMs/l4T391usVxg/s320/Baixo%2BCunene.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;de 5.000 homens que tinham de operar, na melhor das hipóteses, a 500 quilómetros da base de desembarque (Moçâmedes).» Só nesta pequena cidade do litoral, base marítima das operações, encontravam-se, acantonados ou bivacados, dois Batalhões de Infantaria, quatro Baterias de Artilharia e outras Unidades de Artilharia e Metralhadoras; e, além destas, havia tropas espalhadas pelo Capelongo, Cahama, Forno da Cal, Tchiapepe, Otchinjau, Chíbia, Humpata e Lubango.&lt;br /&gt;O problema, sendo efectivamente de caracter material, não o era menos de caracter moral, pois o insucesso de Naulila tivera uma perniciosa influência, não só sobre as forças militares que haviam entrado em acção, mas ainda sobre todas as tropas da retaguarda e sobre as populações civis. A um e outro aspecto era indispensável atender rapidamente e sem a menor hesitação. E &lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-VQdgDouI9dw/Tmhn4fH0jsI/AAAAAAAAANs/PJoN0kkTppY/s1600/179631_1559184066163_1432132274_31167179_152535_n.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 320px; FLOAT: left; HEIGHT: 222px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5649879952660926146" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/-VQdgDouI9dw/Tmhn4fH0jsI/AAAAAAAAANs/PJoN0kkTppY/s320/179631_1559184066163_1432132274_31167179_152535_n.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;foi em luta com obstáculos tremendos - que qualquer outro consideraria invencíveis, - que começou a revelar-se, em toda a sua energia, a personalidade do velho chefe, a quem fora confiada a direcção das operações no Sul de Angola.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Cumpria-lhe recuperar o território abandonado, restaurando assim o nosso prestígio perante o gentio; fornecer aos governadores do distrito elementos para prontamente poderem sufocar qualquer rebelião; e, finalmente colocar as forças de que dispunha em condições de poderem fazer face a qualquer nova investida alemã, vingando o insucesso de Naulila, cooperando tanto quanto possível com as tropas aliadas da África do Sul e preparando simultaneamente a ocupação do Cuanhama.&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 300px; FLOAT: left; HEIGHT: 213px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5641759679849029682" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/-1kpvfSUm9Yo/TkuOiZmF4DI/AAAAAAAAANc/pnULqj2BqVM/s320/ph_cavalaria.jpg" /&gt;Nas operações a que a efectivação de tais objectivos daria lugar, impunha-se como primacial a reocupação do Humbe, importantíssimo nó de comunicações, de onde seria possível cobrir o Planalto da Huíla, atacar os alemães, se estes tentassem novas incursões, avançar sobre o Cuanhama e, ainda mesmo, se a ocasião se apresentasse favorável, partir para a invasão da Dâmara.&lt;br /&gt;Agravando a situação, acrescia que, por falta de chuvas, nos últimos quatro anos, reinava a fome no Sul. E, acima de tudo, peando a acção do comando, a nossa posição internacional estava longe de ser definida e em termos de poder determinar, da parte desse mesmo comando, um procedimento pronto, claro e sem hesitações.&lt;br /&gt;Não paravam ainda aqui, porém, os obstáculos com que teria de contar a vontade férrea de &lt;em&gt;Mateus da Gama.&lt;/em&gt; Não eram só os Alemães e o gentio rebelado que, após Naulila, haviam praticado atrocidades sobre os europeus, especialmente no Humbe e no Evale; tinha também de estar vigilante para com os Boers, que, à excepção dos mais antigos se achavam prontos a dar as mãos aos alemães, revoltando-se contra nós&lt;em&gt;. &lt;/em&gt;Por todas essas razões se impunha, &lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-h7HZZetYY04/TkuRr0kZkPI/AAAAAAAAANk/qxmvQAx9gaU/s1600/PONTE_%257E1.JPG"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 320px; FLOAT: left; HEIGHT: 214px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5641763140243394802" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/-h7HZZetYY04/TkuRr0kZkPI/AAAAAAAAANk/qxmvQAx9gaU/s320/PONTE_%257E1.JPG" /&gt;&lt;/a&gt;como necessidade premente e imediata, a reorganização das linhas de comunicação, na extensão de 1.200 quilómetros, nos teatros de operações dos vales do Cunene e do Cubango. Para poder deslocar as forças, os abastecimentos e as munições até esses pontos afastados do interior, dispunha-se somente de um Caminho de Ferro de via reduzida, cuja construção à data apenas atingira a base da serra da Chela.&lt;br /&gt;Contava-se que &lt;em&gt;Mateus da Gama&lt;/em&gt;, verificando o rendimento quase nulo dessa via, mandara chamar a Vila Arriaga o &lt;em&gt;engenheiro Artur Torres&lt;/em&gt; e lhe pusera a questão em meia dúzia de palavras:- necessito de uma estrada que vença rapidamente a serra... e acompanhou as suas palavras do gesto de quem pretendia atacar, à romana, o formidável acidente geográfico que se apresentava à sua frente.- O que V. Exª quer é uma escada e isso eu não sei fazer!...&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-vXTdWCj-3LE/TkuDRFAx0mI/AAAAAAAAAM8/IkakF2PkjFA/s1600/MO_CER%257E1.JPG"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 320px; FLOAT: left; HEIGHT: 201px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5641747287638135394" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/-vXTdWCj-3LE/TkuDRFAx0mI/AAAAAAAAAM8/IkakF2PkjFA/s320/MO_CER%257E1.JPG" /&gt;&lt;/a&gt;Mateus da Gama&lt;/em&gt; impacienta-se. Encaram-se novas soluções. Em face da grandiosidade do objectivo a alcançar, as duas inflexíveis vontades chegam, por fim, a um acordo conciliatório. E, tendo-lhe sido fornecidos alguns milhares de trabalhadores, dentro de poucos meses o engenheiro Torres - um dos grandes servidores do Sul de Angola - entregava aos comandos das tropas uma estrada que subia a Chela e era, tecnicamente considerada, uma verdadeira maravilha de engenharia.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Em 18 de Abril, &lt;em&gt;Mateus da Gama&lt;/em&gt; realiza a sua primeira visita de inspecção às unidades estacionadas no Planalto. Já nessa altura ninguém podia duvidar de que à frente das forças militares se encontrava um homem de rara firmeza e energia, inteiramente disposto a fazer frente a todas as contrariedades e na intenção inabalável de as jugular. Numa reunião de oficiais, convocada no Lubango, o velho chefe, que na alma e no corpo possuía a fibra de um Viso-rei, dissera estas secas palavras: - «Meus senhores, mandei-os aqui reunir para lhes dizer que no meu dicionário foi banida a palavra dificuldade. Podem retirar-se!»&lt;br /&gt;Ía passar à acção. Já no Tchipelongo a marinha, comandada pelo &lt;em&gt;tenente Afonso Cerqueira&lt;/em&gt;, trocara os primeiros tiros, em defesa da Missão católica, ameaçada pelo gentio! A atmosfera era de guerra!&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Faltava apenas proceder aos necessários reconhecimentos, não só para averiguar da situação, mas ainda para avaliar dos recursos locais. Em 15 de Junho estava &lt;em&gt;Mateus da Gama&lt;/em&gt; de novo no Planalto, acompanhado dos seus colaboradores de confiança, visitando a Quilemba, o Lubango, a Chíbia, a Quihíta, os Gambos, o Pocolo e o Tchiapepe, avançando até quase às portas do Humbe, à Cahama e Chicusse! Viajava de qualquer forma: em camião, empoleirado nos sacos de carga, sem cama e sem trem de cozinha. Os chauffeurs civis tremiam de o acompanhar. Sobre alguns que tentaram sabotar os carros para não avançarem, esteve iminente a ameaça de um pronto fuzilamento! O Sul de Angola tinha, finalmente o seu homem, - (um homem de Angola). Os soldados hipnotizados pela sua energia, excediam-se em todos os cometimentos a que metiam ombros.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Para o Alto Cunene partira, em reconhecimento da região Gambos, Mulondo, o malogrado &lt;em&gt;capitão Sebastião Roby,&lt;/em&gt; que ali encontrou a morte em luta heroica com o gentio.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;E agora, uma vez dada a ordem para a constituição dos destacamentos que haviam de ocupar o Humbe e a Donguena, essas colunas partiram ao seu destino, a primeira comandada pelo coronel Veríssimo de Sousa e a segunda pelo &lt;em&gt;major de cavalaria Vieira da Rocha&lt;/em&gt;. Em 7 de Julho as duas forças penetravam no Humbe, cuja Fortaleza e habitações tinham sido pasto do fogo lançado pelo gentio.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Dissolvidos esses destacamentos e constituído o comando militar do Humbe, que foi confiado ao &lt;em&gt;coronel Veríssimo de Sousa&lt;/em&gt;, em 9, &lt;em&gt;Mateus da Gama&lt;/em&gt;, em pessoa, acompanhado por uma numerosa escolta de oficiais e tropas montadas, atravessou o Cunene, em reconhecimento ao Forte Roçadas, destruído por explosão na retirada que se seguira a Naulila.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;De regresso ao Planalto, com o fim de impulsionar a marcha das unidades ali estacionadas, &lt;em&gt;Mateus da Gama&lt;/em&gt; é surpreendido com uma notícia que fortemente o contraria. «Recebi no Lubango um telegrama participando que os alemães da Damareland se tinham rendido ao &lt;em&gt;general Botha&lt;/em&gt;, e com verdade devo dizer que foi esta a notícia mais desagradável que em toda a campanha me chegou. Mas, como o homem põe e Deus dispõe, necessário era adaptar-me à nova situação, encará-la tal como os factos a apresentavam e tomar imediatamente as medidas correlativas. Ficava só em campo o gentio, tinha-se simplificado consideravelmente a minha tarefa, mas nem por isso ela teria ficado, como à primeira vista poderá parecer, uma tarefa fácil». &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Daqui resultou que as tropas que operavam na direcção de Cassinga foram mandadas retroceder para o Capelongo, passando a constituir o destacamento do Evale, além deste, mais três destacamentos se organizaram: o do Cuanhama, o do Cuamato e o de Naulila. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ao destacamento do Evale competia dirigir-se sobre o Quiteve, batendo o Mulondo e o Cafu, e atravessar o rio Cunene para actuar sobre a embala do Evale; o destacamento do Cuanhama atravessaria o Cunene, no vau da Chimbua, tendo como objectivo a embala de Ngiva, para a conquista do Cuanhama; o destacamento do Cuamato cruzaria o Cunene junto ao Forte Roçadas, procurando reocupar o Forte do Cuamato; e, finalmente, o destacamento de Naulila desceria pela margem direita do Cunene, operando na região da Hinga e dirigindo-se depois ao Cuamato, em cuja coluna se encorporaria. O Quartel General mantave-se nos Gambos, a utilizar os preparativos das operações, e deslocou-se em 6 de Agosto para a base geral do Humbe.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Mateus da Gama&lt;/em&gt; acompanhava o destacamento do Cuanhama, escolhendo para si o Posto de maior responsabilidade: «Tudo me levava a crer que o destacamento do Cuanhama seria o que encontraria maior resistência, por isso o acompanhei».&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Preparando e esclarecendo o avanço das colunas, haviam sido lançados para a frentes pequenos reconhecimentos,que, nem por serem de pequena guerra, deixaram de ter marcado valor. Desde fins de Janeiro que o &lt;em&gt;alferes Sarmento Pimentel&lt;/em&gt; policiava os caminhos que da Cahama conduziam ao Cunene, estendendoo a vigilância pela Donguena e foz do rio Ondoto. A sua descoberta, dirigida sobre os vaus de Schwartz-Boy-Drift e Calueque. figura como serviço de raro mérito, pela valentia e resistência manifestadas pelos seus executantes: «Nem a fome nem a sede abateram a moral dos soldados que, durante dois dias, comeram carne de zebra com fava e milho cozidos, bebendo água detestável».&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-c9tg-rsNa_E/TktlxfGtmQI/AAAAAAAAAMU/vu9lY0dIf5M/s1600/boers%2B1.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 320px; FLOAT: left; HEIGHT: 197px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5641714859049326850" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/-c9tg-rsNa_E/TktlxfGtmQI/AAAAAAAAAMU/vu9lY0dIf5M/s320/boers%2B1.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;Em 7 de Julho iniciava este audacioso oficial, à testa dos cavaleiros boers, uma luta irregular de surprezas, de incursões fulminantes, aparecendo, ainda, de noite em frente das libatas. «Os boers, - afirmava no seu relatório - são bons guias e auxiliares desembaraçados, conhecem como ninguém o Sul de Angola, são todos afrikanders, desejando acima de tudo a independência do Transval os antigos, da União Sul Africana os novos. Alguns deles eram afectos aos Alemães, por estes lhes prometerem a independência, e outros a troco de recompensas». Terminados os trabalhos preparatórios, as colunas partiram do Humbe ao seu destino.&lt;br /&gt;A coluna do Cuamato passa o Cunene e alcança em 13, o Aucongo, com ligeira resistência do gentio, atingindo sucessivamente o Damequero e a Inhaca e entrando no Forte do Cuamato em 15. O Forte, embora saqueado, não fora desmantelado, mas os edfícios do comando e os particulares achavam-se em ruínas. A coluna do Evale, tendo partido do Mulondo em 11, atingiu o seu objectivo, sem maior resistência, havendo encontrado em bom estado as fortificações do Quiteve, Cafú e Evale. Por sua vez o destacamento de Naulila atingia o Vau Calueque, batendo, juntamente com os auxiliares boers, a região da Hinga e estacionava no local de combate de Naulila. A descrição do terreno da acção atinge proporções verdadeiramentes arrepiantes e macabras: «Os Portugueses mortos em combate parece-me estarem enterrados no fosso da Fortaleza, por alguns vestígios de roupas e tendas rasgadas que lá existem. Também se vêm numa árvore caída perto do Forte, seis cordas pendentes que serviram para enforcar gente...uma delas ainda segura uma cabeça, que é de um preto». Ali tinham padecido morte ignóbil os heróicos Landins de Moçambique, que se haviam batido como leões, sem que tivesse havido respeito pela sua qualidade de soldados, regulares e uniformizados.&lt;br /&gt;Na coluna do Cuanhama, a mais forte de todas, por ter de se defrontar com a maior resistência, ía encorporado o &lt;em&gt;Quartel General de Mateus da Gama&lt;/em&gt;. Tendo saído em 12 do Humbe, atravessou o Cunene no Vau de Chimbua e cursou dificultosamente as chanas arenosas das Palmeiras, da Garrafa, da Cachaqueira e da Cauncula. As patrulhas da cavalaria de segurança informaram que os Cuanhamas se concentravam junto das cacimbas da Môngua. E no dia 17 o destacamento, ainda em marcha, viu-se forçado a adoptar o dispositivo de combate. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Na manhã de 18, um pelotão de infantaria indígena de Moçambique, acompanhado pelo valoroso &lt;em&gt;tenente Humberto de Ataíde&lt;/em&gt;, Comandante da Companhia saía para ocupar as cacimbas e para reconhecer o local mais conveniente para a construção de um Forte. E,logo na orla do mato, foi violentamente atacado, vendo-se forçado a retirar. O mesmo aconteceu aos auxiliares indígenas do &lt;em&gt;capitão Ferreira do Amaral&lt;/em&gt;, que haviam saído do quadrado para verificar a direcção da retirada do inimigo. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Dois Esquadrões de Cavalaria penetram no mato, onde encontram viva resistência, tendo sofrido baixas, entre os quais o &lt;em&gt;alferes Damião Dias&lt;/em&gt;, cujo cadáver foi mais tarde encontrado, barbaramente mutilado. O regresso da Cavalaria ao quadrado, depois de ter repelido vitoriosamente o inimigo, dá origem a manifestações de entusiasmo. O grande consumo de munições exigia contudo pronto reabastecimento. O &lt;em&gt;alferes Costa Andrade&lt;/em&gt; parte de camião para a base do Humbe a reclamar o envio de munições, especialmente de artilharia, víveres e água, sendo encarregado de mandar transmitir ao destacamento do Cuamato a sugestão de efectuar uma demonstração sobre Ngiva, a fim de provocar a divisão das forças inimigas. No dia seguinte o valoroso oficial regressava ao quadrado, conduzindo um comboio de três camiões, com munições, víveres e forragens. A falta de água, porém, continuava a fazer-se sentir duramente. Por isso, em 19, o quadrado tentou pôr-se em marcha na direcção das cacimbas, tendo, todavia o seu movimento ter sido detido por forte resistência inimiga; uma nova tentativa de deslocação foi coroada de êxito, apesar da viva reacção dos Cuanhamas, tendo-se conseguido atingir as cacimbas; após o que as forças se entricheiraram no terreno.&lt;br /&gt;A meio da noite deu-se o alarme. E, logo de manhã, a face da frente teve de repelir um ataque, que se estendeu para a esquerda, com tentativas improfícuas de envolvimento sobre a retaguarda. O fogo manteve-se vivo durante duas horas e, sempre que este afrouxava, ouviam-se claramente os cânticos de guerra do gentio. À falta de cavalaria, do quadrado partem, em carga à baioneta, fracções de infantaria e marinha, que atacam a fundo, penetrando na espessura do arvoredo.&lt;br /&gt;Tinha sido um dia inteiro de luta. &lt;em&gt;Mateus da Gama&lt;/em&gt;, percorreu, por entre aclamações, as faces do quadrado, felicitando as tropas pela sua bravura.&lt;br /&gt;Mas, apesar das vantagens alcançadas, a situação da coluna era grave: faltavam víveres&lt;br /&gt;e da retaguarda já há dias que não chegavam qualquer socorro. A cominicação enviada pelo major Ortigão Peres, aos serviços de etape do Humbe, traduz eloquentemente essa stuação: «Esperamos que todos os esforços tenham sido feitos e continuem a fazer-se para que eles (os víveres) nos cheguem sem demora, Além de forças do Cuamato e do major Reis e Silva, pode V. Exª. lançar mão das de Naulila (empregando especialmente o &lt;em&gt;alferes Sarmento&lt;/em&gt; e os seus Boers), na segurança da linha de comunicações. Temos feito todos os esforços para comunicar com V. Exª. Antes de ontem partiu um camião com uma metralhadora e uma força comandada por um valente sargento da armada e ontem à noite partiu um serviçal de José Guerreiro com uma nota minha para V. Exª. Hoje esta nota é escoltada por uma força constituída por três camiões com duas metralhadoras e trinta praças comandadas pelo &lt;em&gt;tenente Roma&lt;/em&gt;. O conselho de oficiais, ontem reunido, resolveu quase por unanimidade que fiquemos aqui quase até à última extremidade, e, como disse na minha anterior nota a V. Exª. mesmo uma retirada só a podíamos fazer protegidos por tropas vindas da retaguarda e representaria um gravíssimo desastre, sob todos os pontos de vista».&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ao ter conhecimento da situação o&lt;em&gt; coronel Veríssimo de Sousa&lt;/em&gt;, comandante do destacamento do Cuamato, assistido eficazmente pelo &lt;em&gt;capitão Esteves de Mascarenhas&lt;/em&gt;, não hesitou, encarando-a corajosamente. Exigia-se, para salvação dos seus camaradas, que o destacamento realizasse um esforço sobre-humano; e ele soube cumprir plenamente o seu dever. Das sóbrias palavras do seu relatório, pode adivinhar-se o sacrifício das tropas que comandava: «toda a abnegação, toda a boa vontade, toda a coragem com que suportaram as enormes fadigas e privações, desde a falta de água e insuficiência da ração, até essa penosíssima marcha, quase sem dormirem e descansarem»!&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Essa deslocação de forças, realizada energicamente, através de terras de sede e com os maiores sofrimentos, em direcção ao Forte Roçadas e daí, pelo Vau da Chimbua, para a Môngua, onde entrou em formação de combate, com o comboio de reabastecimento no interior do quadrado, é, no dizer de um distinto oficial, a mais notável das marchas das nossas campanhas coloniais.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Uma vez restabelecidas as comunicações, começaram a chegar à Môngua, onde a toda a pressa se construía um Forte, notícias que davam o Soba Mandume como refugiado na Donga, procurando o abrigo da soberania inglesa.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Efectivamente, no dia 31 de Agosto, apresentava-se no acampamento um emissário, com uma carta do &lt;em&gt;major Pritchardt&lt;/em&gt;, oficial encarregado dos negócios indígenas do Sudoeste Africano, na qual se oferecia a Mateus da Gama como medianeiro, declarando-se animado do «desejo muito sincero de prestar todo o auxílio possível em assegurar, o mais rapidamente possível, a terminação das hostilidades, evitando-se assim o derramamento de mais sangue».&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Mateus da Gama&lt;/em&gt; responde cortesmente, apressando-se porém a desfazer um ligeiro equívoco em que o oficial inglês estava laborando: «Não se trata de hostilidades entre as forças do meu comando e as do chefe da nação Ovampo, e sim do facto das forças do meu comando, atravessando território incontestavelmente português, serem atacadas por gentio que têm como Soba o Mandume». Não eram operações entre forças de dois exércitos independentes, mas sim pura rebelião, que se tornava indispensável subjugar. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;RELATO DA HISTÓRICA BATALHA DA MÔNGUA&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;De posse de elementos considerados necessários para uma avaliação rigorosa da situação, &lt;em&gt;Mateus da Gama&lt;/em&gt;, fez avançar a coluna em que se incorporou, mas cujo comando directo foi cometido ao coronel Veríssimo de Sousa. A marcha das tropas foi praticamente um passeio até 7 de Julho, data em que foi ocupado sem resistência o Humbe conjuntamente com as forças do &lt;em&gt;major Vieira da Rocha&lt;/em&gt;. Este partiria dos Gambos, ocupara Otchinjau e a Donguena, restabelecendo assim a soberania de Portugal naqueles territórios.Fixando o Quartel General no Humbe, &lt;em&gt;Mateus da Gama&lt;/em&gt; põe em movimento a máquina que montara meticulosamente no Lubango; expede ordens para que as forças de Cassinga, já chegadas ao Mulondo, desçam o Cunene; organiza a coluna para ocupar o Cuamato, sob o comando do &lt;em&gt;coronel Veríssimo de Sousa&lt;/em&gt;; e confia ao &lt;em&gt;tenente Amorim&lt;/em&gt; a missão de retomar Naulila.&lt;/div&gt;A coluna principal é confiada ao &lt;em&gt;tenente-coronel Caldas&lt;/em&gt; que tem por missão reduzir as forças do Mandume.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Esta pluralidade de ataques visa distrair os Cuamatos, Evales e Cafimas, para que não vão engrossar os efectivos do Caudilho Quanhama, o terrível Mandume.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Assim a 12 de Agosto de 1915 partem as colunas para os seus respectivos destinos, Simplesmente, enquanto os objectivos secundários (Cuamato, Evale e Cafima) são conseguidos com relativa facilidade, o objectivo principal (o Cuanhama) depara dificuldades quase insuperáveis. E isso porque o astuto Mandume se apercebera da estratégia traçada pelo staff do Estado-Maior. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Mateus da Gama&lt;/em&gt; congrega todas as forças para junto de si e prepara-se para a batalha das batalhas que ele próprio sabe ser decisiva. Nela joga o tudo por tudo.As planuras da Môngua vão assistir a uma luta de gigantes em condições extraordinariamente desvantajosas para os portugueses, que dificilmente suportaram as temperaturas do Cuanhama, que chegaram a atingir os 50 graus centígrados.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;A 17 de Agosto de 1915, com as cacimbas (poços artesianos) da Môngua à vista, as tropas de &lt;em&gt;Mateus da Gama&lt;/em&gt; deparam finalmente com o inimigo; este, sabedor da importância que a água, naquela semi-desértica região tem para a sobrevivência de homens e animais, desencadeia de imediato um ataque vigoroso, que se prolonga sem quebra de ânimo pelos dias 18 a 23 de Agosto, apesar das pesadíssimas baixas que sofre nas suas fileiras, onde por vezes se abrem autênticas clareiras. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Do nosso lado, logo a 18, há a lamentar a morte do &lt;em&gt;major Pala, capitães Cortez e Pires Monteiro&lt;/em&gt;, membros do Estado Maior, além do&lt;em&gt; alferes Mateus&lt;/em&gt; - (sobrinho do &lt;em&gt;General Mateus da Gama&lt;/em&gt;) - e de outros graduados; a 19, a morte do &lt;em&gt;capitão Sousa&lt;/em&gt; e do &lt;em&gt;tenente Passos e Sousa&lt;/em&gt;; a 20, um ferimento extremamente grave do &lt;em&gt;tenente Ataíde Pereira&lt;/em&gt;.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ainda a 20, a nossa coluna corre o risco de sossobrar. Mandume desencadeia um ataque contra os comboios que ligam à retaguarda e garantem o apoio logístico aos Expedicionários, conseguindo isolar as forças de &lt;em&gt;Mateus da Gama&lt;/em&gt;.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;A partir daquele dia e até 24 de Agosto, privados de tudo, mortos de sede e de fome (os solípedes tinham sido quase todos dizimados pelos Cuanhamas), só prodígios de energia e acções heróicas conseguiram evitar um morticínio que, a dar-se, seria certamente o maior da nossa história!&lt;strong&gt;&lt;em&gt; Felizmente, o oficial encarregado das comunicações no Cunene, apercebe-se da situação e organiza rapidamente uma coluna de socorro que, a golpes de audácia e rasgos de heroicidade, quebra o cerco e abastece as nossas tropas.&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mandume avalia a situação, faz um balanço das enormes perdas que o seu exército sofreu, conclui que a batalha está irremediavelmente perdida, perdida que fora a última chance com a derrocada do cerco aos portugueses. Nada mais lhe resta do que abandonar a contenda, fugindo à frente dos seus guerrilheiros. A batalha terminara e a Môngua tornara-se um local histórico!&lt;br /&gt;Nesta cruenta batalha, o &lt;em&gt;General Mateus da Gama&lt;/em&gt;, com a saúde depauperada, com sede e fome, por não querer ter um tratamento diferente dos seus soldados, com o exemplo da sua inquebrantável vontade, com a dignidade do seu porte, conseguiu galvanizar os seus comandados, dos oficiais mais graduados ao soldado mais humilde. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;EMBALA E QUARTEL GENERAL DO MANDUME&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;- A OCUPAÇÃO DA N´DGIVA - &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Apesar de tantas privações, com prodígios de vontade, &lt;em&gt;Mateus da Gama&lt;/em&gt;, logo que, a 27, chega o Esquadrão de Dragões do Evale, ordena a marcha para a Embala do Mandume. Durante o percurso, cria, de acordo com o Governador,&lt;em&gt; general Pereira d´Eça&lt;/em&gt;, os Postos Administrativos do Dombe, Bulugunga e Oxinde. Na manhã de 2 de Setembro as tropas portuguesas iniciam o avanço sobre &lt;strong&gt;N´Dgiva&lt;/strong&gt;, capital do &lt;strong&gt;Cuanhama&lt;/strong&gt;, passando por Buluganga e Oxinde. A cavalaria repele as pequenas resistências esboçadas. Finalmente a 4 de Setembro de 1915, pelas 14 horas e 30 minutos, o &lt;em&gt;capitão Ramalho Ortigão&lt;/em&gt;, Oficial às ordens de &lt;em&gt;Mateus da Gama&lt;/em&gt; pode vangloriar-se de ter sido o primeiro soldado português a entrar na &lt;strong&gt;Embala da N´Dgiva&lt;/strong&gt;, que encontrou vazia, porque Mandume, à aproximação das nossas tropas, lançou fogo à sua Capital. Essa marcha, executada em condições terríveis de calor, de sede e de fadiga, constitui a última e uma das mais penosas provas a que as tropas portuguesas foram sujeitas na dura campanha do Cuanhama. Terminadas as operações, o território reconquistado, ficou dividido nas zonas militares do Humbe, Cuamato, Cuanhama e Evale, sob o comando superior do &lt;em&gt;major Pires Viegas&lt;/em&gt;, com sede no Cuanhama. Assim se podem considerar como completadas em Angola as lutas da Ocupação, estabelecendo para Sul, até à fronteira determinada pelo Tratado de 30 de Dezembro de 1886, a nossa acção Política e Administrativa. E, como sempre na nossa história colonial, à &lt;strong&gt;Ocupação&lt;/strong&gt; seguiu-se imediatamente a &lt;strong&gt;Pacificação&lt;/strong&gt;. O gentio em massa apresentou-se ao vencedor, confiado na sua clemência e espírito de humanidade. Mandume fora derrotado e, com ele todo o povo Ovampo. Pela primeira vez a fronteira sul é de direito e de facto, para sempre, a resultante dos convénios de 1886. &lt;em&gt;Mateus da Gama&lt;/em&gt;, traçadas as linhas mestras para a &lt;strong&gt;Administração Política e Militar do Sul de&lt;/strong&gt; &lt;strong&gt;Angola&lt;/strong&gt;, agora como sempre, com a consciência de mais um dever cumprido, é forçado a deslocar-se à Metrópole para cuidar da saúde, pois a mesma estava tremendamente abalada pela extrema dureza da &lt;strong&gt;Campanha&lt;/strong&gt;. Pelo seu esforço e pelo sacrifício das suas tropas, entregava ao País uma área de 60.000 quilómetros quadrados, para sempre ocupada. &lt;strong&gt;Uma nota a terminar: &lt;em&gt;A verdadeira beneficiária da Expedição vitoriosa do general Mateus da Gama, foi, sem dúvida Angola, ao ter-se garantido a Fronteira Sul, que de outro modo teria sido Anexada pelo Sudoeste Africano... &lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br 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/&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br 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/&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br 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/&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br 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/&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br 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/&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br 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href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24997630&amp;postID=9000087176260586567&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24997630/posts/default/9000087176260586567'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24997630/posts/default/9000087176260586567'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://memoriaseraizes.blogspot.com/2011/07/biografia-de-jose-joaquim-de-mateus-da.html' title='Biografia de JOSÉ JOAQUIM DE MATEUS DA GAMA'/><author><name>Cláudio Frota</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12347804865419095178</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-boSbt88ZDUI/TktlM-nORrI/AAAAAAAAAMM/m41Aa3MOFoQ/s72-c/264044_1833182954814_1397610893_31614493_3340374_n.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24997630.post-1774996697393361836</id><published>2010-02-28T23:40:00.085Z</published><updated>2010-11-19T19:32:09.767Z</updated><title type='text'>O COLONO - Homenagem a ALEXANDRE SIMÃO PORTUGAL</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_SFPLGdcHVyk/S4vjvPVqBNI/AAAAAAAAAKo/p27V5BAks4s/s1600-h/DSCF0803m.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5443694975318099154" style="FLOAT: left; MARGIN: 0pt 10px 10px 0pt; WIDTH: 320px; CURSOR: pointer; HEIGHT: 240px" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_SFPLGdcHVyk/S4vjvPVqBNI/AAAAAAAAAKo/p27V5BAks4s/s320/DSCF0803m.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_SFPLGdcHVyk/S4v60Mk6BFI/AAAAAAAAALA/9PRTRYfxEiM/s1600-h/DSCF1266.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5443720349243540562" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 240px" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_SFPLGdcHVyk/S4v60Mk6BFI/AAAAAAAAALA/9PRTRYfxEiM/s320/DSCF1266.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Um texto do Professor Doutor MÁRIO FROTA&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Abalara vergado ao peso das responsabilidades familiares que contraíra.&lt;br /&gt;Abandonara a sua Académica que o alcandorara a herói pela vitória na Taça (a Primeira) de 39.&lt;br /&gt;Prescindira da carreira que abraçou e a que se entregava com invulgar devoção.&lt;br /&gt;Demandara os longes ignotos com o espírito que o trouxera do chão amado do Carvalhal Formoso, lá pelas bandas de Belmonte, ao jeito de quem não teme a aventura e desafia as procelas do mar alteroso rumo às inóspitas plagas africanas.&lt;br /&gt;Acolhera-se inicialmente à sombra de um irmão empreendedor que se instalara em Luanda.&lt;br /&gt;Frustada a experiência de vida na capital, desencanta do baú com que se fizera ao mar, amparado em quatro rebentos em que se inspirara para afrontar os reveses com que a vida o brindara, o diploma da ESCOLA SUPERIOR NORMAL que, findo o 7º. ano do Liceu, cursara e o habilitara à docência.&lt;br /&gt;Investido em funções de Mestre-Escola, demanda a verdejante Lubango, altaneira, nos contrafortes da Chela, promisora região que os cabouqueiros oriundos da Madeira conformaram a golpes de audácia e com o desvelo das mãos de quem ama entranhadamente a terra acolhedora que se abre como virgem ardente à paixão que incendeia a alma.&lt;br /&gt;No seu mourejar, privilegia com invulgar mestria os dotes que o impelem para a juventude: consagra-se generosa e devotadamente aos jovens, na multirracialidade que fora a experiência de vida de uma sociedade sem barreiras étnicas (mas obviamente com divisões económicas como as que se acham onde a etnia é única e singular); vota-se ao desporto escolar, treina a Mocidade, cria a Académica da Huíla, ei-lo ao leme da selecção da Huíla. Mais tarde dirige uma instituição do Estado que acolhe de todos os cantos de Angola crianças, jovens e adolescentes que frequentam estabelecimentos de ensino da área pedagógica da Huíla. E aí desenvolve inolvidáveis &lt;strong&gt;actividades de formação.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Os mais novos a quem ensinara as primeiras letras, jamais olvidarão os feitos heróicos que lhes transmitia com invulgar entusiasmo e o halo de lusitanidade que imprimia à narrativa histórica:&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;10 DE JUNHO&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/em&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Ó Céus e mares de Deus&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Ó história do mundo &lt;/em&gt;inteiro&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Vós&lt;em&gt; sabeis que, em toda a Terra,&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Portugal foi o primeiro!&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Sabeis dos conquistadores,&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Dos nossos navegadores,&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;A vida, os feitos, a glória,&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;A alargar a fé, o império,&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Num mundo só de mistério.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Ainda sabeis de cor&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;A vida cheia de amor&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Dos nossos mártires santos,&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Que, em defesa da Verdade,&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Tão cheios de santidade...!&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Sublimaram seus encantos.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Sabeis dizer a primor&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;A história do seu cantor,&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Aquele incompreendido&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;que tanto sofreu na terra,&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Desde a fome à guerra,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;E morreu desconhecido...&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Então, Ó brisa divina,&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;E tu, onda cristalina,&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Ó história da humanidade,&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Gritai alto aos portugueses &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Que se curvem reverentes&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Neste dia de saudade.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;E, depois aos mais meninos,&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Em seus peitos pequeninos&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Agitai seus corações.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Ponde-lhes as mãos em doçura&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;E o joelho em curvatura,&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Numa saudade a Camões...&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;E, para sobreviver que magros eram os proventos da docência e farta a prole de quem praticava exemplarmente os mandamentos da Igreja consagra-se a outros mesteres. Cedo, em jeito de prece, dirige à Senhora do Monte uma oração impregnada de ternura&lt;span style="font-size:0;"&gt;&lt;/span&gt;:&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Nossa Senhora do Monte,&lt;br /&gt;Por maior que seja a calma ,&lt;br /&gt;Tem a frescura da fonte&lt;br /&gt;E mata a sede da alma.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;É alta fraga o altar...&lt;br /&gt;Mas, por todo o horizonte,&lt;br /&gt;Quem passa sem te fitar,&lt;br /&gt;Minha Senhora do Monte?!&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Tem aos pés a sua fonte&lt;br /&gt;Que mata a sede a quem passa&lt;br /&gt;E vai rezando baixinho&lt;br /&gt;(Pelas curvas do caminho):&lt;br /&gt;«Maria, Cheia de Graça...»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em momento de fundo desalento, em que a inspiração de poeta desabrocha, confiou ao papel as saudades da Mãe, nos ídos de 46, em poema a que dera o subtítulo de O COLONO:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A casa...o campanário...o céu&lt;br /&gt;... ... ... ...&lt;br /&gt;Saudades assim, ninguém tem...&lt;br /&gt;Porq´eu sucumbo a recordar&lt;br /&gt;A minha terra... a minha Mãe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Santa velhinha que ficou chorando&lt;br /&gt;Lá na serrania do meu Portugal...&lt;br /&gt;E eu já não posso suportar meu mal...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Volto ao doce lar vou deixar aqui&lt;br /&gt;Meu fato branco e meu chapéu de linho.&lt;br /&gt;Quero pegar novamente o meu cajado,&lt;br /&gt;Voltar a ser pastor no meu cantinho...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quero o remanso das minhas ovelhas,&lt;br /&gt;P'ra relembrar da flauta as melodias,&lt;br /&gt;Quero rezar ao pé da minha Mãe,&lt;br /&gt;Ao doce badalar d'Avé-Marias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao pranto do colono (e colono deu como corruptela nos plainos da Chela "CHI (os) CORONHO (colono)) sucedia-se a vontade indómita de derribar os obstáculos que se antepunham, na transparência do exemplo, no luzeiro ofertado como sinal à comunidade envolvente nos discípulos que criara, no fervor com que quotidianamente punha um adobe mais na edificação de uma sociedade plural, multirracial, multi-ideológica, no sacrossanto respeito por liberdades intrínsecas à natureza humana que poder algum sufocaria: Angola era expressão de democracia social.&lt;br /&gt;E, nas fichas de polícia em que ao tempo se plasmavam os traços da natureza de cada um e todos, em particular dos que à função pública se votavam, um registo se surpreendeu: "não é da situação, mas é um cidadão exemplar".&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E que fosse da situação! Importante é que se seja vertical, íntegro, sério, portador de valores.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Desfez-se do que da massa da herança lhe coubera em quinhão lá para as bandas da Cova da Beira.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A sua terra, mitigadas as saudades do chão natal, era a radiosa Angola, que o acolhera generosamente no seu seio, a sua comunidade a dos que na grande Academia, que fora o Liceu da Huíla, se preparavam para a magnitude das missões do devir.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Nas actividades complementares que desenvolvera foi explicador, camionista, treinador gracioso de futebol, pastor das ovelhas que transpusera para os espaços que pretendera reconstituir a sua Serra da Estrela, irresistivel tentação de quem não projecta regressos, sequer episódicos, de quem transportara raízes para se enraizar noutra latitude, rodeado pelos filhos que a terra pródiga lhe doara ungidos por Deus.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E a figura do desportista de eleição que fora e era, exaltava-se em esplendor em particular quando os Estudantes de Coimbra deambulavam em digressão pela amada terra a que em 1482 Diogo Cão, patrono insigne do seu Liceu-Academia, aportara.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Amara entranhadamente a terra e os jovens que nela se formavam com as saudáveis praxes importadas da Lusa-Atenas nas condicionantes do tempo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Uma trintena de anos se escoava...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Os algozes da história projectaram-no e aos seus ainda dependentes, esvaído, perturbado, para o porto de cais do exílio sem retorno - nas contas do tempo, cercados pelos desconjuntados caixotes do magro espólio de um abandono com ressaibros de hedionda traição, é a imagem do campanário que ante a importância de uma terra úbere e acolhedora retorna ao espírito, num adeus ao futuro, num regresso apoucado ao passado. Do campanário de que saudades não nutria, obnubilado por campanários outros que edificara na terra adoptiva.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E no cuidado balanço de uma vida, é o &lt;em&gt;déficit&lt;/em&gt; que avulta no &lt;em&gt;superavit&lt;/em&gt; do rol de realizações sem par que os filhos espúrios de uma pátria ferida pela ignomínia da História, projectam, negando-se e negando séculos de convívio.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;"Só teremos de chorar os mortos se os não soubermos respeitar em vida".&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A esperança renascida nos alvores de 92, que Alvor sepultara, levara-o de volta a Angola.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;De dignitários do poder a cidadãos anónimos, reconhecendo-o, saudaram-no e homenagearam.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Confiara. A breve trecho ecoa de novo o som da metralha. Angola é condenada às galés.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Tal como na turva estratégia dos ínvios políticos de Lisboa, de novo se precipitara a luta fratícida em que um milhão de vidas se consumiria.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Na contemplação das sombras em que pretensos "vultos", sobre a epígrafe VENENO, escreve:&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;"O homem que o é de h pequeno&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;É um reles frasco de veneno&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Que ultrapassa o vil odor das fezes.&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;É um produto adulterado,&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;-O fétido e imundo resultado&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Duma prisão de ventre em nove meses."&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt; &lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;gjhujhu&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;jkhjkjk&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E ao "aportar" à Batalha, após a castástrofe por que se saldara a "exemplar descolonização", terra a que nada o ligava, a não ser o facto de ali haver logrado habitação, registara:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Estamos longe&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ou já é perto&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Dos limites do Deserto&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Para a Terra Prometida? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Deus o sabe,&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mais ninguém.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;-Entre amigo!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;-Donde vem? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Das lonjuras do caminho...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;-não é pouca a minha idade...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;à procura do conforto&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Que só há na eternidade. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Descanse por um momento&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Neste seu acampamento.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Temos pão e temos vinho...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;-se tiver necessidade,&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Fale com sinceridade,&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;-Leve pão para o caminho!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Resistira ao infortúnio, retirara-se do fecundo convívio com a juventude, preenchera o tempo consagrando-se ao artesanato que lhe completaria a magra reforma de inspector escolar, a que acedera quando bruscamente o retorno das caravelas... se aprontou...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Finou-se perto dos 90: a 5 de Fevereiro de 2002.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E, em reflexão terminal, indagava-se: &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Mas quem somos, afinal?!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Na vida... bem poucochinho...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Depois do vendaval&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Só destroços no caminho".&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O registo é imperfeito, incompleto, quiçá, inconsequente...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A homenagem, porém, é sentida. Merecida. Para lá de merecida.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Em &lt;strong&gt;Alexandre Simão Portugal&lt;/strong&gt;, cidadão do mundo, que nunca se reviu nos estatutos dos primitivos colonos, que desbravaram o inóspito sertão, na acepção tradicional do termo, mas que contribuiu a seu modo para o desbravamento de inteligências, para a materialização do lema ora caído em olvido -"mens sana in corpore sano" -, que subtraiu à ociosidade crescentes camadas de jovens de todos os estratos, condições e modos de vida, que deu a Angola e aos angolanos de todas as matizes, nos quadros do tempo, o seu intelecto e sua energia contagiante, em &lt;strong&gt;Alexandre&lt;/strong&gt; &lt;strong&gt;Simão Portugal&lt;/strong&gt; - o Prof. Portugal para tantos que com ele privaram e dele fruíram ensinamentos e orientação - o preito de homenagem a quantos, em mourejar permanente, construíram uma portentosa Angola que outros, na sua avidez insaciável, lançaram na mais ignóbil destruição.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Terra de afectos, Angola não merecia que o fruto de tantos - brancos, negros, mestiços feitos do amor de povos e raças distintos - se houvesse ingloriamente malbaratado, num retrocesso à barbárie.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E quantos insuspeitos agentes do mal, cuja personalidade se argamassou em ódios e propósitos de incontrolável destruição, se deleitam em denegrir uma colonização que, essa sim, nos seus desacertos pontuais, foi exemplar, homenagear quem em domínios distintos soube construir um País portentoso que o desvario de gente desprovida de senso e de humanidade lançou para o esgoto da História, é imperativo de cidadania, é dever de elementar justiça que ninguém de coração lavado e ideal alevantado se recusará a subscrever.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Que na sublimidade do gesto a História o registe!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-family:Georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Mário FROTA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-family:Georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24997630-1774996697393361836?l=memoriaseraizes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://memoriaseraizes.blogspot.com/feeds/1774996697393361836/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24997630&amp;postID=1774996697393361836&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24997630/posts/default/1774996697393361836'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24997630/posts/default/1774996697393361836'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://memoriaseraizes.blogspot.com/2010/02/o-colono-homenagem-aexandre-simao.html' title='O COLONO - Homenagem a ALEXANDRE SIMÃO PORTUGAL'/><author><name>Cláudio Frota</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12347804865419095178</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_SFPLGdcHVyk/S4vjvPVqBNI/AAAAAAAAAKo/p27V5BAks4s/s72-c/DSCF0803m.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24997630.post-8937059655615496837</id><published>2009-10-23T18:24:00.049+01:00</published><updated>2010-03-29T09:00:02.411+01:00</updated><title type='text'>Uma História de Vida-WILLEN VENTER-AMIGO PARA SEMPRE</title><content type='html'>&lt;strong&gt;UM TEXTO DE ANTÓNIO GAMA&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_SFPLGdcHVyk/SvK9FMKGdRI/AAAAAAAAAKY/Rfy5Ak6Y3p4/s1600-h/DSCF8567d.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 240px; FLOAT: left; HEIGHT: 320px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5400586800031233298" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_SFPLGdcHVyk/SvK9FMKGdRI/AAAAAAAAAKY/Rfy5Ak6Y3p4/s320/DSCF8567d.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;Entre os poucos Boeres que ainda habitavam as terras da Humpata, figurava um cidadão de quase oitenta anos, homem enérgico e desempenado, cuja existência merece algumas páginas de exaltação, porque o seu nome se acha estreitamente ligado a quase todos os acontecimentos militares da ocupação do Sul de Angola. Quando em 1927, os Boeres, arrastados por agentes da União Sul Africana, para contrabalançarem a influência eleitoral dos Alemães na Damaralândia, efectuaram um novo &lt;em&gt;trek&lt;/em&gt;, o velho Willen Venter opôs-se corajosamente a essa aventura; mas vencido pelo número, quase sozinho, ficou agarrado à sua propriedade na Palanca, onde lhe tinha crescido a família e onde, pouco a pouco, fora ganhando força no seu cérebro a ideia de acabar como português fiel, na boa hospitaleira terra de Angola! Aqui tinha filhos e netos; aqui lhe decorrera quase toda aventurosa existência de caça e de guerra... Para que trocar, já quase no fim da vida a paisagem ridente da Humpata pela aridez desértica da Dâmara, onde, como única manifestação de vida, as plantas espinhosas e os cactos hostis parecem encolher-se sob o fogo do céu?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ficou. E lá de quando em quando, descia ao Lubango e procurava-me para conversar. Ele sabia que eu gostava de falar do passado; e, como parte brilhante da sua vida activa se achava também localizada no passado, abria-se comigo e penetrava gostosamente nesses tempos de acção, fazendo reviver perante os meus olhos os feitos dessa quadra heróica, as figuras mortas dessa epopeia de que ele fora um vulto cavalheiresco. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Em 1876 partia do Transval uma grande coluna de 400 carros boeres, pejados de gente desesperada que, não podendo resignar-se às vexações dos ingleses, preferia meter-se ao deserto, em busca da liberdade. Chefiava essa gente, à moda bíblica, o patriarca Jacobus Friederick Botha, que pela sua idade e gravidade, assumira a chefia militar, política, moral e religiosa dos emigrantes. O longo comboio de carros adoptava, durante as marchas, rigorosas disposições de guerra e acampava sempre em &lt;em&gt;laager&lt;/em&gt;, pronto para a defesa. Era, afinal, um povo em deslocação, pronto para a luta e levando consigo, como força moral que havia de couraçar contra todas as diversidades, o espírito da Bíblia. No meio do deserto a falta de água fez-se sentir dum modo horroroso. Famílias inteiras sucumbiram no mato, depois dos maiores sofrimentos; nalguns raros poços, onde apenas existia lama, acumulavam-se os cadáveres dos animais, que morriam às centenas, depois de devorarem com sofreguidão a terra onde existia o menor vestígio de humidade; outros, desvairados pela sede, fugiam em carreiras vertiginosas pelo mato. Foi uma das muitas tragédias humanas da história do homem.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;À luz das fogueiras, nos acampamentos perdidos no seio da África selvagem, a inquietação dessas almas religiosas traduzia-se em cânticos a Deus, louvores pela sua bondade, solicitações de amparo e de coragem para finalmente virem a alcançar, como os Hebreus, uma terra da promissão, onde descansar o corpo e retemperar a alma das depressivas angústias com que a piedade e a sua fé tão duramente haviam sido postos à prova. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Willen Venter era então uma criança de quinze anos. E nos seus olhos gravavam-se para sempre os quadros dessa vida de vagabundos, rompendo todos os dias a marcha com destino incerto, guiados somente pela sua insaciável aspiração de liberdade. Os furiosos assaltos dos Negros, que esbarravam contra os parapeitos dos carros, de dentro do qual saraivava o fogo certeiro dos defensores; as cenas de caça ao elefante, ao leão e ao búfalo, em que actos da maior audácia e temeridade eram praticados em cada dia por esses homens, como garantia da sua própria conservação; as marchas violentas sobre os temporais desfeitos ou sob o acicate do calor, da sede e da fome; os enterramentos dos mortos que iam tombando pelo caminho - tudo servia para caldear a sua alma de bronze e para paralelamente temperar os seus músculos de ferro! &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Prolongara-se essa odisseia por cinco anos e, durante eles, os Boeres apenas haviam conseguido fixar-se temporariamente no &lt;em&gt;Kaok-feld&lt;/em&gt;, onde chegaram a construir casas de pedra. «Ali também famílias inteiras foram dizimadas pelas febres e o nome de Rustplaatzs (lugar de descanso), com que os emigrantes baptizaram o seu acampamento, foi efectivamente, para quase metade deles, o lugar do descanso eterno. Dezenas e dezenas de sepulturas lá ficaram para o testemunhar».&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;Aí lhes chegou a notícia da existência de Brancos na margem direita do rio Cunene. E um dia em que alguns caçadores haviam saído com os seus carros para a caça ao cavalo-marinho, estabeleceram o primeiro contacto com gente do agricultor e comerciante António José de Almeida, que negociava na outra margem do rio. &lt;/p&gt;&lt;div align="justify"&gt;À sede do Concelho do Humbe vão alguns cavaleiros Boeres, que recebem do Chefe informações respeitante às terras do Planalto, à sua fertilidade, à sua abundância de águas... Os cavaleiros regressam mais depressa ao &lt;em&gt;Kaok-feld&lt;/em&gt;, animados por uma grande esperança!&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Entretanto o Chefe do Humbe comunicava ao Governador de Moçâmedes, Nunes da Matta, a visita dos emigrantes, e breve chegava autorização para que uma delegação sua se dirigisse àquela vila do litoral, afim de assentar com o Governador as condições da fixação em terra portuguesa.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O moço Willen Venter assiste com viva curiosidade à partida dos cavaleiros, chefiados por Botha, que iam penetrar nessa terra de maravilha, cujos encantos e seduções já haviam embriagado a sua imaginação!&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;O regresso dos emissários era aguardado com ansiedade no acampamento; e, por fim, quando estes voltaram, não só confirmaram a fertilidade do Planalto, descrevendo com entusiasmo a abundância das suas águas - a águas de que havia nos seus corpos martirizados uma sede infinita!- como contaram da bondosa hospitalidade das autoridades e das gentes de Angola. Deus finalmente mostrava-lhes a terra da promissão!&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;O acampamento agita-se numa alegria irreprimível. Aquela gente grave exterioriza, à sua maneira o júbilo da salvação; em quermesse movimentada, os pares enlaçam-se; e, pela noite fora, como numa tela holandesa, os corpos agitam-se em dança descompassada!&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;A grande caravana abandona o &lt;em&gt;Kaok-feld&lt;/em&gt; e penetra em Angola pela Donguena, seguindo dali ao Humbe e aos Gambos. Na Catumba encontra-se com um grupo de cavaleiros portugueses que iam ao seu encontro, do qual fazia parte o Governador Nunes da Matta. O primeiro contacto com as autoridades foi agradável: o Governador teve palavras animadoras para os emigrantes. Willen Venter deixa-se impressionar pelo brilho da bandeira que acompanhava os emissários portugueses, mal podendo imaginar que à sua sombra, havia de lutar e arriscar a vida repetidas vezes!&lt;/p&gt;&lt;div align="justify"&gt;O acto oficial da apresentação efectuou-se na Fortaleza da Huíla, em 28 de Dezembro de 1880: o Governador assinava, juntamente com o «comandante» Jacobus Friederick Botha, e alguns Boeres, um termo de declarações e acordo para o estabelecimento de uma «colónia agrícola e criação de gado». Aos emigrantes Boeres seria concedida, nos campos baldios da Humpata, uma zona de três mil hectares para fundação de uma povoação, pertencendo, ainda, a cada família a concessão que requeresse dentro da lei... Os novos colonos mantinham todos os compromissos assumidos pela Comissão que se havia deslocado a Moçâmedes, e por parte do Governo Português eram-lhes fixados direitos, entre os quais figurava em primeiro plano a inteira liberdade de culto.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Puxados por longas espanas de bois, os carrões Boeres rodavam já a caminho das planuras da Humpata. Cruzavam a cada passo linhas de água murmurejantes; e a planície larga, ao longo da qual o capim crescia abundantemente, encantava-lhes os olhos, ávidos de extensão e de liberdade. Ali poderiam exercer as suas velhas aptidões pastoris; e dali poderiam, anualmente, partir para as expedições venatórias, tão gratas ao seu feitio aventureiro. Quase se lhes haviam esbatido já no espírito as amarguras passadas; e agora sentiam pressa em delimitar os seus terrenos, em construir as suas casas, bem isoladas e espaçadas, para garantia dos pastos e a que instintivamente haviam de imprimir as linhas interiores e exteriores das &lt;em&gt;farms&lt;/em&gt; holandesas.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;A comissão da distribuição das terras, constituída pelo Presidente do Conselho Colonial, Abreu e Castro de Saldanha da Gama, alferes Artur de Paiva, comandante Botha e Gert Van Der Merwe, trabalhava afanosamente.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Os Boeres sentiam-se perfeitamente à vontade, pois na área da Humpata, apenas se achavam estabelecidos a essa data (1880) dois Portugueses.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;No dia 19 de Janeiro de 1882, no lugar da tchangarala, a pouca distância da Humpata, realizava-se, na presença do Governador, de Abreu e Castro de Saldanha da Gama, de Artur de Paiva e de outros Portugueses, a cerimónia de abertura de uma grande vala de água, tirada dos rios Neves e Canhando, para irrigação dos terrenos já distribuídos pelos novos colonos.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;O comandante Botha, empunhando a Bandeira Portuguesa, proferiu uma alocução, no qual terminava por formular um voto: «Na presença hoje de dois Chefes estrangeiros e uma bandeira também estrangeira, espero que o futuro nos tornará irmãos e que, abrigados à sombra da sua bandeira, tenhamos tudo a esperar da sua protecção e da sua justiça»&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Pouco tempo depois, já essa bandeira deixara de ser bandeira estrangeira, porque, por portaria de 23 de Dezembro de 1882, eram os colonos Boeres naturalizados portugueses.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Willem Venter era então um rapaz de vinte anos, corajoso, forte, determinado, desempenado e de «sangue quente». A vida aventurosa em que logo de início se encontrara envolvido, imprimia feição à sua alma viril, a qual a existência tranquila e monótona da Humpata não podia de forma alguma dar satisfação.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;A Conferência de Berlim pusera-nos na necessidade de realizar uma ocupação efectiva para reconhecimento de direito de posse das terras africanas. As ameaças definiam-se no sentido de Leste, onde nenhuma linha de fronteira havia sido determinada. Urgia, por isso, avançar prontamente e fixar sobre o Alto Cubango alguns pontos fortificados, que não só balizassem a nossa ocupação, mas que pudessem ainda manter-se em condições de barrar o desenvolvimento de qualquer outra influência.Essa importantíssima missão foi cometida a Artur de Paiva, que desde a chegada dos Boeres havia exercido o cargo de Chefe do Concelho da Humpata. O jovem oficial, cujo nome tanto havia notabilizar-se nas Campanhas do Sul, contraíra casamento com uma filha de Jacobus Botha, o que, a par da rectidão do seu caracter, lhe dera sobre os Boeres um notável ascendente.&lt;/p&gt;&lt;div align="justify"&gt;Willen Venter alista-se como auxiliar nessa campanha audaciosa, tentada com os minguados recursos do Planalto. E logo o moço cavaleiro se notabilizava pela infatigável resistência e pela decisão com que enfrenta as situações difíceis e procura os perigos.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Assim foi iniciada a sua vida de acção. E, quando de novo, Artur de Paiva parte do Planalto, em 1890, para vingar a morte do sertanejo Silva Porto, no Bié, a vontade e a opinião de Willen Venter, homem feito e endurecido, pesam já na direcção do grupo de cavaleiros Boeres que em volta dele espontaneamente se agrupam, colaborando nas operações que deram a vitória às armas portuguesas. A sua valentia serena, a sua confiança raciocinada, o seu conhecimento perfeito da vida do mato, onde por vezes um estratagema audacioso pode decidir da sorte de uma coluna em operações, põem nas mãos fiéis de Venter o comando desses homens fortes.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Nessa agitada campanha recebe o seu primeiro ferimento. E, desde então, com ele se conta sempre confiadamente, porque na rectidão do seu espírito não podem albergar-se sentimentos que não sejam de pura e inalterável lealdade. Já o seu sangue se vertera - e não havia de ser só uma vez - pela causa nobre a que havia de dedicar a sua vida inteira.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Desde 1883 era o Sul de Angola talado por grupos de Hotentotes armados que, acossados pelos Alemães da Dâmara, se internavam em território angolano, praticando sobre o gentio pacífico razias sangrentas e roubos audaciosos. «Os Hotentotes que se acham hoje (1941) em armas no distrito, nos terrenos do Concelho do Humbe, Gambos e Huíla são, tomando o mínimo do número, quatrocentos, e trinta deles montados em cavalos, armados de boas espingardas Martini Henry e Westley Richards, além de um grupo de um grande número de Bushmen, (Bosquímanes) pior armados mas não menos para temer em combate, do que os seus senhores».&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Sobre as qualidades guerreiras desta gente nómada: «São homens que atiram tão bem como os Boeres e não ignoro - (assim foi dito pelo meu pai e avô) qual o resultado da guerra que os Ingleses contra eles sustentaram no Transval. Não se sustentam a pé firme, em campo descoberto, contra forças europeias que os ataquem e os carreguem à baioneta mesmo, mas são temíveis em guerra de emboscada contra essas mesmas forças. A segurança dos seus abrigos dá-lhes maior firmeza no tiro. É, pois, imprudente mandá-los atacar pelas forças indígenas de que dispomos e, dando-se tal caso, a derrota destas forças é infalível».&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Artur de Paiva confia a difícil missão de os bater ao valoroso alferes Quintino Rogado, sob cujas ordens põe os auxiliares Boeres, alistados para esse fim.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Andando as forças em perseguição dos Hotentotes, Willen Venter, que chefiava um grupo de dez cavaleiros, teve a notícia de que esses salteadores se encontravam no Hai. Pôs-se no seu rasto; e, topando com eles numa libata, a uma três horas de Tábua, aí os atacou. Travando-se vivíssimo tiroteio de parte a parte, caindo logo dois Boeres mortos e ficando Venter gravemente ferido por uma bala que o atingira numa ilharga, por outra que o atravessou pelas costas e por uma terceira que, ricocheteando nos fechos da sua espingarda, o foi ferir na cara. Dois homens organizam umas andas para conduzir o ferido, enquanto os restantes fazem face a mais de cinquenta Hotentotes. A retirada impõe-se, sem ao menos poderem enterrar os mortos que jazem no chão!&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Willen Venter chega à Humpata entre a vida e a morte; mas o vigor do seu organismo depressa o restitui à vida e à saúde. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Uma larga quadra de tranquilidade dá-lhe a seguir ensejo a entregar-se às aventuras de caça, que ao mesmo tempo lhe permitem tomar um perfeito conhecimento da região. Quando, em fins de Abril, tombavam as últimas chuvas borrifadas, já os seus carros e os seus cavalos seguiam para o mato, onde, durante meio ano vivia embrenhado, no encalço do rinoceronte, do elefante e do leão.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Artur de Paiva, em 1898, após o massacre do pelotão do Conde de Almoster em Jamba Camufate, recebe ordem de socorrer a Fortaleza do Humbe, cercada pelo gentio revoltado.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Chefiando os auxiliares Boeres estava a seu lado Willen Venter, que, em plena quadra de chuvas, sofria, como todos os que constituíam a coluna as mais duras provações. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Depois de uma vida activa de dedicação e patriotismo, Artur de Paiva embarca para a Metrópole, desgostoso e incompreendido. Seguem-se-lhe nas lides da ocupação do Sul os vultos gloriosos de Padrel, Alves Roçadas e João de Almeida, que a impulsionam com energia.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Na pequena expedição comandada por Alves Roçadas, que em 1905 foi à conquista do Mulondo, onde o sanguinário Hangalo exercia sobre os seus súbditos e sobre os negros dos sobados vizinhos as mais horríveis crueldades. Willen Venter comandava de novo o troço de cavaleiros Boeres, que, descendo o Cunene, pelo Capelongo, se reuniu à coluna no Mulondo. Os Boeres marchavam em perseguição do soba batido, que foram encontrar já morto pelo seu próprio Chicaixeiro (introdutor da embala) e conduziram a sua cabeça ao acampamento da coluna. Daí internaram-se no Cuamato, apreendendo gado e tornaram de seguida parte activa nas razias praticadas na região dos Gambos. Pela sua decisão e audácia, é Venter nomeado, por proposta de Alves Roçadas, cavaleiro da Ordem de Torre e Espada. A indomável rebeldia do Cuamato preocupava os dirigentes da Colónia. Da expedição de 1904, contra ele dirigida, resultara o grave insucesso do Vau do Pembe, em que trezentos portugueses haviam encontrado morte inglória. Na chana de Mata-Bindane continuavam insepultas as ossadas desses mártires. Nem que não fosse senão para abater a arrogância e insolência dos Cuamatos, era indispensável passar o rio e infligir-lhes um castigo severo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Roçadas, tendo organizado uma coluna punitiva (1906), atravessa o rio e estabelece-se no outeiro, em frente do Vau Muconde, e aí constroi um Forte (Forte Roçadas), que havia de servir de base às futuras operações do Baixo Cunene.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Enquanto decorria os trabalhos da construção, é ordenada uma incursão em território do Cuamato Pequeno, a realizar pelos auxiliares Boeres e Willem Venter, alguns portugueses e uma pequena força de Dragões de Angola. «A acção fora quente», diziam os auxiliares. Os Cuamatos, em grande número, tentaram cercar os nossos com fogo violentíssimo. Os Mucimbas foram fortemente dizimados pelos Cuamatos, mais velozes. Willem Venter, chefe dos auxiliares brancos, teimava permanecer no meio do semi-círculo; não queria que dissessem que fugia. Mas a boa razão dos seus chamou-o à realidade. Retirar era urgentíssimo. Assim se fez, a toda a velocidade dos cavalos. Um tiro prostra a montada de Bartolomeu de Paiva, filho primogénito do grande herói português Artur de Paiva. É homem perdido. Orlog pára, ampara-o e iça-o para cima do seu cavalo e salva-o.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Estabelecido o Forte na margem esquerda do rio Cunene, urgia acabar de vez com a lenda da invencibilidade dessa gente que todos os anos passava o rio e assaltava traiçoeiramente os povos ribeirinhos, já submetidos à nossa autoridade, matando, incendiando e roubando gado e gente. «Estes foram os motivos remotos da guerra. As causas próximas: a necessidade de lavarmos a afronta de 1904 (desaire do Vau do Pembe); a necessidade ainda mais urgente de se iniciar a ocupação efectiva daquela região, habilitando-nos por essa forma a satisfazer compromissos internacionais e a estarmos preparados para, num futuro mais ou menos próximo, procedermos de comum acordo com os vizinhos Alemães à demarcação da fronteira natural naquela parte dos nossos domínios, que demoram entre o Cunene e o Cubango».&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Da grande coluna, então organizada, constituída na maioria por tropas do Continente e comandada pelo capitão Alves Roçadas, fazia parte um troço de auxiliares, dirigidos pelo bravo Tenente da Infantaria, Teixeira Pinto, compreendendo Portugueses chefiados por José Lopes e Emídio Baptista, bem como os Boeres de Willen Venter, que, à frente dos seus cavaleiros, havia de tomar parte de todas as acções dessa dura campanha, acabada a qual foi condecorado com a medalha de prata da Rainha D. Amélia.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Era interessante ouvir da sua boca a evocação saudosa desses tempos de acção e luta. A respeito de cada um dos dirigentes tinha um comentário pitoresco e justo. As figuras principais dessa epopeia desenhavam-se nitidamente pela viveza da sua linguagem expressiva: o grande Artur de Paiva, que se impunha dominadoramente pela lúcida serenidade e pela determinada decisão do seu querer; Quintino Rogado, patrulheiro incansável, que bateu a cavalo todo o Sul de Angola; Roçadas, o Chefe silencioso, metódico e tenaz, a quem se deve a ocupação de quase todo o Ovampo; Eduardo Marques, que, estreitamente ligado a Roçadas como seu Chefe de Estado- Maior, o completava pela sua previdente e activa ubiquidade:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Ah! Eduardo Marques é magro; mas o coração dele não é magro!&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Portugal entrara na Grande Guerra. Dada a vizinhança dos Alemães na Dâmara, as populações do Sul viveram horas de graves inquietações.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Roçadas, na mira de lançar mão de todos os meios de defesa locais, procurava recrutar auxiliares entre os colonos portugueses e Boeres. «Os principais como Willen Venter, Andris Alberts, Bartolomeu de Paiva e outros, isto é, os velhos companheiros de 1905, 1906 e 1907 - Mulondo, Cunene e Cuamato, puseram-se logo à nossa disposição. Estes arrastariam outros, seus amigos e parentes.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;«Conseguimos, assim, assegurar um contingente de uns trinta auxiliares de confiança, dedicados e leais».&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;«Entretanto - quero aqui prestar-lhe o meu preito de amizade e admiração - debatia-se numa longa agonia, lá ao longe, na sua &lt;em&gt;farm&lt;/em&gt; modesta, o velho Botha, que em 1881 trouxera a colónia do Transval, através de mil perigos e privações, subjugado ao peso dos anos e duma doença pertinaz.» &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Fui de propósito levar-lhe as minhas consolações. E nunca esqueci o momento em que o venerando patriarca, rodeado de todos os seus, ao fitar-me, (falando-me do meu pai e avô; segundo ele: nutria uma enorme consideração e amizade por ambos), se deixou dominar pela comoção, e uma lágrima rebelde deslizou por aquela face sempre honrada e austera. «Recordou-se talvez de um dia parecido, em que o meu pai e outros companheiros, foram expressamente à Humpata convidar os Boeres para os acompanharem na guerra aos Cuamatos, e só conseguiram levar uns dezassete ou dezoito: e, a uma observação que lhe fizeram a este respeito, ele o velho Botha, quase octogenário, mas forte ainda, no seu arcabouço de atleta, alto e aprumado como os eucaliptos da sua &lt;em&gt;farm&lt;/em&gt;, respondeu:- Senhor General Mateus da Gama, os Boeres de hoje já não são os mesmos!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;«Os Boeres de hoje já não são os mesmos», dissera o patriarca Botha, na hora da agonia.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;Na verdade, entre eles haviam-se infiltrado elementos novos que, agitando esperanças ilusórias faziam activa propaganda contra a soberania portuguesa. Antes de Naulila, desempenhando as criminosas funções de agente de ligação entre os Alemães do Planalto e os seus concidadãos da Damaralândia, o Boer Duplessis, «montado num cavalo ou mula branca, com alguns gentios ribeirinhos do Cunene informaram, passava e repassava o Vau de Schwartz-boy-Drift e lá ía a caminho de Qualude, Dâmara, levar correspondência que lhe confiavam e regressava pouco depois para repetir a missão. Essa propaganda foi-se activando dia a dia; até que, em 1927, patrocinado pelo governo Sul Africano, teve lugar o êxodo da gente Boer de Angola, para terras da Dâmara.A acção nefasta dos agentes da União não se desenvolveu todavia sem provocar entre Boeres uma certa efervescência, porque nem todos, em especial os velhos que haviam tomado parte nas campanhas da ocupação, se resignavam em ânimo leve ao abandono do solo hospitaleiro de Angola; contudo, levados pela sua tendência nómada, um novo &lt;em&gt;trek&lt;/em&gt; se operou, que para sempre os afastou da terra que há mais de meio século havia sido para eles a terra da promissão.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Houve porém um homem que, nas reuniões preparatórias da partida, ergueu a sua voz corajosa, verberando o procedimento dos seus compatriotas, que insensatamente íam trocar o paraíso pelo deserto, voltando as costas ao solo amigo, que, em hora difícil carinhosamente os agasalhara: esse homem foi o honrado e valoroso velho Willen Venter, que, leal e firme no obstinado cumprimento do seu dever, ficou quase sozinho na sua farm, aguardando serenamente a morte, que tantas vezes enfrentara ao lado de Artur de Paiva e de Alves Roçadas, e, para se furtar à qual o seu corpo nunca esboçara sequer um passo à retaguarda!&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Esta era a sua terra, que, como Pátria adoptiva, se abrira hospitaleiramente para o agasalhar, a ele e a seus pais, numa hora de enorme angústia e graves dificuldades. Aqui decorrera a sua vida; aqui lutara e guerreara; aqui constituíra família, construindo a sua casa e fertilizando o solo pelo seu próprio braço; e aqui vertera o seu sangue... Não! Por coisa alguma largaria a sua&lt;em&gt; farm&lt;/em&gt;, onde os eucaliptos altos à tarde ramalhavam docemente, exprimindo-se em linguagem amiga, que ele muito bem compreendia, porque eram tão velhos como ele, e, como ele, sabiam com quanto esforço tinha sido feita esta terra de Angola, que era afinal a sua verdadeira Pátria!&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;Luanda, Setembro de 1941 &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24997630-8937059655615496837?l=memoriaseraizes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://memoriaseraizes.blogspot.com/feeds/8937059655615496837/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24997630&amp;postID=8937059655615496837&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24997630/posts/default/8937059655615496837'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24997630/posts/default/8937059655615496837'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://memoriaseraizes.blogspot.com/2009/10/uma-historia-de-vida-willen-venter.html' title='Uma História de Vida-WILLEN VENTER-AMIGO PARA SEMPRE'/><author><name>Cláudio Frota</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12347804865419095178</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_SFPLGdcHVyk/SvK9FMKGdRI/AAAAAAAAAKY/Rfy5Ak6Y3p4/s72-c/DSCF8567d.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24997630.post-531148183040726395</id><published>2009-09-23T22:57:00.020+01:00</published><updated>2010-11-19T19:00:59.308Z</updated><title type='text'>ORLOG - Servidor e Guerreiro Zulu-Uma Vida ao Serviço de Portugal</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;BREVE BIOGRAFIA DE ORLOG, o ZULU, por ANTÓNIO GAMA&lt;/strong&gt;&lt;/DIVALIGN="JUSTIFY"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Entre os auxiliares que tomaram parte nas &lt;strong&gt;C&lt;/strong&gt;ampanhas de &lt;strong&gt;O&lt;/strong&gt;cupação do &lt;strong&gt;S&lt;/strong&gt;ul de &lt;strong&gt;A&lt;/strong&gt;ngola, o ORLOG foi sem dúvida, uma das figuras mais representativas, não só pelo dilatado período de tempo durante o qual serviu Portugal, como pela valentia e audácia com que o soube fazer.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Esta tradição de aproveitar as forças indígenas nas lides coloniais é entre nós muito antiga. Já Paulo Dias de Novais, primeiro &lt;strong&gt;G&lt;/strong&gt;overnador de &lt;strong&gt;A&lt;/strong&gt;ngola, havia lançado mão dos &lt;em&gt;"empacasseiros"&lt;/em&gt; nas lutas travadas na bacia do &lt;strong&gt;Q&lt;/strong&gt;uanza, berço do nosso estabelecimento em &lt;strong&gt;A&lt;/strong&gt;ngola; e os Jagas, que, no dizer do campeador Baltazar Rebelo de Aragão, &lt;em&gt;«é gente forasteira e que vive de roubar e fazer guerra».&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;ORLOG, chefe dos auxiliares indígenas, era um preto alto, seco, esbelto, Zulu de origem, que viera ainda criança para o &lt;strong&gt;P&lt;/strong&gt;lanalto da &lt;strong&gt;H&lt;/strong&gt;uíla e esteve connosco nas &lt;strong&gt;E&lt;/strong&gt;xpedições do &lt;strong&gt;S&lt;/strong&gt;ul de &lt;strong&gt;A&lt;/strong&gt;ngola, desde pelo menos a Campanha do &lt;strong&gt;B&lt;/strong&gt;ié, em 1890.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Artur de Paiva desenha-o em quatro traços, salientando a impaciência do seu ardor combativo. Achavam-se as quatro peças de artilharia comandadas por Paiva Couceiro, Evaristo de Almeida, Paulo Ramalho e Quintino Rogado, em frente da libata do &lt;strong&gt;B&lt;/strong&gt;ié, executando fogo. Mas eram já cinco da tarde e Artur de Paiva não queria que o assalto da infantaria se desenrolasse pela noite fora, pensando adiá-lo para a madrugada do dia seguinte, quando ORLOG se destacou dos seus auxiliares e, dirigindo-se-lhe, exclamou:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Senhor, o dia acaba-se; é melhor saltar-mos lá dentro!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Tens razão, rapaz, vamos a isso!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Cessou o fogo de artilharia, a infantaria armou baioneta. E, dentro de momentos, os paus da libata eram arrancados e os &lt;strong&gt;Vachimbas&lt;/strong&gt;, como cães de fila, irrompiam no recinto da fortaleza indígena.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Um ano mais tarde, ORLOG achava-se encorporado nas temíveis tropas de Padrel que iam atacar o Humbe, tendo sido encarregado de convocar auxiliares indígenas para participarem das operações. «Neste mesmo dia»-diz Padrel, no seu relatório - «nomeei o pessoal para esse efeito, sendo encarregado da missão ORLOW (ORLOG), filho de Tom, que dispõe de grande influência entre os &lt;strong&gt;Muchimbas&lt;/strong&gt;, partindo no dia seguinte para aquele concelho (&lt;strong&gt;G&lt;/strong&gt;ambos), onde devia aguardar a chegada da expedição, juntamente com o grupo de &lt;strong&gt;Muchimbas&lt;/strong&gt; que pudesse reunir, fazendo-lhe ciente, contudo, que a paga seria segundo o serviço que prestassem, e que essa ainda assim era feita em gado, se algum fosse apreendido aos revoltosos». &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;De facto à coluna juntaram-se, nos &lt;strong&gt;G&lt;/strong&gt;ambos 500 &lt;strong&gt;Vachimbas&lt;/strong&gt;, acompanhados não só dos indivíduos que os foram reunir, mas também de Kalenga, seculo da terra que habitavam. Postas as condições, que foram logo aceites pelos &lt;strong&gt;Vachimbas&lt;/strong&gt;, o seculo Kalenga lembrou que estes haviam já tomado parte nas &lt;strong&gt;E&lt;/strong&gt;xpedições do &lt;strong&gt;C&lt;/strong&gt;ubango e do &lt;strong&gt;B&lt;/strong&gt;ié e pediu uma bandeira portuguesa para arvorar na sua terra «como reconhecimento da soberania portuguesa, por isso que ele e os &lt;strong&gt;Muchimbas&lt;/strong&gt; se consideravam súbditos portugueses».&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Desenrola-se a campanha e, batido o &lt;strong&gt;H&lt;/strong&gt;umbe e a &lt;strong&gt;D&lt;/strong&gt;onguena, Padrel vai ao encalço do rebelde Luhuma, resolvendo-se a atravessar o &lt;strong&gt;C&lt;/strong&gt;unene. Era a primeira vez que tropas portuguesas transpunham o rio misterioso e penetravam, em som de guerra, no &lt;strong&gt;C&lt;/strong&gt;uamato &lt;strong&gt;G&lt;/strong&gt;rande.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;À frente, a gente de ORLOG é que primeiro vai dar o arrojado passo. Um dos &lt;strong&gt;Vachimbas&lt;/strong&gt;, porém, acobarda-se e hesita. ORLOG mete-lhe prontamente uma bala na cabeça. E todos passaram o rio sem mais hesitações!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A luta ia ser acesa: «Às oito horas da noite travou-se o combate geral, abrangendo a fuzilaria de ambos os lados um círculo de um kilómetro de raio. A artilharia entrou em acção que, ora de um, ora de outro, foi reduzindo o inimigo ao silêncio, o que de todo se verificou à uma da madrugada.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mas uma das peças breve se inutilizava. As munições iam rareando. E, para completo agravamento da situação, dos 3000 auxiliares &lt;strong&gt;Cuanhamas &lt;/strong&gt;que acompanhavam a heterogénia coluna, uns 2000 haviam-se posto em fuga!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;«Estes homens» - conta o Capitão Luna de Carvalho, chefe do &lt;strong&gt;H&lt;/strong&gt;umbe - «conquanto perigosos, mal pensavam que a sua retirada, incutindo ânimo ao inimigo, enfranquecia e intimidava alguns dos nossos, que não conseguiam ocultar o desânimo que se apoderavam; nesta ocasião revigorou o espírito a muitos, a abnegação e coragem do Tchiluanda, chefe dos &lt;strong&gt;Muchimbas&lt;/strong&gt; , que, à frente deles protestou a sua lealdade, vituperou a cobardia dos &lt;strong&gt;Mu-cuanhamas&lt;/strong&gt;, e, em altas vozes e significativos gestos, declarou que jamais nos abandonaria, por mais crítica e arriscada que fosse a nossa situação».&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não descansa um instante a febril e irreqieta actividade do ORLOG, para cuja alma de lutador a guerra era a situação natural e favorita. Nos intervalos da paz, ORLOG, não podendo viver nem fazendo viver aqueles que haviam agregado os seus destinos ao dele, penetrava nas terras dos negros pacíficos e talava e roubava como conquistador.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Em Maio de 1900, o governo de Moçâmedes recebeu acusações de W. Chapman e de Jan Robertze contra as extorções de ORLOG, chefe de várias tribos de &lt;strong&gt;Boxímanes&lt;/strong&gt;. Ouvido Artur de Paiva, este confirmou a verdade das queixas e informou que, tendo mandado intimar ORLOG a restituir o gado, havia recebido dois enviados &lt;strong&gt;Vachimbas&lt;/strong&gt; comunicando que as cabeças roubadas tinham sido imediatamente entregues. E Artur de Paiva aproveitou o ensejo para indicar o seu ponto de vista acerca de ORLOG: «o que ORLOG está praticando, e com mais frequência desde o falecimento do Tenente Quintino Rogado, não é mais extraordinário do que as correrias periódicas dos &lt;strong&gt;Cuanhamas&lt;/strong&gt;, com a diferença porém de que ORLOG roubava por necessideade, o que não acontecia com os outros potentados. ORLOG dispunha de gente bem armada e municiada, contando um bom número de atiradores excelentes. Para o destruir seriam precisos muito dinheiro e vidas. A sua táctica de se conservar sempre em movimento, passando ora para cá, ora para lá, o rio Cunene, dificultaria as operações contra ele dirigidas. E, sendo assim, mais valia tomá-lo ao nosso serviço, constituindo uma espécie de corpo de auxiliares que fariam a polícia do distrito e poderiam opor-se às correrias dos &lt;strong&gt;Cuanhamas&lt;/strong&gt;, ideia que pelo próprio ORLOG seria aceite com entusiasmo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;«ORLOG! É um nome de guerra. é o terror dos &lt;strong&gt;G&lt;/strong&gt;ambos e do gentio aquém Cunene!». Assim o apontava Roçadas, sob cujas ordens por mais de uma vez servira, e que conhecia bem a sua dedicação e coragem. A sua idade devia andar pelos 50 e os 60 anos. A sua gente são os &lt;strong&gt;Muchimbas&lt;/strong&gt; e os &lt;strong&gt;Herreros&lt;/strong&gt;, fugidos há anos da &lt;strong&gt;D&lt;/strong&gt;amaralândia. As suas terras os montes dos &lt;strong&gt;Cubais&lt;/strong&gt;. O seu viver a luta com o gentio, para o sustentar a si e à gente que o acompanhara!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Roubava. A sua valentia, em tempo de guerra, era tão grande como em tempo de paz a sua crueldade, que só tinha por limites a fazenda e a vida dos brancos. O grande auxiliar, que tantos e tão relevantes serviços prestara às nossas armas, andava por vezes perseguido e só encontrava refúgio além fronteira, onde só desenvolvia política oposta à nossa. Mas nunca ORLOG por ela se deixou tentar ou seduzir. Na primeira oportunidade apresentava-se a oferecer-se a si e aos seus para os mais duros e ásperos serviços. Em 1905 quando Roçadas assumiu o governo da &lt;strong&gt;H&lt;/strong&gt;uíla, andava ORLOG a monte com os seus &lt;strong&gt;Vachimbas, Mucancalas e Herreros&lt;/strong&gt;, de parceria com Candar, soba revoltado dos &lt;strong&gt;G&lt;/strong&gt;ambos. Num ataque à embala do rebelde havia sido derrotada uma companhia indígena. Emissários da parte do governador foram convidá-lo a comparecer, sob promessa de ser acolhido sem qualquer castigo. Um dia, no &lt;strong&gt;L&lt;/strong&gt;ubango, receberam a notícia de que se queria apresentar. Uma bela manhã, uma multidão de &lt;strong&gt;Mucancalas, Boxímanes, Berg-dâmaras e Muchimbas&lt;/strong&gt;, com os seus chefes e ORLOG entre eles compareceram, numa data aprazada.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Roçadas mandou-o entrar na residência. Tremia como varas verdes, certamente no receio de alguma cilada. Veio vinho generoso. Ambos beberam. E ORLOG entrou de novo, submissamente, ao serviço de Portugal.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Na campanha de 1906, pela qual se fixou na margem esquerda do Cunene o Forte Roçadas, ORLOG esteve de novo connosco. Um reconhecimento ao interior do &lt;strong&gt;C&lt;/strong&gt;uamato fora ordenado, constituído pelos auxiliares Boers e Portugueses, uma força de Dragões e auxiliares &lt;strong&gt;Vachimbas&lt;/strong&gt;. A acção foi dura. E os &lt;strong&gt;Vachimbas&lt;/strong&gt; fortemente dizimados. A retirada impôs-se, como única salvação, à frente da massa aguerrida dos &lt;strong&gt;C&lt;/strong&gt;uamatos. E nessa retirada precipitada, foi ORLOG, como veremos, quem salvou a vida de Bartolomeu de Paiva, que tombara no chão com a sua montada.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;«Destemido, autoritário com os seus, cruel mesmo para manter entre eles a disciplina, é extremamente dedicado e singularmente respeitoso para com os brancos portugueses, especialmente se estes envergam farda»&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Roçadas manifesta por este valente auxiliar uma decidida predilecção, lamentando que nos intervalos das campanhas fosse posto em condições de roubar para viver.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Estivera na árdua campanha de 1907, no serviço avançado da expedição que sucessivamente dominou o &lt;strong&gt;C&lt;/strong&gt;uamato &lt;strong&gt;P&lt;/strong&gt;equeno e o &lt;strong&gt;C&lt;/strong&gt;uamato &lt;strong&gt;G&lt;/strong&gt;rande, após a qual, em reconhecimento dos seus serviços, foi nomeado chefe do Corpo de Polícia, criado para o Planalto da Huíla.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;No ano seguinte João de Almeida reconhecia os serviços que os auxiliares poderiam prestar, tanto em tempo e paz como em tempo de guerra, e pensava no seu aproveitamento.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;De facto, daqui resultou um corpo de irregulares, cuja actividade chegou a ser ainda devidamente regulamentada e aproveitada. Mas tal organismo foi de pouca duração; e, quando Roçadas, em 1914, voltou ao Sul de Angola, já ORLOG andava de novo a monte. Extinto aquele corpo de polícia, ORLOG foi posto à margem, e o velho servidor e guerreiro teve de recorrer à rapina para se sustentar e aos seus.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ao passar nos &lt;strong&gt;G&lt;/strong&gt;ambos, Roçadas chama-o, mais uma vez; e o velho chefe Zulu acode pressurosamente a pôr-se ao serviço das armas portuguesas.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Roçadas, como a despedir-se do seu auxiliar, deixou no relatório de 1914 um largo relato das suas façanhas «para que os governos não esqueçam e a posteridade conheça o nome daquele que, embora de raça negra e de país estranho, tão dedicadamente serviu a nação portuguesa nas guerras coloniais dos últimos tempos».&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A paz veio, finalmente. ORLOG e os seus &lt;strong&gt;Vachimbas&lt;/strong&gt; era agora um anacronismo na calma que reinava em todo o Sul de Angola. As autoridades civis não suportavam a sua irrequietude. Tornara-se um indesejável. A sua cabeça andava a preço. E, em breve, a horda dos seus guerreiros se viu, mais uma vez, na dura necessidade de passar o Cunene, que tão eficazmente um dia haviam ajudado a atravessar!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mas, apesar de tudo, o coração de ORLOG mantinha-se fiel. E, a cada momento, chegavam de além fronteira os seus protestos de lealdade e arrependimento, os pedidos de fixação em território português, agora que os anos pesavam esmagadoramente sobre a sua cabeça e a morte se avizinhava dele a passos largos. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Até que esta chegou, apagando da retina do velho Zulu a imagem querida das terras do &lt;strong&gt;S&lt;/strong&gt;ul de &lt;strong&gt;A&lt;/strong&gt;ngola, onde, como os Jagas de outrora, «gente escoteira que vive de roubar e fazer guerra», os seus guerreiros empenachados passam em horríveis correrias, consumando a justiça do branco, implacável e vingadora!&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24997630-531148183040726395?l=memoriaseraizes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://memoriaseraizes.blogspot.com/feeds/531148183040726395/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24997630&amp;postID=531148183040726395&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24997630/posts/default/531148183040726395'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24997630/posts/default/531148183040726395'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://memoriaseraizes.blogspot.com/2009/09/orlog-servidor-e-guerreiro-zulu-uma.html' title='ORLOG - Servidor e Guerreiro Zulu-Uma Vida ao Serviço de Portugal'/><author><name>Cláudio Frota</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12347804865419095178</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24997630.post-6140199829185966501</id><published>2009-06-29T17:45:00.024+01:00</published><updated>2009-08-06T11:33:23.474+01:00</updated><title type='text'>EU SOU UM VISEENSE</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;"EU SOU UM VISEENSE"&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;-&lt;em&gt; Cerimónia na Câmara Municipal de Viseu em 30 de Maio de 2009.&lt;br /&gt;Apresentação do Prof. Mário Frota na recepção ao curso jurídico da Faculdade de Direito de Coimbra pelo Presidente da Câmara, Dr. Fernando Ruas, no Salão Nobre da Câmara Municipal de Viseu, em 30 de Maio de 2009, às 12.00 horas&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:180%;color:#000000;"&gt;Comendador Luís José de Oliveira&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Nasceu em Viseu a 6 de Novembro de 1827.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Embarcou para Moçâmedes, por ordem do Ministro do Ultramar, com mulher e quatro filhos, em 7 de Outubro de 1861, “para vir empregar-se no ofício de tecelão”. Principiou em Março de 1862, os seus trabalhos “com os poucos auxílios que trouxe de Lisboa”. Tinha, então, 34 anos de idade (Ofício n.º 351 da Repartição Civil Distrital, de 8 de Outubro de 1864, dirigido ao Ministro do Ultramar pelo governador Fernando Leal).&lt;br /&gt;Já funcionava no Distrito, mas em circunstâncias muito precárias, uma fábrica de fiação e de tecelagem que pertencia ao súbdito francês Eugénio Wherlin e trabalhava com um só tear, ocupando-se apenas em preparar grosseria de algodão (“o seu proprietário lutava com as mil dificuldades que todos os estabelecimentos novos encontravam num país falto de recursos”). A fábrica de Wherlin manteve-se neste ciclo ainda por alguns anos, pois que a ela alude Ferreira do Amaral, no seu relatório de 1878. Resumia o governador, por esta forma, as condições de trabalho do proprietário da fábrica: “recebia da Europa a matéria-prima, vivendo exclusivamente da diferença de preços dos salários”. E acrescentava: “o movimento da fábrica era assim irregular, e até de resultados problemáticos, tendentes, por isso, a conduzi-la, rapidamente, ao seu termo”.&lt;br /&gt;No entanto, propôs-lhe Luís José de Oliveira fundar em Moçâmedes uma fábrica similar. Como aquele, teve este igualmente de pugnar com dureza pela audácia do esforço, conseguindo-o contudo, mais duradouramente, é certo, mas, por fim, sem possibilidade de continuar do mesmo modo a laboração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Limitado às circunstâncias, trabalhou, a princípio, com a mulher e dois filhos menores, de 9 e 10 anos. Mais tarde, ajudaram-no quatro libertos que o governador lhe forneceu. Bastante concorreu esta assistência para a fiação e cardação de algodão. Supria assim a falta de fio, de que muito se fazia ressentir a fabricação dos tecidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;À data do ofício (Outubro de 64), trabalhava já “com dois teares e oito rodas de fiar”, em que empregava (entre pessoas de sua família, libertos e aprendizes), 12 pessoas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois, durante algum tempo, a fábrica conservou-se estacionária, porque o seu proprietário carecia de determinados maquinismos e utensílios. Os maquinismos e utensílios precisos solicitou o governador ao Ministro, em ofício de 22 de Agosto de 1863 para lhe serem fornecidos “sujeitando-se o tecelão a pagar o seu custo pelo produto da sua fábrica”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não obstante a reconhecida carência, já a fábrica havia prestado ao Distrito dois bons serviços: o fornecimento de fazendas a quase todas as embarcações de pescas, por não se encontrarem então no mercado outras apropriadas, e o provimento de linhagem de que se serviam os exportadores de algodão, para o expedirem em sacos, visto ter-se, naquele tempo, escasseado o artigo. Nestas verificadas conjunturas, nem as embarcações ficaram privadas das fazendas, nem os algodões deixaram, com risco de dano, de seguir os seus destinos. E era de notar que, no momento, os algodões tinham subido de preço em Lisboa.&lt;br /&gt;Em consequência da privação de apetrechos completos, a fábrica produzia fazendas “de um só tipo”, nem lhe era possível, por aquele motivo, fabricá-las com “diversidade de padrões”.&lt;br /&gt;A acompanhar o ofício remetido, Fernando Leal fez-lhe juntar a nota das máquinas e utensílios de que o industrial necessitava para o vantajoso funcionamento da fábrica.&lt;br /&gt;Parecendo-nos importuna a citação esmiuçada de todos os aparelhos e instrumentos referidos na nota, em face da sua grande extensão, indicaremos apenas alguns: - máquinas de descaroçar, bater, cardar, desengrossar e fiar o algodão; de torcer fios para redes e de fazer cordão e linhas para pesca; um motor, um tear largo para cobertores, etc., etc.&lt;br /&gt;O governador fez ainda juntar ao ofício um requerimento do industrial para serem remetidos os materiais da relação, a fim de poder o proprietário da fábrica “exercer o seu ofício em maior escala, pagando-os ele, depois, a prazos razoáveis”. Despacho do Governador: - &lt;strong&gt;“Deve ser atendido o seu pedido porque o desenvolvimento daquela indústria é de conveniência para a colónia”. Nota à margem: “Concordo plenamente”.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Em face do assentimento do Governador e da concordância do Ministro, relativos às pretensões do requerente, é de admitir que Luís José de Oliveira houvesse recebido os objectos requeridos, que muito o teriam ajudado no louvável empenho de aumentar e melhorar a produção. Mas, por terem sido poucos “os auxílios que trouxe de Lisboa” e ponderando, outrossim, a presumível demora na remessa dos maquinismos e utensílios requisitados, pensou o corajoso industrial que um razoável crédito lhe seria de muita utilidade para o desenvolvimento da sua arrojada iniciativa. Probo, conhecedor da profissão e protegido das autoridades, pôde facilmente adquirir o capital de “cinco contos”, com que, de ali em diante, impulsionou activamente os trabalhos da fábrica. Emprestou-lhos um componente da Primeira Colónia, o capitalista Manuel José Alves Bastos.&lt;br /&gt;Animado com este auxílio, Luís José de Oliveira afanara-se, extraordinariamente, no prosseguimento valioso da sua indústria. &lt;strong&gt;Ousara até, poucos anos volvidos, sobre a sua chegada, concorrer à Exposição Industrial, realizada, em 1865, no Palácio de Cristal do Porto&lt;/strong&gt;. Valera-lhe tal ousadia um êxito jubiloso. No livro Visitas à Exposição de 1865, de Joaquim Henriques Fradesso da Silveira, professor da Escola Politécnica de Lisboa e escritor muito distinto, especialmente versado em assuntos económicos (1825/1875), lemos, a pág. 65 do segundo volume, as seguintes palavras de relato e incitamento relativas à comparência de Luís José de Oliveira nesse famoso certame de projecção mundial: &lt;strong&gt;“Vieram também de Moçâmedes amostras de fios, grosserias, sarjas, panos tecidos com algodão amarelo, cotins e um cobertor de algodão, produto da fábrica organizada naquele Distrito pelo Sr. Luís José de Oliveira, a quem muitos louvores devemos dirigir por haver fundado naquelas regiões um estabelecimento, a que desejamos longa e próspera vida”.&lt;br /&gt;Na apreciação dos produtos expostos, o Conselho Deliberativo da Exposição Industrial do Porto, resolveu, para lhe recompensar o mérito, conceder-lhe um prémio honorífico, e o Governo do País, reconhecendo-lhe o esforço, conferir-lhe uma distinção graciosa.&lt;br /&gt;No mencionado livro de Fradesso da Silveira, é-nos dado conhecimento de que, pelo colecção do expositor, aprovada e confirmada por Sua Majestade El-Rei, o senhor D. Fernando, augusto presidente da Exposição, lhe foi outorgada medalha de primeira classe pelos excelentes tecidos de algodão, de Moçâmedes. E, no ano seguinte da Exposição, a Portaria n.º 76, de 30 de Abril de 1866 (Visconde da Praia Grande) houve por bem considerá-lo digno da real munificência e agraciá-lo com a mercê de Cavaleiro da Ordem de Cristo.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Luís José de Oliveira foi muito considerado em Moçâmedes, tanto pelo elemento oficial, como por diversas vereações do seu tempo. Costa Cabral chama-lhe: “benemérito cidadão” (relatório de 19 de Junho de 77) e Ferreira do Amaral, “homem digno, por todos os motivos, do melhor conceito” (relatório de 13 de Janeiro de 79). Antes da sua morte, a Câmara Municipal de Moçâmedes homenageou-o por duas vezes, apreciando-lhe os serviços prestados ao Município.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, em sessão de 23 de Novembro de 1881, da presidência de António Acácio de Oliveira Carvalho, a Câmara convindo (lê-se na respectiva acta) &lt;strong&gt;que os empreendimentos de manifesta utilidade pública fossem memorados de um modo perdurável, estando neste caso a fábrica de tecidos de Luís José de Oliveira, que iniciou neste Distrito a sua valiosíssima indústria, resolveu que a rua paralela à de Calheiros, e que passa, ao Sul dela, pelo seu estabelecimento, se denominasse Rua da Fábrica. E, quinze anos depois, em sessão de 25 de Novembro de 1896, a Comissão Municipal da presidência de Augusto José dos Reis Figueiredo, “atendendo aos muitos e relevantes serviços prestados ao Município pelo cidadão Luiz José de Oliveira como um dos vereadores que, durante mais de quinze anos quase que em sucessivas Vereações sempre havia mostrado inexcedível zelo, mesmo com sacrifício próprio na direcção das obras municipais, por muito tempo entregues à sua reconhecida competência, resolveu que uma das três ruas que seguem para o Nascente à do tenente Valadim..... se denominasse Rua Luiz José de Oliveira”.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Não obstante a honrosa reputação do seu nome e a firme pertinácia do seu afã, não foi possível a Luís José de Oliveira prosseguir, com a necessária eficiência, as relações contratuais da sua indústria. Desde a instalação, a fábrica de Luís José de Oliveira, contrariamente à de Wherlin, “vivia sobre si e com matéria-prima do Distrito” (Amaral, Relatório).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1865, porém, havia cessado a guerra separatista dos Estados Unidos, que provocara, no Distrito, o aumento da produção algodoeira e, consequentemente, o progresso do movimento exportador. Depois de 1865, mas nos primeiros anos da reconstrução americana, terminada em 1877, a produção e, por conseguinte, a exportação, chegaram a aumentar mais ainda do que no período agudo do conflito; vemo-las, porém, pouco depois, de modo assustador, a declinar precipitadamente. Nestas condições, manter a indústria com a matéria-prima importada da Metrópole, seria economicamente um contra-senso e praticamente uma impossibilidade. Os produtos, caríssimos, como haviam de ficar, com a alta de preços da matéria-prima nos mercados europeus, não seriam vendáveis. Luís José de Oliveira fora, portanto, obrigado a fechar a fábrica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após o descanso vertiginoso da produção algodoeira, a fábrica havia sido para Luís José de Oliveira cruz e martírio. Continuou a viver na antiga residência, situada dentro do terreno onde tinha a fábrica. Mas, tendo que renunciar o mister fabril, passou a dedicar-se a outras ocupações em que granjeava, eficaz e dignamente, a subsistência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As notas do registo municipal, que consultámos, informam-nos que faleceu em Moçâmedes a 15 de Junho de 1908, com 80 anos de idade, vitimado por uma hemorragia cerebral.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Câmara Municipal de Moçâmedes, em tributo de acatamento à memória de Luís José de Oliveira, prestigiou-se, fidalgamente, fazendo expor, no salão nobre dos Paços do Concelho (não sabemos em que ano), a sua fotografia ampliada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Luís José de Oliveira, cuja vida representa uma odisseia de lutas, foi pessoa prestimosa, até onde as possibilidades o permitiram, devendo-lhe o Distrito, em períodos difíceis, assinalados serviços.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;em&gt;(A personalidade de que se trata é meu trisavô materno.)&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Bibliografia&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Manuel Júlio de Mendonça Torres (1974) &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;O Distrito de Moçâmedes no Ciclo Áureo da Cultura Algodoeira,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ed. da Câmara Municipal de Moçâmedes, Vol. 2, pp.428-435. &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;(Texto gentilmente enviado pelo Prof. Dr. Mário Frota. O Comendador Luís José de Oliveira é  seu trisavô materno)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24997630-6140199829185966501?l=memoriaseraizes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://memoriaseraizes.blogspot.com/feeds/6140199829185966501/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24997630&amp;postID=6140199829185966501&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24997630/posts/default/6140199829185966501'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24997630/posts/default/6140199829185966501'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://memoriaseraizes.blogspot.com/2009/06/eu-sou-um-viseense-cerimonia-na-camara.html' title='EU SOU UM VISEENSE'/><author><name>Cláudio Frota</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12347804865419095178</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24997630.post-79166250731225232</id><published>2009-05-31T23:31:00.665+01:00</published><updated>2010-12-10T20:39:58.637Z</updated><title type='text'>EM MEMÓRIA DE UMA AMIZADE INCOMUM</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_SFPLGdcHVyk/SjLSrhkNG8I/AAAAAAAAAHI/-pXBeKiBI0I/s1600-h/mossamedes_1890.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 320px; FLOAT: left; HEIGHT: 232px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5346567352828632002" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_SFPLGdcHVyk/SjLSrhkNG8I/AAAAAAAAAHI/-pXBeKiBI0I/s320/mossamedes_1890.jpg" /&gt;&lt;/a&gt; O Sul de Angola viveu durante dezenas de anos momentos de grande instabilidade nas regiões fronteiriças com o Sudoeste Africano. Um gentio insubmisso resistia à afirmação da autoridade portuguesa em toda a região do interior sul.&lt;br /&gt;Em 30/12/1886 realizou-se o Tratado Luso-Alemão em que se definiu a linha de fronteira do Sul de Angola, então colónia portuguesa, com o Sudoeste Africano, então colónia alemã, hoje o país independente da Namíbia. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Pelo mesmo Tratado e para que fossem reconhecidos os direitos de soberania, Portugal ficou obrigado à "ocupação efectiva" de todo o território do interior de Angola, imposição essa já antes acordada na Conferência de Berlim realizada em 1885 pelas potências coloniais europeias; abrangia os territórios dos impérios coloniais em África. No interior do Sul de Angola só os funantes (comerciantes ambulantes) mantinham uma certa presença portuguesa, a comerciar marfim e aguardente de cana. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;Dada a resistência desses povos à colonização portuguesa, optou-se pela ocupação militar e só depois da região pacificada à ocupação civil. Impunha-se, pois, avassalar sobas.&lt;br /&gt;As populações do interior e do litoral viviam com inquietação esses dias de incerteza. Desde 1883 que hotentotes invadiam o espaço angolano, atiçados pelos alemães, tendo mesmo ameaçado a população de Porto Alexandre, ao tempo uma pequena aldeia de pescadores dedicada à faina do mar, na sua grande maioria algarvios de Olhão. (Porto Alexandre é hoje a cidade de Tômbua). Foi necessário um encontro &lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_SFPLGdcHVyk/Slpf7NNbwqI/AAAAAAAAAI4/4NDhqQyqUA0/s1600-h/Arco1.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 320px; FLOAT: left; HEIGHT: 240px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5357700177473553058" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_SFPLGdcHVyk/Slpf7NNbwqI/AAAAAAAAAI4/4NDhqQyqUA0/s320/Arco1.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;com os seus chefes, que se realizou no "Arco do Carvalhão", um oásis a trinta kilómetros da então povoação piscatória, e esta ficou a salvo da investida. Nessa reunião esteve presente a regedora de Porto Alexandre, Maria da Cruz Rolão, considerada heroína e um exemplo de coragem, coragem demonstrada nessa e noutras intervenções na defesa do interesse nacional e da população de Porto Alexandre em particular. Foi consagrada na toponímia olhanense, de onde era natural, com uma rua, e Porto Alexandre homenageou-a com a instalação de uma estátua à entrada da cidade e com o seu nome numa escola.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Foi sob o comando do capitão Roçadas e do General João de Almeida que se deu como consolidada a fronteira Sul com a Alemanha. Construíram postos fronteiriços de defesa, avassalaram sobas e criaram as condições para uma efectiva ocupação. Mas em 1912, sob a governação de Norton de Matos (1912-1914) os alemães tiraram a máscara quanto ao propósito de agregar à sua colónia do Sudoeste Africano vasto território angolano. Havia alguns anos que se serviam de oficiais disfarçados, pseudo cientistas e sobretudo de missionários que fomentavam a intriga junto do gentio contra os portugueses. Não tardou que as &lt;em&gt;mausers&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;manelikers&lt;/em&gt; alemãs aparecessem nas mãos adestradas do gentio. Queixava-se Norton de Matos da ineficácia governativa da Metrópole que enviava pequenos núcleos de forças que eram derrotadas ou derrotavam o inimigo, retirando-se em seguida, revelando grande incapacidade de ocupação, nada prestigiante para um exército que se queria dominante. Razão por que a ocupação do Sul de Angola iniciada em 1885 só foi terminada em 1915 pelas forças do General Pereira d´ Eça. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;A impressionante narrativa da batalha no Vale do Pembe (1904), que se revelou um desastre para&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_SFPLGdcHVyk/SjLsuJ4qKjI/AAAAAAAAAHw/Gj4R3BDiBR8/s1600-h/Sul_Angola_08.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 320px; FLOAT: right; HEIGHT: 226px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5346595985313901106" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_SFPLGdcHVyk/SjLsuJ4qKjI/AAAAAAAAAHw/Gj4R3BDiBR8/s320/Sul_Angola_08.jpg" /&gt;&lt;/a&gt; as tropas portuguesas é disso flagrante exemplo. Reuniram mais tarde trezentos esqueletos de soldados portugueses e auxiliares indígenas mortos nessa batalha, esqueletos que se encontravam espalhados pela zona de combate. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Impressionante o fim trágico do tenente António da Trindade que ferido numa perna e &lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_SFPLGdcHVyk/S8XuNbxYvgI/AAAAAAAAALI/MTOy-47VfC4/s1600/BENpan08.jpg"&gt;&lt;/a&gt;impossibilitado de correr foi abandonado à sua sorte pelos seus maqueiros que e&lt;span style="font-size:0;"&gt;&lt;/span&gt;m pânico fugiam diante da correria e gritaria dos cuamatos. O tenente António da Trindade foi apanhado e massacrado por estes.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Impressionante o patriotismo do capitão Roby, que regressava à Metrópole como herói, depois de ter combatido em Moçambique. O barco em que viajava fez escala em Moçâmedes e não continuou a viagem; ofereceu-se para combater no Sul de Angola onde viria a encontrar a morte nos confrontos com os cuanhamas. &lt;/p&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_SFPLGdcHVyk/SjWCOOySG4I/AAAAAAAAAIA/axn5NDRMq8A/s1600-h/Mossamedes-061-c.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 320px; FLOAT: left; HEIGHT: 210px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5347323313571109762" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_SFPLGdcHVyk/SjWCOOySG4I/AAAAAAAAAIA/axn5NDRMq8A/s320/Mossamedes-061-c.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;Os actos individuais até aí cometidos tinham a força e a liderança de Artur de Paiva, oficial do exército português pertencente ao Concelho Colonial da Humpata, casado com uma filha do patriarca boer Jacobus Friederick Botha da colónia agrícola de S. Januário constituída por boers fixados na Humpata e naturalizados portugueses, aliados de Artur de Paiva. Contava este oficial português com a combatividade da cavalaria boer da colónia de S. Januário comandada pelo heróico Willem Venter, (várias vezes ferido em combate), e de um grande guerreiro de origem zulu chamado Orlog ou Orlow, que se tornou no chefe incontestado de um grupo de guerreiros vachimbas, mucancalas e herreros. Orlog chegou à Humpata ainda criança e afeiçoou-se aos portugueses lutando sempre ao seu lado quando era solicitado, ou oferecendo-se para a guerra, mal pressentia acção. Era pago com o gado abandonado pelo inimigo conforme os serviços prestados. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_SFPLGdcHVyk/SjLg6fOuegI/AAAAAAAAAHo/3496UreVwnc/s1600-h/Sul_Angola_07.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 320px; FLOAT: right; HEIGHT: 242px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5346583003062499842" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_SFPLGdcHVyk/SjLg6fOuegI/AAAAAAAAAHo/3496UreVwnc/s320/Sul_Angola_07.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;Em 1914 a espionagem alemã acentuou-se nas áreas de Moçâmedes, a actual cidade do Namibe, e no planalto da Huíla, com a colaboração de noruegueses e holandeses residentes em Moçâmedes. Registe-se, que pretendiam comprar ao soba cuanhama Mandume, que fora educado nas missões alemãs, uma peça de artilharia tomada a uma força comandada pelo Sargento Francisco Pereira, desbarata entre o Evale e o Cafima. Na batalha de Mufilo a 21/7/1907, sob o comando do capitão Roçadas, as tropas portuguesas defrontaram vinte e cinco mil guerreiros que constituíam a tão temível Liga Ovampo, sete mil armados com espingardas. Compareceram guerreiros de toda a parte: Cuamatos, Cuanhamas, Cuambis, Ganguelas, Barantus e Bingas.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_SFPLGdcHVyk/SjLUJ4ulBwI/AAAAAAAAAHQ/EfTib2U2Ln0/s1600-h/Sul_Angola_06.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 320px; FLOAT: left; HEIGHT: 237px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5346568973953861378" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_SFPLGdcHVyk/SjLUJ4ulBwI/AAAAAAAAAHQ/EfTib2U2Ln0/s320/Sul_Angola_06.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;O ano de 1914 foi o ano em que a Alemanha concretizou o que durante anos preparara para África, atacou os postos fronteiriços portugueses de Naulila e Cuangar em Angola e Maziua em Moçambique. A consequente retirada do exército português e o abandono dos postos fronteiriços após o ataque ao posto de Naulila deixou ao abandono vasto território que prefazia 1/5 de toda Angola.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;1915. Desembarcou em Moçâmedes uma considerável força expedicionária portuguesa sob o comando do General Pereira d´Eça. Cumpria-lhe recuperar todo o território abandonado pelo exército português após o ataque alemão ao posto fronteiriço de Naulila, restaurar o prestígio de Portugal perante o gentio sublevado, fornecer aos governadores de distrito elementos para prontamente poderem sufocar qualquer rebelião e disponibilizar forças que fizessem face a qualquer nova investida alemã, vingando assim o que se passou a chamar "o desastre de Naulila".&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_SFPLGdcHVyk/SjLV7E0WAkI/AAAAAAAAAHY/eGEcqrUHZGg/s1600-h/Sul_Angola_11.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 320px; FLOAT: left; HEIGHT: 242px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5346570918524486210" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_SFPLGdcHVyk/SjLV7E0WAkI/AAAAAAAAAHY/eGEcqrUHZGg/s320/Sul_Angola_11.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;Moçâmedes tornou-se a base marítima das operações que se íam desenrolar a cerca de quinhentos kilómetros no interior, nas terras do Cuamato e do Cuanhama. Previa-se forte resistência dessas populações sublevadas, armadas e municiadas pelos alemães, sobretudo a Cuanhama, a tribo mais aguerrida de quantas havia em confronto, comandada pelo grande soba Mandume, um chefe duro e inflexível, um guerreiro, na verdadeira acepção da palavra, altivo e musculado, instruído nas missões protestantes alemãs, (dominava o alemão e o português), e em combate revelava-se um grande estratega militar à altura do seu adversário General Pereira d´Eça.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A população de Moçâmedes recebeu estes expedicionários como visitantes, solidária com o que se adivinhava no horizonte de suas vidas: angústias, perigos, cansaços, incertezas, medos e morte. (O exército alemão avançava na Europa e o inimigo agonizava à sua passagem. Portugal esperaria até ao ano de 1916 para entrar na primeira grande guerra mundial ao lado dos aliados contra a poderosa Alemanha.)&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 320px; FLOAT: right; HEIGHT: 207px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5346575495307978642" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_SFPLGdcHVyk/SjLaFeqj55I/AAAAAAAAAHg/PYjz8uDvOMY/s320/Avo_Antonio_Lubango_Janeiro_1915_small.jpg" /&gt;Bivacaram na pequena cidade de Moçâmedes dois Batalhões de Infantaria, quatro Baterias de Artilharia e Unidades de Metralhadoras. Outras forças se dispersaram pelo Capelongo, Chibia, Humpata, Lubango, etc.. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Um acontecimento veio alterar toda a estratégia até aí delineada pelo comando. Em Março de 1915, 50.000 homens do exército inglês da África do Sul, comandados pelo general Botha, invade o Sudoeste Africano obtendo a rendição do exército alemão. Fica no terreno somente as tribos sublevadas dispostas a vencer. Naulila jamais seria vingada. (consultar: &lt;a href="http://www.arqnet.pt/portal/portugal/grandeguerra/pgm_ang052.html"&gt;http://www.arqnet.pt/portal/portugal/grandeguerra/pgm_ang052.html&lt;/a&gt;)&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_SFPLGdcHVyk/SjOqGgdDJVI/AAAAAAAAAH4/I3UN2oQaLnQ/s1600-h/MoÃ§amedes-_Praia_da_Torre_do_Tombo.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 320px; FLOAT: left; HEIGHT: 201px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5346804211386623314" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_SFPLGdcHVyk/SjOqGgdDJVI/AAAAAAAAAH4/I3UN2oQaLnQ/s320/Mo%25C3%25A7amedes-_Praia_da_Torre_do_Tombo.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;Recordava a família Trindade, moradora no Bairro da Torre do Tombo, em Moçâmedes que, de entre os militares ali chegados, um lhes causou desde logo uma boa impressão. Era uma pessoa simpática, educada, humilde, de trato franco e aberto, que logo se afinizou com Trindade, de padrão comportamental idêntico, cuja componente religiosa seria o elo na construção de uma amizade verdadeiramente digna de nota. O seu nome não sairia mais das recordações daquela família. Chamava-se Flores, o senhor Flores da Póvoa do Varzim, como ficou conhecido. Considerava a família Trindade como a sua família de África. Não se sabe o posto, a arma ou a especialidade do senhor Flores, de quantas vezes esteve na frente, se viveu a incerteza &lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_SFPLGdcHVyk/SlOeNKATKfI/AAAAAAAAAIw/3T8WmxjA5oU/s1600-h/omboio+viveres+cuamata.jpg"&gt;&lt;/a&gt;de vitória da última batalha: a batalha da Môngua, quando as municões escasseavam e com elas a preciosa água e os víveres, ou as canseiras de centenas de quilómetros em marchas forçadas. (Mandume cortara-lhes o acesso à rectaguarda não permitindo os abastecimentos e intensificou o assédio de hordas de guerreiros ao quadrado português. Apercebendo-se da grave situação o oficial encarregado das comunições no Cunene organiza uma coluna de socorro, rompe o cerco e abastece as tropas.) &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O que se sabe do senhor Flores é que não mais deixou de estar reconhecido à família Trindade pelo apoio e solidariedade naqueles dias de incerteza em África. Após a batalha da Môngua, que ditou a vitória dos portugueses, e após a consolidação da paz na região, Pereira d´Eça deu como finda a missão com que vinham incubidos e iniciaram o regresso à Metrópole. Todos os anos, pelo Natal, chegava notícias do senhor Flores num postal de Boas Festas remetidos da Póvoa do Varzim que a família Trindade guardava. O último foi recebido por volta de 1950, no ano em que Trindade fechou os olhos para sempre. &lt;em&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;(Créditos de imagem do blogue: &lt;a href="http://www.antigamente1900.blogspot.com/"&gt;http://www.antigamente1900.blogspot.com/&lt;/a&gt;, de Marco Oliveira)&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;strong&gt;VIAGENS E "REENCONTROS"&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1960. João Rodrigues Trindade Júnior pegou num dos postais de Boas Festas endereçado da Póvoa do Varzim pelo senhor Flores e incluíu-o na sua bagagem. Visitar a Metrópole, conhecer as paisagens do norte e do centro do País, tão propaladas pelos seus emigrantes, as praias turísticas do Algarve, os Jerónimos, a Batalha, os castelos e monumentos espalhados por todo o Portugal e referenciados nos livros escolares, Lisboa, a capital, visitar e descobrir recantos da terra de pais e avós, era o sonho de gerações de portugueses que tiveram como berço o ex-Ultramar Português, e que Trindade Júnior e Margarida Trindade íam transformar em realidade. &lt;/p&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_SFPLGdcHVyk/SvK7tBwkE5I/AAAAAAAAAKQ/pC5K8fszXHQ/s1600-h/FTrindade.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 243px; FLOAT: left; HEIGHT: 320px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5400585285411279762" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_SFPLGdcHVyk/SvK7tBwkE5I/AAAAAAAAAKQ/pC5K8fszXHQ/s320/FTrindade.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;Quando o sr. Flores chegou a Moçâmedes como expedicionário em 1915 Trindade Júnior não era ainda nascido. Os seus pais, João Rodrigues Trindade e Lucinda Ferreira Trindade, viviam na Torre do Tombo numa casa de &lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_SFPLGdcHVyk/SjLAKAnviCI/AAAAAAAAAGw/aksUPHfJ06Y/s1600-h/Casa+Lumelino+Trindade+T+TOMBO.jpg"&gt;&lt;/a&gt;madeira. O agregado familiar era então constituído pelos pais e pelas duas irmãs mais velhas, a Leovegilda e a Zenóbia, respectivamente de nove e sete anos, que conheceram o senhor Flores como convidado de seus pais. A família tinha a vida organizada à volta de um barco de pesca, de uma quitanda (mini mercado, aberto num anexo da casa), e de &lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_SFPLGdcHVyk/SmQrbrulv8I/AAAAAAAAAJ4/SffYg1UgKFw/s1600-h/Casa+LumelinoTTT.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 320px; FLOAT: left; HEIGHT: 214px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5360457211072331714" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_SFPLGdcHVyk/SmQrbrulv8I/AAAAAAAAAJ4/SffYg1UgKFw/s320/Casa+LumelinoTTT.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;uma "escolinha" que funcionava na sala de entrada. Depois nasceu ele (João) e o irmão mais novo o Lumelino. Cresceram a ouvir dos pais a notícia da chegada dos postais de Boas Festas que o senhor Flores remetia todos os anos pelo Natal da Póvoa do Varzim. Considerávam-no como um amigo ou familiar que as circunstâncias o faziam omniausente. A possibilidade de o conhecer apresentou-se nesse ano de 1960 nessa viagem que estavam a planear. Não queria desperdiçar essa oportunidade. Duas dúvidas se sobrepunham: estaria ainda vivo? E se estivesse, onde estaria a morar?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;De facto criaram grandes expectativas e entusiasmo nessa viagem à Metrópole. Em Faro, a antiga Ossónoba romana, cidade milenar, hospedaram-se num hotel junto à doca. Descortinavam do hotel a monumental entrada de "Vila a Dentro", na muralha árabe, inaugurada em 1812 com a imagem de S.Tomás de Aquino no nicho. Mandada construir pelo bispo D. Francisco Gomes do Avelar é encimada por um sino e por uma pequena capela dedicada às Festas da Nossa Senhora do Ó, que se realizavam nos quinze dias que antecediam o Natal e eram marcadas por umas antífonas começadas pela letra O. A parte frontal dessa capelinha só é vista pelo lado de dentro da muralha se olharmos para o seu topo. Perdeu-se a tradição mas ficou a memória da devoção das populações marítimas e suas famílias a esta santa, populações devotadas aos santos e à sua protecção. O obelisco à frente do hotel é uma homenagem ao Capitão de Mar e Guerra e Ministro da Marinha, Ferreira de Almeida, natural de Faro, que aboliu as varadas e outros castigos deprimentes infligidos aos escravos. Faro era a cidade natal do seu bisavô paterno António Rodrigues da Trindade. Fez carreira militar na Infantaria 15 em Lagos. Casou com Rosa Angélica do Carmo, natural desta cidade. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;Olhão não foi esquecida, era a cidade natal do seu pai.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Em Lagos, no Algarve, descobriu os recantos históricos da Lacóbriga romana, cidade onde morou o Infante D. Henrique, o Navegador, grande figura dos Descobrimentos Portugueses e da História Universal. Lagos é a cidade natal do seu avô paterno João Rodrigues Trindade, nascido a 28 de Maio de 1855. Era o quarto filho do já 2º. sargento António Rodrigues da Trindade, natural de Faro, e de Rosa Angélica do Carmo, de Lagos, seus bisavós. Teve como padrinho de baptismo um dos notáveis da cidade: o Brigadeiro reformado e Governador da Praça Manuel Alexandrino Pereira da Silva. Cursou no Seminário, aceitando cumprir a vontade de sua mãe, profundamente religiosa. Fora-lhe oferecido um missal de grande valor no final do curso que infelizmente se perdeu numa fogueira da bubónica após a primeira grande guerra mundial. Naturalmente e como bom cristão reconheceu-se com pouca vocação para o celibato e logo após a sua mãe ter falecido acabou por desistir da carreira eclesiástica para se tornar alfaiate. Fixou-se em Olhão e casou com Anna da Conceição Galvão, uma jovem natural daquela vila. Era uma jovem com estudos pois era chamada a substituir o professor oficial sempre que este faltava. Em 20/5/1878 nascia o único rebento do casal, o seu pai, também chamado João Rodrigues Trindade, que emigrou ainda jovem para Moçâmedes, dedicando-se à pesca com o seu padrasto. Anna enviuvara e casara com Manuel Fernandes da Larga. Deixaram descendência em Moçâmedes: Leonilde, esposa do conhecido professor Marques, director da Escola de Portugal, e Ivone, esposa do guarda-livros (contabilista) sr. Serra. À Torre do Tombo chegavam ecos de vozes preocupadas. Umas tias-avós, irmâs de seu avô, lamentavam a sua avó Anica (Anna) de "ter posto o João (pai) a trabalhar no mar". Profissão sem tradição na familia e considerada de grande risco. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Em direcção ao norte, Lisboa e o Largo Camões na freguesia de Santa Catarina naturalidade do seu avô materno Agostinho Ferreira que casou com Catarina, natural de Olhão e criaram vasta prole no bairro da Torre do Tombo em Moçâmedes. Desta descendência vamos encontrar a muito celebrada Raínha da Beleza de Moçâmedes, Riquita Bauleth, miss Portugal 1971, (trineta), figura muito querida dos moçamedenses que todos recordam com muito carinho. (Breve genealogia: h&lt;a href="http://www.mossamedes-do-antigamente.blogspot.com/2007/11/blog-post.html"&gt;ttp://www.mossamedes-do-antigamente.blogspot.com/2007/11/blog-post.html&lt;/a&gt; - Rodrigues Trindade. Riquita é neta de António Pedro Bauleth e Celmira Bauleth). Decorria a primeira grande guerra mundial quando sua mãe Lucinda veio à Metrópole com a saúde debilitada. Viajou acompanhada pela sua irmã mais velha Leovegilda e ficaram alojadas em casa de familiares no Largo Camões. Leovegilda recordava os Armazéns Grandela e os rebuçados que lá comprava quando fazia os recados familiares: «davam sempre uns tostões a mais para rebuçados» - dizia. Nessa época as viagens para a Metrópole eram extremamente arriscadas devido à ameaça que constituia a presença de submarinos alemães que patrulhavam o Atlântico. Tiveram a protecção de um caça-minas da Marinha de Guerra Portuguesa.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Pararam na Póvoa do Varzim, como estava programado. Hospedaram-se num hotel para prevenir uma eventual demora e puseram-se a caminho da morada do senhor Flores. Um táxi fez o percurso até à morada, inscrita no postal que o sr. Flores enviara dez anos antes. A porta entreabriu-se e o cabelo grisalho de um homem septuagenário surgiu na ombreira. «Vimos de África, de Moçâmedes, e procuramos um senhor chamado Flores» «sou o filho do Trindade da Torre do Tombo», disse. A emoção embargou a voz do sr. Flores, o abraço foi longo e apertado. Ofereceu hospedagem em sua casa insistindo para que fossem ao hotel buscar as malas. «A porta da minha casa está sempre aberta aos filhos do Trindade», dissera. Aquele abraço tivera a emoção sentida de um reencontro, do "reencontro" de dois verdadeiros amigos que 44 anos antes haviam construído uma amizade nas incertezas de uma guerra. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Leovegilda, que conheceu o senhor Flores aos nove anos, casou com Serafim dos Santos Frota, nascido também na Torre do Tombo. Quis preservar na família este magnífico "hino" de louvor à amizade, à fraternidade e à solidariedade, transmitindo-o aos seus seis filhos: Branca, Madalena, Mariete, Serafim, Walter e Cláudio. Em 1964 Walter veio a Portugal cumprir o serviço militar na Força Aérea. Viajou à Póvoa do Varzim para conhecer o senhor Flores que relatou os anos inesquecíveis de 1915 e 1916, a forma amiga e fraterna como foi recebido pelos Trindade da Torre do Tombo, avós do Walter, forma amiga e fraterna que ajudou a mitigar ausências e saudades, e do sentimento de gratidão por aquela amizade, que apesar da distância, perdurou no tempo. &lt;span style="color:#000099;"&gt;&lt;em&gt;(créditos de imagem: &lt;/em&gt;&lt;a href="http://www.princesa-do-namibe.blogspot.com/"&gt;&lt;em&gt;http://www.princesa-do-namibe.blogspot.com/&lt;/em&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt;)&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;strong&gt;NOTAS FINAIS&lt;/strong&gt;:&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_SFPLGdcHVyk/Smn5EBplmfI/AAAAAAAAAKA/D29UTVJQrjo/s1600-h/Cuamatos+1.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 320px; FLOAT: left; HEIGHT: 238px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5362090678918945266" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_SFPLGdcHVyk/Smn5EBplmfI/AAAAAAAAAKA/D29UTVJQrjo/s320/Cuamatos+1.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;Orlog ou Orlow começou a combater em 1890 nas campanhas do Bié. Sobreviveu a muitas batalhas. Quem desobedecia tinha como "prémio" uma bala, era imediatamente morto. Mas o inimigo também se preparara para a guerra e numa acção de reconhecimento no Cuamato os vachimbas foram fortemente dizimados. A retirada impôs-se como única salvação em frente da massa aguerrida dos Cuamatos. E nessa retirada precipitada foi Orlog quem salvou a vida a Bartolomeu de Paiva, que tombara no chão com a sua montada. Bartolomeu de Paiva era filho primogénito de Artur de Paiva. Roçadas manifesta por este valente auxiliar uma decidida predilecção, lamentando que nos intervalos das campanhas fosse posto em condições de ter de roubar para viver. Orlog foi posto à margem. Tornara-se um indesejável. A sua cabeça andava a preço e viu-se na necessidade de passar o Cunene. Os anos foram passando inexoravelmente sobre a sua cabeça e a cada momento chegavam os seus mais vivos protestos de lealdade e arrependimento e os pedidos de fixação em território português. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_SFPLGdcHVyk/SmQnQfZ0LKI/AAAAAAAAAJw/Simu7k9pgec/s1600-h/Sul_Angola_10.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 320px; FLOAT: left; HEIGHT: 231px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5360452620738899106" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_SFPLGdcHVyk/SmQnQfZ0LKI/AAAAAAAAAJw/Simu7k9pgec/s320/Sul_Angola_10.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;Os boers partiram do Transval em 1876 em 400 carros boers pejados de gente. Não se resignavam aos vexames dos ingleses. À moda bíblica andaram cinco anos pelo deserto. Um deserto de sede. À luz das fogueiras elevavam as suas preces a Deus, louvavam a sua bondade e solicitavam a sua protecção e coragem, e uma Terra de Promissão. Quantos não sucumbiram à sede e às febres. Chegaram-lhes notícias de que na outra margem do Cunene existiam brancos. Era gente do agricultor e comerciante António José de Almeida que negociava na outra margem do rio. Animados de esperança fizeram os contactos com as autoridades portuguesas para se estabelecerem no planalto, regiões de muitas águas e boas terras. Instalaram-se nos baldios da Humpata, onde existiam somente dois portugueses estabelecidos. Constituíram a colónia de S. Januário. Em 23 de Dezembro de 1882 eram naturalizados portugueses e à sombra da nova bandeira íam lutar na guerra que se avizinhava.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Willen Venter era então um jovem de quinze anos. Anos mais tarde à frente da cavalaria boer enfrentou o inimigo em muitas batalhas. Foi várias vezes ferido em combate e foi condecorado pelo governo português. Mas em 1927 viu a grande maioria do seu povo abandonar as terras da Humpata em direcção à Dâmara. Um êxodo patrocinado pelo governo Sul-Africano. Willem Venter ficou. Em 1938, quando da visita do Presidente da República Portuguesa, General Óscar Fragoso Carmona a Moçâmedes, lá estava o septuagenário Willen Venter, (tinha um perfil alto e seco como o deserto que enfrentara), no seu garbo de cavaleiro, de medalhas ao peito e de Torre e Espada entre os heróis do Cuamato. Faleceu na sua &lt;em&gt;farm&lt;/em&gt; na Palanca em idade muito avançada. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;João Rodrigues Trindade possuía um terreno de "concessão régia" na Torre do Tombo e um lugar honroso no Grémio dos Industriais de Pesca do Distrito de Moçâmedes. A sua foto constava numa galeria de nomes com uma legenda: 46 anos de pesca. Figuravam na mesma galeria: Manuel Nunes de Carvalho, com 52 anos de pesca, António Mestre, com 40 anos de pesca, João Gonçalves Bento e Joaquim Bento, com 47 anos de pesca, Domingos Martins Nunes, com 46 anos de pesca, Tomás Ribeiro, com 52 anos de pesca, António Santos Paulo, com 39 anos de pesca, António Viegas Seixal, com 48 anos de pesca e Manuel Baptista Lisboa, com 44 anos de pesca. Quantos ainda poderiam enriquecer esta galeria de nomes? Muitos outros, concerteza. (Do livro "Caíques do Algarve no Sul de Angola" do historiador olhanense Dr. Alberto Iria)&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Trindade Júnior demorou-se na Metrópole cerca de um mês. Após regresso retomou a sua actividade profissional de ajudante de despachante na conceituada "banca" de Raúl Radich Júnior. Como nos anos transactos os tempos livres dividia-os entre a família e o Sport Moçâmedes e Benfica. Esteve desde a primeira hora com os fundadores do clube em 1936. Os fundadores do clube eram ex-atletas do Ginásio Club da Torre do Tombo em colisão com a sua direcção. Considerados como rebeldes por aqueles que se mantinham fiéis à direcção e à camisola, eram "mimoseados" com um provérbio muito utilizado pelos homens do mar quando nos encontros ocasionais ou de circunstância se apresentavam na sede do seu antigo clube: "gaivotas em terra, tempestade no mar", numa clara alusão à sua rebeldia, contava Trindade Júnior. Ainda jovem, sentou-se no banco de suplentes no primeiro encontro de futebol que o Sport Moçâmedes e Benfica (ao tempo Sport Lisboa e Moçâmedes) realizou, e nunca mais parou. Foi atleta, treinador de futebol, seccionista, apoiante ou simples acompanhante. Integrou elencos directivos. Respeitado e respeitador cultivou relações de amizade com dirigentes dos restantes clubes da Terra, a saber: o Ginásio Club da Torre do Tombo, o Atlético Club de Moçâmedes e o Sporting Club de Moçâmedes, entre outros. Foi por fim o seu Presidente, o seu último presidente, reeleito em vários mandatos sucessivos durante cerca de quinze anos. Como empresário foi o último proprietário da &lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_SFPLGdcHVyk/SkNJ7rRvyfI/AAAAAAAAAII/_JFHLI3Y2Jk/s1600-h/Campo+Benfica++MÃƒÂ¡rio+1.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 320px; FLOAT: left; HEIGHT: 207px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5351202071824550386" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_SFPLGdcHVyk/SkNJ7rRvyfI/AAAAAAAAAII/_JFHLI3Y2Jk/s320/Campo%252BBenfica%252B%252BM%25C3%2583%25C2%25A1rio%252B1.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;conhecida Drogaria Nova, (casa fundada por Augusto Lopes Rosa), em sociedade com Artur Pinho Gomes, seu amigo e benfiquista de sete costados. (Na foto vemos dirigentes do Sport Moçâmedes e Benfica a cumprimentarem o Governador Geral de Angola Horácio Sá Viana Rebelo: Trindade Júnior, de óculos, João Maurício, Luís de Sousa Simâo e Mário António Guedes da Silva, a apertar a mão do governador. Foto tirada em 13/3/1959). &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;&lt;em&gt;(Para consulta, recomenda-se a obra de António A. M. Cristão "MEMÓRIAS DE ANGRA DO NEGRO", capítulo II - 6 DESPORTO, por Mário António Guedes da Silva.)&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_SFPLGdcHVyk/SlOcP3GsQBI/AAAAAAAAAIo/jzin47HV0Xo/s1600-h/Campo+SMB2006.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 320px; FLOAT: left; HEIGHT: 240px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5355796178177638418" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_SFPLGdcHVyk/SlOcP3GsQBI/AAAAAAAAAIo/jzin47HV0Xo/s320/Campo%2BSMB2006.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;Em 10/1/1976 foi divulgada a notícia de novos confrontos militares entre as forças que se digladeavam no terreno pelo poder em Angola, e após uma comunicação transmitida aos microfones do Rádio Clube de Moçâmedes, dirigida a toda a população da cidade, população já bastante reduzida apanhada numa guerra fraticida sem precedentes e em fuga para a Metrópole, abandonou o seu escritório no Largo dos Táxis, (já não havia táxis), onde exercia as funcões de ajudante de despachante, agora como colaborador do despachante oficial Mário Rogério da Silva após o falecimento de Raúl Radich Júnior, e dirigiu-se apressadamente a casa. Arrumou a primeira mala que encontrou, pois não podia perder mais tempo, e dirigiu-se a toda a velocidade ao cais comercial onde estava &lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_SFPLGdcHVyk/S8XuNbxYvgI/AAAAAAAAALI/MTOy-47VfC4/s1600/BENpan08.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 320px; FLOAT: left; HEIGHT: 79px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5460032037817204226" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_SFPLGdcHVyk/S8XuNbxYvgI/AAAAAAAAALI/MTOy-47VfC4/s320/BENpan08.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;acostado o navio de carga grego Silver Sky. De caminho, um breve e último olhar ao magnífico campo de jogos do clube, a menina dos seus olhos, e por que não a menina dos olhos de todos os desportistas da cidade, implantado além do perímetro da cidade, circundado pelas repousantes areias do deserto que no seu milenar silêncio foi assistindo ao longo de anos ao seu crescimento, as fases que o tornaria num projecto concretizado, orgulho dos seus promotores, do clube e da cidade pela sua dimensão. A sua grandeza é notada logo à entrada nos amplos espaços dos acessos. As bancadas, construídas em toda à volta do recinto, comporta uma lotação que excede os três mil lugares sentados, (faltando por construir o projectado edifício/sede agregado ao campo e a concretização de um projecto de cobertura), e lá de longe, do navio grego Silver Sky, a navegar para o porto da Namíbia, Walvis Bay, acompanhado pelo seu sobrinho Walter e pelo seu sobrinho-neto Eduardo Manuel e mais 1600 refugiados, viu sumir no horizonte e para sempre a sua cidade, e com ela aquele símbolo de pertinácia, que muito dignifica o estóico e já histórico dirigismo desportivo moçamedense. Era o ano quarenta da fundação do clube do seu coração e o ano quarenta de uma forte dedicação pessoal à causa desportiva. Alguns dos nomes sonantes do futebol português, com destaque para o valoroso Peyroteo, um dos cinco violinos do Sporting Club de Portugal, iniciado no Atlético Club de Moçâmedes, os atletas das equipas de hockey em patins do Atlético Club de Moçâmedes, sete vezes campeãs de Angola, equipas que ombreavam com as melhores nacionais nas épocas em que Portugal dividia com a Espanha os títulos mundiais, os atletas da equipa de basquetebol do Atlético Club de Moçâmedes, uma vez campeã de Angola na classe junior, para além de basquetebolistas juvenis, (classe etária dos treze aos quinze anos), campeões nacionais da Mocidade Portuguesa em 1965, atletas escolhidos nas escolas dos clubes da cidade, cuja final se jogou em Lisboa e o resultado disputado até aos derradeiros segundos de jogo, (perfilaram: Helder Canhoto, Custódio Teixeira, Totta, Jorge Cruz, Pinto, Carlos, Elísio "treinador", Cecílio Moreira "dirigente"), devem algo a esta casta de dirigentes que souberam levar à prática desportiva a grande massa da juventude moçamedense. Em Porto Alexandre, a actual cidade de Tômbua, era o Independente Sport Club que nos últimos anos de colonização rivalizava em futebol sénior com as melhores equipas provinciais, chegando a ser tri-campeão de Angola nos anos 1969/70/71, perdendo o tetra para uma equipa do Moxico reforçada com atletas metropolitanos de alta craveira, com evidência para Seninho, do F.C. do Porto e da selecção nacional, e Xico Gordo, ponta de lança do Sporting Club de Braga, a cumprirem o serviço militar na Zona Leste de Angola. Atletas moçamedenses fizeram parte de valorosas equipas em outras partes da então Província de Angola. Pelos títulos conquistados sobressaem Carla Frota e Carolina Frota, filhas de Álvaro dos Santos Frota e Beatriz de Almeida Frota a vingaram no basquetebol huilano pelo Sport Lubango e Benfica. Trazem na bagagem o amor pelo basquetebol e o título de campeãs de Angola conquistado por diversas vezes e registe--se o de campeãs nacionais nas épocas de 1961 e 1962. Tal como Moçâmedes, a Huíla primou pelos seus atletas e dirigentes desportivos. Em 1963, e já sem a participação destas duas irmãs moçamedenses, foi realizado o feito mais brilhante desta equipa no plano internacional: a conquista do vice (2º) lugar no Campeonato Europeu, troféu máximo do historial do clube, ora divulgado, numa final disputada em Praga, na Checoslováquia, frente ao papão Real Madrid, para além de a equipa ter sido vencedora em diversos Torneios Internacionais. Nomes como Carla Frota, Carolina Frota, as huilanas Ernestina Coimbra, Paula Peyroteo, Regina Peyroteu, São Peyroteo, Guiomar, Elisabeth Freitas, Manuela Magalhães, Idalina Magalhães, Olívia Magalhães, Anália Lemos, Luísa Farinha, entre outras, tornaram-se conhecidos expoentes no panorama do basquetebol lusitano. Pode-se afirmar que Moçâmedes não foi somente e apenas feliz no seu desenvolvimento económico, social e cultural, apesar de algumas crises terem feito tombar gigantes, desenvolveu-se outrossim no campo desportivo, com as gerações da continuidade. Uma continuidade à altura dos seus primeiros, os lídimos &lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_SFPLGdcHVyk/Sm1c9mXQ_NI/AAAAAAAAAKI/R6osfJkQTm8/s1600-h/10.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 320px; FLOAT: left; HEIGHT: 229px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5363044944608034002" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_SFPLGdcHVyk/Sm1c9mXQ_NI/AAAAAAAAAKI/R6osfJkQTm8/s320/10.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;continuadores de sagas. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Nesta foto de 1946 vemos o torretombense, ex-atleta e Presidente do Ginásio Club da Torre do Tombo, Mário dos Santos Frota a discursar num evento perante as autoridades locais. Relacionava-se com a cerimónia do lançamento à água de uma guiga, barco de regatas a remos construído nos estaleiros de Óscar de Almeida, (imagem do blog de Nídia Jardim &lt;a href="http://www.princesa-do-namibe.blogspot.com/"&gt;http://www.princesa-do-namibe.blogspot.com/&lt;/a&gt;), um dos fundadores do club e seu cunhado, casado com Silvéria dos Santos Frota. Presentes, entre outros torretombenses "pratas da casa", José dos Santos Frota, (ex-atleta de referência), e Álvaro dos Santos Frota, ambos irmãos do primeiro. (São os que estão de óculos escuros). Os dirigentes desportivos puderam contar com os comerciantes e industriais do então distrito de Moçâmedes. Os seus subsídios, quer em dinheiro ou materiais de construção, foram de extrema utilidade na prossecução de projectos em conjunto com os subsídios que se obtinham do Estado. Desta forma puderam os clubes construir infraestruturas próprias, dentro do que era regulamentar, não só para servirem o desenvolvimento autónomo das suas actividades desportivas, mas, também, para as disponibilizar para os jogos no âmbito do calendário oficial. Quanto bairrismo vibrante não foi derramado naquelas "Catedrais do Hóckey em Patins" que só a elevada craveira de um Arménio Jardim, Rui Mangericão, Rui Sampaio, Quim Guedes, Carlitos Guedes, Álvaro Ascenso, Briguidé e os mais novos Orlando Santos (Camona), Carlos Brazão, Mário Graúna, Laurindo Couto, Laurentino Jardim (Tininho), Eloy Craveiro, Carlos Chalupa, estes mais novos fazendo parte da "equipa maravilha" do Atlético Club de Moçâmedes, podia motivar! As luzes daqueles velhos estádios continuam acesas ao serviço do desporto e da juventude do Namibe. Inevitavelmente, porém, alguém procurará, um dia, ir ao encontro da história e levar a esse presente e ao futuro todo um manancial de boas e gloriosas recordações dos saudosos primeiros anos de vida desses mesmos velhos estádios. Os subsídios já estão a acontecer.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;&lt;em&gt;(consultar: &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.memoriasdesportivas.blogspot.com/"&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;&lt;em&gt;www.memoriasdesportivas.blogspot.com&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;, de Nídia Jardim&lt;em&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;)&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Em Portugal, Trindade Júnior reviu a descendência do sr. Flores, que falecera havia alguns anos. Recomeçou a mesma actividade profissional com o seu amigo algarvio, o despachante oficial António Cavaco, que exercera a profissão em Moçâmedes e depois com escritórios em Algés, e foi comerciante; o Estádio da Luz recebia mais um benfiquista anónimo e discreto nas suas bancadas; trazia quarenta anos de dedicação e serviços prestados a uma outra "águia" que nasceu e se criara num deserto em África e por lá esvoaçara nos mesmos quarenta anos. Silenciou o passado, as coisas que realizara, os avultados bens que lá deixara. Reencontrou amigos, fixou-se em Parede na linha de Cascais onde viria a falecer octogenário.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#000066;"&gt;(Agradeço ao meu amigo Telmo Ascenso a foto do Arco do Carvalhão e as do campo de jogos do Sport Moçâmedes e Benfica e à minha amiga e parente Nídia Jardim a cedência da foto da minha ascendência materna: a família Trindade e da casa de madeira onde moraram). (Um agradecimento a António Gama pelos dados biográficos de Willem Venter e Orlog, o zulu, e ainda pelo relato do que foi a odisseia dos boers da colónia de S. Januário chefiados pelo Patriarca Jacobus Friederick Botha, que sintetizei.)&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24997630-79166250731225232?l=memoriaseraizes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://memoriaseraizes.blogspot.com/feeds/79166250731225232/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24997630&amp;postID=79166250731225232&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24997630/posts/default/79166250731225232'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24997630/posts/default/79166250731225232'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://memoriaseraizes.blogspot.com/2009/05/em-memoria-de-uma-amizade-incomum.html' title='EM MEMÓRIA DE UMA AMIZADE INCOMUM'/><author><name>Cláudio Frota</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12347804865419095178</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_SFPLGdcHVyk/SjLSrhkNG8I/AAAAAAAAAHI/-pXBeKiBI0I/s72-c/mossamedes_1890.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24997630.post-8426415198947869654</id><published>2008-06-14T12:24:00.416+01:00</published><updated>2010-10-12T15:06:41.703+01:00</updated><title type='text'>A  SAGA  DA  FAMÍLIA GOMES</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://bp1.blogger.com/_SFPLGdcHVyk/SGtkQUwfUkI/AAAAAAAAADA/yf5cQTnpDFA/s1600-h/Albg1.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; FLOAT: left; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5218374824851624514" border="0" alt="" src="http://bp1.blogger.com/_SFPLGdcHVyk/SGtkQUwfUkI/AAAAAAAAADA/yf5cQTnpDFA/s320/Albg1.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;A história da família Gomes pode parecer-nos uma aventura de pendor ficcionista destinada a povoar prateleiras de livrarias e fazer sonhar as mentes que se abrem ao encanto de um conto irreal e imaginativo. Ela é bem real e constitui por si só, uma odisseia de valor épico.&lt;br /&gt;Alberto Gomes abriu-se às recordações de um passado vivido em África, nas praias que percorreu localizadas a sul de Benguela, com relevância à "sua" Baía das Pipas, situada a quarenta kilómetros a norte da cidade do Namibe, no sul da República de Angola, num desfilar de acontecimentos por ele vividos ou transmitidos de geração em geração numa saga incrível, iniciada em Olhão no ano de 1860.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;ALBERTO GOMES, O LUCANGA (Duro e Invencível)&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Alberto Gomes foi uma figura incontornável da Baía das Pipas até ao ano de 1980, o ano em que o destin&lt;a href="http://bp3.blogger.com/_SFPLGdcHVyk/SFaa4S3Gj9I/AAAAAAAAAC4/Ai4FmeDM-8s/s1600-h/CarAlbG1.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; FLOAT: left; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5212523910654234578" border="0" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_SFPLGdcHVyk/SFaa4S3Gj9I/AAAAAAAAAC4/Ai4FmeDM-8s/s320/CarAlbG1.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;o o trouxe a Portugal por razões de saúde da sua filha Sara. A dificuldade em obter o visto que o levaria de regresso à Baía das Pipas, dificuldade essa motivada pelo recrudescer da guerra civil que se vivia naquele território do sul d´África, Angola, impôs-lhe a fixação definitiva em Quarteira quando contava 59 anos de idade, na companhia de sua companheira de sempre a D. Carolina Teixeira, sua esposa e mãe dos seus cinco filhos nascidos em África e avó de 28 netos. D. Carolina é descendente de madeirenses que povoaram o Vale do Lubango e que fundaram a grande cidade de Sá da Bandeira, a actual Lubango. O seu pai de nome José Teixeira, natural da Huíla, era conhecido por Zé &lt;em&gt;Cambuta&lt;/em&gt;, que quer dizer "homem baixo", (alcunha vinda de seu pai), desceu ao litoral moçamedense e fundou uma pescaria na praia do Baba, onde conheceu Alberto Gomes. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Adaptaram-se facilmente ao meio marítimo e turístico de Quarteira e à nova vida que então iniciaram. O mar de Quarteira passou a ser aquele que iria dar o sustento a si e à sua família, faltando somente as espécies exóticas que povoam os mares de África e os pesqueiros onde eram capturados, que Alberto Gomes conhecia em toda a extensão da costa do distrito de Moçâmedes.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_SFPLGdcHVyk/STgoQiQkPJI/AAAAAAAAAGQ/GRNtjWuD5vA/s1600-h/0715a.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 220px; FLOAT: left; HEIGHT: 150px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5276011228003843218" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_SFPLGdcHVyk/STgoQiQkPJI/AAAAAAAAAGQ/GRNtjWuD5vA/s320/0715a.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;De África ficou a saudade dos caminhos que percorreu e que constituiram a sua vida: Moçâmedes, a actual Namibe, Porto Alexandre, a actual Tômbua, Baía dos Tigres, Lucira, Baba, e tantas outras praias que relembra. Uma vida vivida com intensidade, onde dois continentes se encontraram num mesmo espaço: a África e a Europa a caminharem lado a lado no sentido do progresso.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_SFPLGdcHVyk/Skigs3G_T9I/AAAAAAAAAIg/SJRmdQozlH4/s1600-h/1010.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 220px; FLOAT: left; HEIGHT: 160px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5352704849697787858" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_SFPLGdcHVyk/Skigs3G_T9I/AAAAAAAAAIg/SJRmdQozlH4/s320/1010.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;A África e a Europa estão contidas no seu sangue e na sua forma de conviver. Com os trabalhadores da pescaria fundada por seu bisavô, aprendeu o dialecto umbundo do povo munano da região do Huambo e Caconda do centro de Angola, o dialecto dos cuanhamas, (povo que habita a região sul fronteira à Namíbia), o quimbundo de Luanda, e com os familiares e amigos africanos da Baía das Pipas, o dialecto do povo mucubal, do Giraúl de Cima, o chamamento da sua mãe África, na voz de sua mãe D. Virgínia, irmã do soba, a autoridade tradicional.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://bp2.blogger.com/_SFPLGdcHVyk/SGtlB-5if9I/AAAAAAAAADI/zkj-kjruWR8/s1600-h/Alberto+GomesRCM1.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; FLOAT: left; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5218375677977460690" border="0" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_SFPLGdcHVyk/SGtlB-5if9I/AAAAAAAAADI/zkj-kjruWR8/s320/Alberto+GomesRCM1.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;Os familiares e amigos de origem europeia visitavam-no regularmemte no seu "retiro" na Baía das Pipas, onde os esperava uma saborosa caldeirada de peixe à moda do pescador algarvio ou uma moqueca de mexilhão, confeccionados pelo próprio Alberto Gomes, iguarias que não dispensavam, terminando com serões musicais. Na música, a concertina de outros tempos e o acordeon de tempos mais próximos onde abrilhantou festas particulares ou em colectividades, tornando-o popular em todo o distrito. Conhecedor de caminhos, era o guia e o caçador atento nas caçadas e nos passeios pelo deserto.&lt;br /&gt;Possuidor de uma força física fora do vulgar, comparada à de Fernando Faquinha, este cerca de trinta anos mais velho e &lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_SFPLGdcHVyk/SK78G1CHRcI/AAAAAAAAAEY/K0Ezqiuq4z4/s1600-h/Pesc2.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; FLOAT: left; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5237400610923824578" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_SFPLGdcHVyk/SK78G1CHRcI/AAAAAAAAAEY/K0Ezqiuq4z4/s320/Pesc2.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;conhecido como "o Hércules de Moçâmedes", seu amigo e mestre de palhabote, mereceu o apelido de "Lucanga", "Duro e Invencível", posto pelos nativos, quando numa pescaria de sardinha em Porto Alexandre, enfrentou e derrubou um grupo de cuanhamas, em defesa do mestre e proprietário do barco, o seu familiar Manuel de Carvalho.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;(Fernando Faquinha "o Hércules de Moçâmedes" era descendente de João da Faquinha, referido mais adiante no texto. De um tio conta-se histórias de valentia nas viagens pelos portos do Mediterrâneo e um dos seus primos de nome João, sensivelmente da sua idade e morador em Olhão, "o algarvio mais forte do seu tempo". Este viajou às terras do Sul de Angola e por lá permaneceu durante um ano. Uma surpresa teve João quando regressou a Olhão: durante esse tempo de ausência, aconteceu surgir um novo pretendente à mão de sua noiva. Para resolver tal situação algo inesperada pensou utilizar medidas drásticas logo no primeiro encontro entre ambos: o pobre do pretendente viu-se agarrado pelos fundilhos das calças e lançado no meio da rua a esfregar um trazeiro dorido pelo impacto de algo parecido com um pontapé bem aplicado. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Por seu lado, Fernando, o Hércules de Moçâmedes, exibia-se, prendendo os pés na base do mastro do palhabote e içava a vela só com a força dos seus braços. Nota: para que essa operação fosse executada era necessário a força de quatro homens normais. Estas e outras demonstrações de grande poder físico fizeram-no ganhar o epíteto de "o homem mais forte do distrito de Moçâmedes" impondo-se ao longo dos anos a qualquer pretensão da concorrência a esse título.)&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Outro acontecimento em que fez valer a sua invulgar força física, foi quando da preparação do casamento de uma sua serviçal chamada Vitória, noiva de um individuo de Malange chamado Cassessa. O boi que o noivo ofereceu para a boda investiu contra os presentes, cabendo a Alberto Gomes dominá-lo, segurando-o pelos chifres, derrubando-o de seguida. Alberto Gomes possuía a força e a valentia do seu bisavô olhanense Domingos Gomes do Armazém. Figura extraordinária de barbas compridas e temido pelos mais valentes.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;O seu prestígio fê-lo regedor, a autoridade portuguesa naquela praia.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://bp2.blogger.com/_SFPLGdcHVyk/SGt6Rj1jbSI/AAAAAAAAADg/kzanefbOOyQ/s1600-h/albpBP1.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; FLOAT: left; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5218399035335077154" border="0" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_SFPLGdcHVyk/SGt6Rj1jbSI/AAAAAAAAADg/kzanefbOOyQ/s320/albpBP1.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;Aos sete anos já seguia os trabalhadores da pescaria nos seus afazeres. Fez-se aos remos das baleeiras da pesca à linha, remando trinta kilómetros por dia atrás da taínha até à foz do rio Giraúl, (On Gila Ul, significa "o caminho acabou" nome posto pelos mucubais quando ali chegaram), quinze kilómetros da ída e mais quinze da vinda, uma empreitada quotidiana dura, executada metro a metro. &lt;em&gt;(Na foto, casas de moradia. Alberto Gomes morou na que fica atrás da mulemba, árvore plantada pelo seu tio Domingos Gomes há cerca de 77 anos, uma espécie de figueira.) &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Apesar do trabalho braçal rude e violento aos remos das baleeiras e o descarregar cargas pesadíssimas que se impunha executar, (os barris de cimento chegavam a pesar 180 Kgs., confiando a si próprio a tarefa de os descarregar sozinho para que não caíssem e danificassem o casco de madeira das baleeiras), Alberto Gomes era conhecido essencialmente pela arte de bem &lt;a href="http://bp1.blogger.com/_SFPLGdcHVyk/SGuDJfD7jGI/AAAAAAAAADo/7-unp33UXY0/s1600-h/albpBP2.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; FLOAT: left; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5218408792218897506" border="0" alt="" src="http://bp1.blogger.com/_SFPLGdcHVyk/SGuDJfD7jGI/AAAAAAAAADo/7-unp33UXY0/s320/albpBP2.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;receber, pela simpatia &lt;a href="http://bp0.blogger.com/_SFPLGdcHVyk/SIXA7eKM8dI/AAAAAAAAAEI/T1dWsttMW0A/s1600-h/CF2326.jpg"&gt;&lt;/a&gt;que irradiava, pelas histórias que contava, em suma, por uma personalidade cativante e encantadora. Não perdeu esta forma de estar na vida e as qualidades que o tornaram popular e famoso em todo o distrito de Moçâmedes e na cidade vizinha de Sá da Bandeira, hoje Lubango. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;É hoje um homem tranquilo que se entretém a desenhar as artes e barcos do seu tempo de juventude há muito desaparecidos da paisagem &lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_SFPLGdcHVyk/SmCwOLRw-9I/AAAAAAAAAJo/yy1ZjR3dR5E/s1600-h/PDVD_418.jpg"&gt;&lt;/a&gt;marítima e que a história recolheu em memória, memória que se vai diluindo no tempo ano a ano mais ténue. Tem orgulho do seu passado, dos sítios onde viveu e ajudou a desenvolver e que contam retalhos da sua vida, desde a praia ignota da Baía dos Tigres, lá bem no sul com as suas histórias de coragem, de isolamento e clima agreste; da Baía das Pipas enfrentando &lt;em&gt;calemas&lt;/em&gt; (mar revolto) em manobras arriscadas aos remos das baleeiras; das cidades que viu crescer: Moçâmedes e Porto Alexandre, construídas sobre as areias do deserto do Namibe, (Namib, terra sem água no dialecto Nama do grupo étnico Khoi ou Hotentotes), a primeira, que se engrandeceu e se tornou na bela "Princesa do Namibe", a segunda, que se transformou num industrializado porto piscatório, o mais importante do território angolano, onde grangeou simpatias e amizades duradouras; saudades dos dias em que o trabalho era duro, totalmente físico, ganhando a admiração e o respeito de todos os companheiros pelo seu empenho e força física. Os seus desenhos são as marcas duma época de grandes esforços, de grandes sacrifícios, realizados por uma geração de pioneiros aguerridos e seus descendentes naquela parte de África onde nasceu, cresceu e se fez homem, num mar que o fez descobrir o ser e o estar.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_SFPLGdcHVyk/SSGnbLgSC6I/AAAAAAAAAGA/Yv19An4PujQ/s1600-h/CF2329.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 320px; FLOAT: left; HEIGHT: 240px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5269677124386687906" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_SFPLGdcHVyk/SSGnbLgSC6I/AAAAAAAAAGA/Yv19An4PujQ/s320/CF2329.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;Esses barcos e artes estiveram também presentes na costa quarteirense. São lembranças de uma população que se reviu nos desenhos de Alberto Gomes, e por isso, apreciados e elogiados por professores, alunos e visitantes quando anos atrás foram expostos numa escola de Quarteira. (Na gravura, o desenho de um palhabote). &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;E agora, com oitenta e sete anos de idade e com um sorriso nos lábios, conta-nos que tudo começou na Ria Formosa, nas águas tranquilas que banham a então Vila de Olhão da Restauração, no Algarve, nos longínquos anos de 1860, ao leme de uma "CATRAIA".&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;strong&gt;AO LEME DE UMA "CATRAIA"&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Decorria o ano de 1860, quando Domingos Gomes do Armazém, sua esposa Esperança do Rosário e João da Faquinha decidiram deixar Olhão e rumar a Moçâmedes, a actual cidade do Namibe no sul da República de Angola, na esteira dos primeiros colonizadores olhanenses que se fixaram naquelas paragens da então África portuguesa. Movidos pelas notícias de que naqueles mares se desenvolvia a indústria piscatória e que as espécies abundavam em toda a costa do distrito, de boas enseadas e baías, Domingos Gomes do Armazém apetrechou a sua "catraia" de pesca, levando também a primeira sacada (arte de pesca) que operou naquela zona de Angola. Alguém predestinara um melhor futuro em África e aconselharam que partissem. A sorte estava lançada. Íam enfrentar o mar naquele barquinho de vela latina triangular, com cerca de doze metros de comprimento e cerca de quinze toneladas de porão. Seria a maior aventura até então realizada pelos pescadores olhanenses com destino a Angola em barco à vela, não se conhecendo até hoje, outra que se iguale, dadas as condições em que foi realizada. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Esperança do Rosário estava num estado muito avançado de gravidez e teve o seu bebé a bordo já a sul de Marrocos. Puseram-lhe o nome de Teresa e era o primeiro filho do casal.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;A viagem prosseguiu para Moçâmedes numa sucessão de dias. Não se sabe quantos. Eram pescadores experimentados e provavelmente com traquejo nas viagens pelo Mediterrâneo e norte de África. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://bp3.blogger.com/_SFPLGdcHVyk/SHvY-_dvseI/AAAAAAAAAEA/CiwynIzsH-k/s1600-h/008.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; FLOAT: left; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5223006769565905378" border="0" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_SFPLGdcHVyk/SHvY-_dvseI/AAAAAAAAAEA/CiwynIzsH-k/s320/008.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;Aportaram Moçâmedes em data indeterminada e descobriram uma pequena vila implantada no areal do deserto do Namibe, guardada por uma fortaleza. A meio da rua principal, a mais próxima da praia, (Rua do Bonfim), o primeiro jardim público de Moçâmedes, o Jardim do Colono, com cerca, poço, elementos arbustivos, lago, doze bancos e a meio dele uma bomba elevatória, onde nas tardes de quintas feiras e domingos a população se entretinha em convívio, ao som da banda da guarnição militar ali aquartelada. Esse jardim foi construído no sítio onde foram montados os barracões de pau a pique, que alojaram os fundadores da vila, onze anos antes, os componentes da primeira colónia agrícola proveniente de Pernambuco, e onde, posteriormente, foi construído o Cine Teatro de Moçâmedes.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ao longo do rio Bero, (Sítio das Hortas, Cavaleiros, Boa Esperança, etc.) os arredores agrícolas com dezenas de propriedades. Conta-se 176 fogos na Vila e arredores, (34 em pedra, 116 em adobe, 26 de pau a pique e mais 31 cubatas de palha, reportamo-nos a um mapa de 1859).&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://bp2.blogger.com/_SFPLGdcHVyk/SHvXvABJzVI/AAAAAAAAAD4/qen7XiRdNsw/s1600-h/007.JPG"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; FLOAT: left; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5223005395324882258" border="0" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_SFPLGdcHVyk/SHvXvABJzVI/AAAAAAAAAD4/qen7XiRdNsw/s320/007.JPG" /&gt;&lt;/a&gt; Com uma população branca de mais de quinhentos habitantes, Moçâmedes, continuava na senda da produção do algodão e da cana de açúcar com resultados nem sempre satisfatórios.&lt;br /&gt;Esses colonos para além da agricultura dedicam-se também à pesca à linha em lanchas, escaleres e baleeiras, exercida por escravos. Produzem peixe seco e óleo de fígado de cação. O que se exportava era levado pelos barcos-correio do estado para Luanda, destinado aos armazens do almoxarifado, para ser comercializado, bem como outros produtos, como a cera, marfim e urzela. Cardoso Guimarães, olhanense, fundador da terceira feitoria em 1843, possuía também a sua propriedade agrícola, ainda antes da chegada destes colonizadores de Pernambuco e segundo o historiador Carlos Alberto Garcia, foi quem introduziu no distrito a produção do peixe seco, ensinando a arte da escalagem e secagem do peixe aos nativos. Esse pessoal foi aproveitado pelos colonos de Pernambuco que se lançaram, também, na sua produção e comércio. O restante da população era constituída pelos degredados, as famílias destes e a guarnição militar, alojados na fortaleza S. Fernando.&lt;br /&gt;Moçâmedes não dispunha de alojamentos que recebessem estes nautas, chegados sem aviso prévio.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_SFPLGdcHVyk/SOLJCKNuhTI/AAAAAAAAAF4/RyMrSSABBvM/s1600-h/Furnas3.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; FLOAT: left; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5251981154406270258" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_SFPLGdcHVyk/SOLJCKNuhTI/AAAAAAAAAF4/RyMrSSABBvM/s320/Furnas3.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;Não havendo alojamentos decidiram escavar uma gruta na rocha argilosa do morro da Torre do Tombo para servir de moradia familiar temporária. Já existiam outras, escavadas provavelmente por mariantes, corsários ou esclavagistas que ali aportavam para fazer aguada (reabastecerem-se) ou embarque de escravos, anos antes, deixando os seus nomes e datas da sua passagem gravadas na rocha branda. Daí o nome Torre do Tombo, nome do Arquivo Nacional Português. &lt;em&gt;(Vêr o post "&lt;strong&gt;Quando tudo era um areal")&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;Fizeram o reconhecimento da costa a norte da vila de Moçâmedes até à Lucira, e a sul até à Baía dos Tigres.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://bp1.blogger.com/_SFPLGdcHVyk/SGt5LO6oT6I/AAAAAAAAADY/eFHxVmJ4AMk/s1600-h/14Namibe%20provincia_Foz%20cunene30_03_2004b.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; FLOAT: left; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5218397827128381346" border="0" alt="" src="http://bp1.blogger.com/_SFPLGdcHVyk/SGt5LO6oT6I/AAAAAAAAADY/eFHxVmJ4AMk/s320/14Namibe%2520provincia_Foz%2520cunene30_03_2004b.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;A Baía dos Tigres não era habitada e não oferecia condições de permanência devido ao isolamento, ao clima agreste e a falta de água potável e solos que pudessem agricultar. O mar era dos mais generosos mas a paisagem era desoladora. O deserto é formado pela duna de areia fina que atinge mais de trezentos metros de altura, não se avistando qualquer ponto verde no horizonte. Os entendidos dizem que é o deserto com as dunas mais altas do mundo, o mais antigo com oitenta milhões de anos e com uma área de cinquenta mil kms.2.&lt;br /&gt;Ao passarem por Porto Alexandre poderiam ter encontrado pescarias de algarvios ali fixados antes de 1860, mas não há informação que sustente esta afirmação de Ralph Delgado. Existiram sim, duas pescarias, a de Luís Castelino e outra de José da Silva Nogueira, proprietários de Moçâmedes, cuja pesca era exercida por escravos, com actividade a partir de 1861. Com futuro incerto, retiraram-nas pouco depois, como nos conta o historiador Manuel Torres.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em Moçâmedes contaram dezoito pescarias localizadas ao longo da praia e nas praias ao norte da vila mais quatro: no Baba e na Baía das Pipas desde 1855, na Lucira desde 1856 e no Catara desde 1857.&lt;br /&gt;Na Torre do Tombo, na gruta que servia de moradia familiar nasceram dois dos quatro filhos do casal: Joaquim Gomes do Armazém (avô de Alberto Gomes, baptizado na Igreja de Santo Adrião no dia 10/06/1874) e Francisco Russo. A mais nova, a Assumpção, nasceu na Baía das Pipas.(Casou com João dos Reis, conhecido por João Baralhão, mestre de caíque).&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;a href="http://bp2.blogger.com/_SFPLGdcHVyk/SGt2CSksV5I/AAAAAAAAADQ/2cuHYwTADc8/s1600-h/Baia+das+Pipas.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; FLOAT: left; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5218394374956406674" border="0" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_SFPLGdcHVyk/SGt2CSksV5I/AAAAAAAAADQ/2cuHYwTADc8/s320/Baia%2Bdas%2BPipas.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;Por concessão régia fixaram-se na Baía das Pipas, onde se encontrava estabelecido com uma pescaria José João Paiva, proprietário de Moçâmedes que emprega três escaleres e vinte e quatro escravos, para fabrico de azeite de peixe, desde 1855. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Dedicaram-se à pesca à linha e ao fabrico de óleo de fígado de cação. Joaquim Gomes do Armazém, avô de Alberto Gomes sucedeu a seu pai na pescaria, passou depois para Joaquim do Espírito Santo Gomes, pai de Alberto, (que foi baptizado no dia 2/6/1895 e faleceu nonagenário), numa sucessão de herdeiros. Foi desactivada pelos anos 2000, por falta de mão de obra sob a gerência de um dos &lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_SFPLGdcHVyk/SK7_aB8ZEtI/AAAAAAAAAEo/PWF10J0kPek/s1600-h/Pesc1.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; FLOAT: left; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5237404239341884114" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_SFPLGdcHVyk/SK7_aB8ZEtI/AAAAAAAAAEo/PWF10J0kPek/s320/Pesc1.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;irmãos de Alberto Gomes, uma prole de onze irmãos: Beatriz casada com João Mendes dos Reis (endireita), Rosária, solteira, Alberto Gomes, Ângela, casada com Manuel Borda d´Água, Leontina casada com Benvindo Teixeira, Faustino casado com Lucinda Paulo, Ângelo casado com Rosária Ferreira, Mário, casado com Manuela Paiva, Ilda, casada com Cabral, Lourdes, casada com Álvaro Alves e Olávio, casado com Virgínia. Até essa data fora um dos primeiros marcos da colonização olhanense no sul de Angola, nas águas atlânticas que banham o litoral moçamedense, e talvez o último, com cerca de cento e trinta anos em permanente actividade, vividos por quatro gerações dedicadas à continuidade e ao futuro da pescaria familiar, uma teimosia de longevidade no abraço fraterno do povo mucubal. A Baía das Pipas foi porto de escala de caíques e palhabotes vindos do sul, de porto em porto, pescaria em pescaria, desde a Baía dos Tigres, a carregar o peixe seco com destino ao norte de Angola, Congo Francês, S. Tomé e Gabão, onde eram comercializados.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;O sertão foi também destino da prole numerosa da família Gomes. A criação de gado o modo de vida. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;A Baía das Pipas deve o seu nome a um acontecimento ocorrido em 1842 quando a Estação Naval Portuguesa mandou queimar grande número de pipas, destinadas a embarque em navio negreiro. O tráfego de escravos estava proibido por um acordo entre as potências europeias e procedeu-se em conformidade com o decreto de 10 de Dezembro de 1836, em cuja relação anexa figura os objectos que deviam considerar-se como indícios de tráfico de escravos, entre eles um excessivo número de pipas. Já o caíque "Flor de Maio" chegado a Moçâmedes em Janeiro de 1863 com uma leva de povoadores de Olhão foi interceptado por um navio inglês e fiscalizado, e a carta destinada à Alfândega de Moçâmedes, violada. Segundo o historiador Manuel Torres os ingleses abriram o corso ao navio negreiro. O estado de escravidão foi reconhecido pelas nações europeias como injusto e contra a moral cristã. A escravatura tinha os dias contados e teve o seu epílogo em 1869, ano em que foi abolida.&lt;/p&gt;Há relatos desses tempos em que os navios negreiros procuravam atrair os indígenas à praia com panos garridos estendidos no areal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Muitos dos pescadores olhanenses chegados a Moçâmedes fizeram da Baía das Pipas porto temporário de permanência. O povo mucubal guardou preferências por alguns deles no seu memorial de oralidade. Alberto Gomes é já um mito, uma lenda. Os Tendinhas por lá passaram também, e o canal por onde corre a água da chuva obteve um novo nome: a "&lt;em&gt;damba&lt;/em&gt;" do Tendinha. Possuíam uma armação à valenciana e salga e seca. Rumaram depois para Porto Alexandre, onde se fixaram e onde desenvolveram uma importante actividade industrial. Dedicaram-se também ao comércio de cabotagem com o caíque "Harmonia" de 53.40 m3 de arqueação, 18,93 mts. de comprimento de roda a roda, segundo indicações fornecidas pelo Delegado Marítimo ao Administrador da Alfândega local, em Agosto de 1887. O caíque Harmonia foi adquirido pela família Tendinha em leilão. Em 1912 quando atingiu a maioridade depois de completar 21 anos, assumiu-se como mestre Januário Tendinha, natural de Olhão e chegado ainda criança a Moçâmedes no vapor Cazengo, da Companhia Nacional de Navegação, em carreira regular para Angola. Casou com Felicidade dos Santos Frota, natural de Moçâmedes.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;(Livro: Caíques do Algarve no Sul de Angola do Dr. Alberto Iria).&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;(Sobre o vapor Cazengo consultar o blogue &lt;a href="http://www.naviosenavegadores.blogspot.com/"&gt;http://www.naviosenavegadores.blogspot.com/&lt;/a&gt;.)&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;O mar na Baía das Pipas era de &lt;em&gt;calemas&lt;/em&gt; e pouco convidativo a permanências muito prolongadas. Perderam-se vidas na agitação daquele mar.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Alfredo Felner, governador do distrito e notável historiador, conta-nos que após a chegada dos primeiros colonos de Olhão na barca D. Ana, desembarcaram mais dois grupos e depois mais outro, nesse ano de 1860. Não se conhece os nomes nem os barcos que os transportaram. Alberto Gomes desvenda-nos parte desse mistério. Com a pesca exercida por estes europeus do &lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_SFPLGdcHVyk/STf87R8olEI/AAAAAAAAAGI/aw7dozlsdEY/s1600-h/030.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 320px; FLOAT: left; HEIGHT: 213px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5275963583848027202" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_SFPLGdcHVyk/STf87R8olEI/AAAAAAAAAGI/aw7dozlsdEY/s320/030.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;Algarve no litoral moçamedense, antes e após a abolição da escravatura, as praias do distrito ganharam os bens de producão destinados à captura do peixe, a experiência nas técnicas de conservação do pescado, os barcos de abastecimento aos agregados populacionais isolados e dispersos pela costa (os dias do pão fresco) e o virtuosismo do trabalho profícuo do pescador humilde que se contenta com o que pode arranjar, mas que não perde de vista um futuro de melhores dias. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;Esperemos que as famílias moçamedenses que guardam histórias desses tempos memoráveis protagonizadas pelos seus ascendentes, tragam ao nosso conhecimento todo esse passado de viagens épicas, que fizeram dos olhanenses grandes navegadores e aventureiros no séc. XIX e importantes obreiros da indústria de pesca naquelas paragens do sul de Angola. (Na foto, o casal Bacharel, da empresa Angopeixe, Lda., habitantes da Baía das Pipas, junto às &lt;em&gt;tarimbas&lt;/em&gt; do peixe seco).&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Com 87 anos de idade Alberto Gomes aspira regressar à sua casa na Baía das Pipas. Tomar novamente conta da pescaria fundada por seu bisavô há cerca de 130 anos. Trabalhar no duro enquanto a saúde e as forças o permitirem. Sente que pode realizar este objectivo de vida, talvez acalentado pelas recordações de uma vida cheia de desafios que soube vencer, pela energia com que sempre enfrentou e superou dificuldades ou pela esperança que nunca chegou a perder. Vai voltar, um dia.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;em&gt;(Agradeço as fotos de Alberto Gomes e da Baía das Pipas ao meu paciente amigo Telmo Ascenso. A foto da vila de Moçâmedes, fortaleza e casal Bacharel a &lt;a href="http://www.princesa-do-namibe.blogspot.com/"&gt;http://www.princesa-do-namibe.blogspot.com/&lt;/a&gt;)&lt;/em&gt; &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;(Outro texto com o título O Alberto, sobre Alberto Gomes, encontra-se no blog:&lt;em&gt; &lt;a href="http://www.fgamorim.blogspot.com/2009/08/blog-post.html"&gt;www.fgamorim.blogspot.com/2009/08/blog-post.html&lt;/a&gt;,&lt;/em&gt; cujo autor, sr. Francisco G. Amorim se encontra no Brasil.)&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24997630-8426415198947869654?l=memoriaseraizes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://memoriaseraizes.blogspot.com/feeds/8426415198947869654/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24997630&amp;postID=8426415198947869654&amp;isPopup=true' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24997630/posts/default/8426415198947869654'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24997630/posts/default/8426415198947869654'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://memoriaseraizes.blogspot.com/2008/06/saga-da-famlia-gomes.html' title='A  SAGA  DA  FAMÍLIA GOMES'/><author><name>Cláudio Frota</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12347804865419095178</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp1.blogger.com/_SFPLGdcHVyk/SGtkQUwfUkI/AAAAAAAAADA/yf5cQTnpDFA/s72-c/Albg1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24997630.post-4914039158272391772</id><published>2007-07-27T18:16:00.192+01:00</published><updated>2011-09-18T07:46:33.753+01:00</updated><title type='text'>JANEIRO DE 1893-A GRANDE VIAGEM E MOÇÂMEDES, NOVO BERÇO FAMILIAR</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;a href="http://bp2.blogger.com/_SFPLGdcHVyk/RzNpSyi27sI/AAAAAAAAAAs/KFPCPIYhxcQ/s1600-h/imagem0002.JPG"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; FLOAT: left; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5130560172031667906" border="0" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_SFPLGdcHVyk/RzNpSyi27sI/AAAAAAAAAAs/KFPCPIYhxcQ/s320/imagem0002.JPG" /&gt;&lt;/a&gt; Foram inúmeras as viagens que os olhanenses fizeram para o sul de Angola. Serviram-se de canoas de pesca, de palhabotes de transporte e de caíques que eram utilizados na pesca e sobretudo no comércio marítimo. Os vapores, em carreiras regulares, levaram muitos povoadores na expectativa de um melhor futuro. Os barcos de pesca, as linhas de pesca, as redes e as diversas artes que existiam na época foram transportados pelos seus proprietários na certeza de melhores dias. Não fora a audácia dos pioneiros algarvios que ousaram transpor o mar e levantarem uma indústria na costa de Angola, a sul de Benguela, pouco se teria feito.&lt;br /&gt;Nas histórias que se contam não se procura enfeitar realidades ou enfatizar pormenores. Na paz serena do dever cumprido, as gerações mais velhas contam o que há para contar, entre reflexões e reflexões, sobre vidas consumidas na labuta diária árdua, em lugares remotos e em condições de vida difíceis de suportar; uns, em empresas criadas por empreendedores audaciosos; outros, em trabalhos por conta própria. O que era necessário fazer, fez-se. Os capitais foram surgindo no investimento em consequência das valias do progresso. As gerações seguintes encontraram os alicerces firmes de uma casa em construção; e quem constrói uma casa constrói a vida, algo de definitivo e seu, transforma o meio, usufruindo-o em cada dia numa progressão imparável, onde se constrói o futuro e se modela a alma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O barco que levou os meus avós em Janeiro de 1893 na grande viagem para África, bem podia ter sido o caíque Judith do mestre Sebastião dos Reis, pela coincidência de datas entre o dia do início das operações de cabotagem por aquele caíque na costa angolana, (24 de Fevereiro de 1893), com a época de chegada dos meus avós ao porto de Moçâmedes, cuja data se situa também na segunda quinzena desse mês e ano. Era um caíque modesto com 17,5 metros de comprimento e cerca de 40 tons. de porão.&lt;br /&gt;O que se sabe, na verdade, é que o barco da grande viagem dos meus avós para África, partiu do porto de Olhão, talvez do cais "bate estacas" junto à praça do peixe num dia de Janeiro de 1893. A bordo, íam três passageiros especiais para a família Santos e para a família Frota, todos eles naturais de Olhão: a Carolina de 21 anos de idade, o Manuel de 24 e o pequeno Manuel de 18 meses, filho de ambos. Navegaram 41 dias pelo Atlântico até aportarem Moçâmedes, a actual cidade do Namibe, no sul da República de Angola, onde desembarcaram. Contava a minha avó Carolina que as fraldas do seu pequeno Manuel secavam no mastro daquele barco e o dia de embarque fora uma despedida definitiva à sua terra natal, à família e aos amigos que ficaram. Deixaram, também, as regalias que o "Compromisso Marítimo" oferecia aos mariantes e pescadores da vila nele inscritos: o médico, a botica e as ajudas nas aflições. Levavam a esperança de uma nova vida em África, a promessa de um advir mais promissor por terras de Moçâmedes. Não se conta qualquer facto relevante passado durante a viagem. Chegaram simplesmente ao porto de destino, sem sobressaltos, numa viagem tranquila. A terra era estranha, pisada pela primeira vez por aquele jovem casal na flor da idade e com um filho pequenino nos braços. Reencontraram o seu meio social, conterrâneos que labutavam por aqueles mares há alguns anos, uns, instalados na vila, capital do distrito que proporcionava melhores condições de estar, outros, nas praias isoladas, beneficiando dos abastecimentos que "os dias do pão fresco" veio trazer: a água potável transportada de Moçâmedes em pipas, em substituição da água salobra das cacimbas, (poços), escavadas na areia, e o pão fresco, também levado de Moçâmedes, em substituição da mandioca cozida, e outros géneros necessários à vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PRIMEIRO DESTINO: A BAÍA DOS TIGRES&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#3333ff;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#3333ff;"&gt;(créditos de imagem: &lt;a href="http://www.mossamedes-do-antigamente.blogspot.com/"&gt;&lt;span style="color:#3366ff;"&gt;http://www&lt;em&gt;.mossamedes-do-antigamente.blogspot.com/&lt;/a&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;As memórias da minha avó Carolina indicam como&lt;a href="http://bp3.blogger.com/_SFPLGdcHVyk/RuGDSileoJI/AAAAAAAAAAM/J2_Xmh3VNQc/s1600-h/BaÃ&amp;shy;a%20dos%20Tigres%20-%20Igreja.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 0px 10px 10px; FLOAT: right; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5107507806959739026" border="0" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_SFPLGdcHVyk/RuGDSileoJI/AAAAAAAAAAM/J2_Xmh3VNQc/s320/Ba%25C3%25ADa%2520dos%2520Tigres%2520-%2520Igreja.jpg" /&gt;&lt;/a&gt; primeiro destino a Baía dos Tigres onde deviam ter encontrado, já instalada, a "armação à valenciana" pioneira de Manuel Joaquim Frota, meu bisavô, pai do meu avô Manuel, armação levada de Olhão para Moçâmedes em 1887 e fixada posteriormente na Baía dos Tigres, em data indeterminada. &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;"Trabalharam juntos, pai e filho", contava um familiar, rebuscando nas memórias palavras ditas e histórias vividas anteriores ao seu tempo.&lt;br /&gt;Contava a minha avó Carolina que conheceu a violência das garroas, o vento do deserto, que abria frestas na sua casa de madeira por onde entravam as areias das dunas, levadas por esse vento forte, trazendo desconforto ao pequeno Manuel, que sentia na camita as areias que se &lt;a href="http://bp2.blogger.com/_SFPLGdcHVyk/R2x2KNxsItI/AAAAAAAAACM/0jAh2q5Zt0w/s1600-h/mossa88.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 0px 10px 10px; FLOAT: right; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5146618392046478034" border="0" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_SFPLGdcHVyk/R2x2KNxsItI/AAAAAAAAACM/0jAh2q5Zt0w/s320/mossa88.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;depositavam. &lt;em&gt;&lt;span style="color:#3366ff;"&gt;(Na imagem: nuvem de areia levantada pelo vento da garroa) &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;A minha avó, vigilante, ía sacundindo as roupas de cama do seu bebé Manuel, contava. Àquela praia, quase na foz do rio Cunene, já chegara os "dias do pão fresco", assim chamados os dias de chegada dos barcos das carreiras regulares de abastecimento às populações isoladas e dispersas pela costa, e a minha avó encomendava o leite em pó, o pão fresco de Moçâmedes, a água potável que vinha em pipas, os frescos. Por vezes a água era insuficiente e a solução era escavar na areia até se encontrar a água salobra que era consumida como último recurso. Segundo alguns livros, nessa altura, a população branca reduzia-se a sete casais de olhanenses, ou nem tantos, e era uma praia onde não se vislumbrava um ponto verde. Não existia lenha para cozinhar, serviam-se das cabeças de peixe seco como combustível para o fogão e para o aquecimento nos dias de inverno. É curioso notar a existência de cães selvagens, eram de grande porte e com bastante pêlo, cuja raça foi estudada muitos anos mais tarde. Originária da Terra Nova, Canadá, dóceis, quando criados em cativeiro junto do homem e adaptados à circunstância de terem de sobreviver naquele deserto. "Eram talvez sobreviventes de algum naufrágio", dizem uns, ou "foram levados pelos holandeses que conquistaram Angola, aquando do domínio filipino", dizem outros. O que é certo é que esses cães selvagens mantinham uma luta heróica pela sobrevivência, lambendo a película de água doce que existe à superfície do mar e alimentando-se do peixe qu&lt;a href="http://bp0.blogger.com/_SFPLGdcHVyk/RuGSpyleoKI/AAAAAAAAAAU/q7CG3bLVCzs/s1600-h/BaÃƒÂ&amp;shy;a+dos+Tiges+5.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 0px 10px 10px; FLOAT: right; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5107524699066114210" border="0" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_SFPLGdcHVyk/RuGSpyleoKI/AAAAAAAAAAU/q7CG3bLVCzs/s320/Ba%25C3%2583%25C2%25ADa%252Bdos%252BTiges%252B5.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;e dava à costa, ou tentando abocanhar de surpresa os que nadavam perto, numa espera calculada.&lt;span style="color:#00cccc;"&gt; E&lt;em&gt;sta foto representa uma duna tigrada que deu origem ao topónimo "Baía dos Tigres", antes chamada "manga das areias" &lt;/em&gt;&lt;span style="color:#3333ff;"&gt;http://&lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.mossamedes-do-antigamente.blogspot.com/)"&gt;&lt;em&gt;www.mossamedes-do&lt;span style="color:#3333ff;"&gt;-&lt;/span&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;antigamente&lt;/span&gt;.blogspot.com/)&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; Os únicos animais selvagens que existem na zona. Não existem tigres. O nome, Baía dos Tigres, tem origem nas sombras projectadas nas dunas que mais parecem listas escuras semelhantes às listas que os tigres ostentam. Visão obtida do mar.&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;Decerto que o desencanto daquele lugar, o clima agreste bastante agressivo, a dificuldade de se obter o essencial para a subsistência familiar e o isolamento ter-lhes-íam provocado desilusões e ansiedades. A Baía dos Tigres não era a "Terra Prometida" que aquele jovem casal sonhara para realizar o seu futuro. &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;O segundo destino foi Porto Alexandre, hoje, cidade de Tômbua onde permaneceram alguns anos. Um familiar refere-se a uma "concessão régia", concedida ao meu avô ou ao meu bisavô, para instalar uma pescaria ou para construir uma casa. Anos mais tarde construíram uma escola nesse terreno. Porto Alexandre oferecia melhores condições de vida. A água potável chegava das margens do rio Curoca numa distância de cerca de vinte kilómetros. Era um rio seco mas facilmente se captava dos seus lençois subterrâneos a água potável necessária para abastecer uma população fixa já bastante numerosa de duzentos habitantes brancos e quatrocentos pretos. Havia também a água salobra das cacimbas (poços), que era consumida como último recurso, e os frescos chegavam mais amiúde por estar mais próximo as fontes de abastimento do povoado: as fazendas existentes nas margens do rio Bero na então Vila de Moçâmedes, hoje cidade do Namibe, e as fazendas das margens do rio Curoca que passaram também a produzir para o abastecimento da urbe em crescimento. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Os dois primeiros filhos nascidos em África, o Miguel e o José faleceram muito jovens. Foi uma época perturbada por esses acontecimentos que causaram grande sofrimento no seio da família e talvez por isso pouco mencionada. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Moçâmedes seria o destino definitivo do jovem casal.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;No refazer caminhos quando os testemunhos directos já não se encontram entre nós, torna-se difícil obter datas certas dos acontecimentos ocorridos. O conjunto da informação fornecida pelos familiares mais velhos vem confirmar que os meus avós estariam fixados na Praia Amélia nos primeiros anos do séc XX. A Praia Amélia (assim chamada por ter sido aquela praia o local onde se afundou a escuna da marinha de guerra portuguesa "Amélia"), dista seis kms. do Bairro da Torre do Tombo, onde o pequeno Manuel dos Santos Frota, já adolescente, se inicia nos trabalhos da pesca com o seu pai. Namora a sua futura esposa Alda Ilha, (a tia Ada dos meus quatro anos), que vivia na Torre do Tombo, (as distâncias nunca foram um obstáculo às gentes desse tempo), e regressava à tardinha a casa, a pé, acompanhado pelo então jovem e futuro cunhado Rogério da Ilha, que por lá pernoitava regressando na manhã seguinte. Apraz-me aqui registar que eram também tios do ex-industrial de pesca, João Viegas Ilha, com pescaria no Canjeque, a dois Kms. do bairro da Torre do Tombo e com interresses em outras empresas do distrito, conta agora a veneranda idade de 80 anos, é de feitio amistoso e muito popular entre os seus conterrâneos, aberto às recordações de muitos acontecimentos da sua cidade; e de Zeca Ilha, comerciante, que acabou como proprietário de uma das lojas mais conhecidas da cidade, a "loja do Jorge", atrás do Cine Teatro Moçâmedes. São descendentes de olhanenses moradores na Ilha da Culatra, que se situa frente a Olhão, daí o apelido Ilha, e de João da Rosa Machado, chegado em Julho de 1861, e considerado como o primeiro habitante da Baía dos Tigres. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Na Praia Amélia os meus avós vivem numa casa de madeira, tipo chalé, com varanda em toda à volta, que eram utilizadas na época. Passou a ser a segunda habitação familiar depois de se fixarem definitivamente na Torre do Tombo. Era ocupada aos fins de semana pela família nas suas deslocações a pé (seis kms.). Estava em bom estado de conservação nos princípios da década de 1930, como nos conta uma das netas.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;(Essa casa de madeira era idêntica à casa dos meus avós maternos, João Rodrigues Trindade e Lucinda Ferreira Trindade, localizada na Torre do Tombo que chegou aos meus dias bastante degradada nos finais da década de 1950, tendo sido desmontada nessa época; ou muito semelhante, à casa de madeira da D. Aline, a professora da minha segunda classe, uma dimensão espiritual alcançada por poucos, dedicada à educação e ao ensino. O significado das palavras companheiro, amizade, serviam para uma melhor consciência nas relações interpessoais entre os seus educandos, numa pedagogia assente em valores humanos e cristãos. «A oração da manhã é uma obrigação de todos os católicos», afirmava, sabendo que muitos dos seus alunos não tinham por hábito tal prática, e recolhia-se nessa oração, diariamente, no início de &lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_SFPLGdcHVyk/S0ENR6-LNtI/AAAAAAAAAKg/WPtGHHD_olQ/s1600-h/VISTA_~1.JPG"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 320px; FLOAT: left; HEIGHT: 309px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5422630027869763282" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_SFPLGdcHVyk/S0ENR6-LNtI/AAAAAAAAAKg/WPtGHHD_olQ/s320/VISTA_~1.JPG" /&gt;&lt;/a&gt;cada aula, convidando os alunos que a não tinham feito a acompanhá-la. Essa casa de madeira era proveniente da Praia Amélia e situava-se na estrada de acesso à aguada e às hortas, num largo de terra, e isolada, logo após o antigo campo de futebol, ao fundo da avenida, num dos extremos da cidade, como o demonstra a foto aqui produzida, onde existia, ainda, o antigo colégio das madres, (foto de 1950 encontrada no blog &lt;a href="http://www.mossamedes-do-antigamente.blogspot.com/"&gt;http://www.mossamedes-do-antigamente.blogspot.com/&lt;/a&gt;). Recordo a casa térrea onde morei até aos meus sete anos de idade, mesmo em frente da casa da D. Aline, que foi arrendada ao meu pai pelo sr. Mário de Sousa, proprietário de uma oficina de automóveis e mecânico competente em motores marítimos. A D. Aline era um raro exemplo de prática religiosa, símbolo de bondade e de caridade, afecta á religião católica, é referida nas recordações de muitas gerações de moçamedenses pelas suas qualidades humanas. Parte da casa destinava-se à actividade da catequese, e no final dos trabalhos era distribuido um papo-seco com marmelada a cada uma dessas crianças, fazendo as delícias da tarde aos mais carenciados; havia ainda uma actividade escolar: os ensinamentos de uma primeira classe que antecipava o ensino oficial. Bem preparados ficavam esses alunos, de tal modo que, quando do ingresso na escola oficial, a primeira classe era como que um "passear pela escola" . Apesar do muito tempo já passado, cinquenta e muitos anos, é-me grato recordar alguns desses companheiros de jornada. Entre outros que ainda retenho em memória as suas fisionomias mas não os seus nomes, o Laurentino Jardim (Tininho) e o Leonel de Sousa (Leona), este, infelizmente já falecido, prematuramente vencido por um ataque quase fulminante do coração.)&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;a href="http://bp0.blogger.com/_SFPLGdcHVyk/SEA_NFT2sGI/AAAAAAAAACo/oxpN6HL3vp0/s1600-h/Mossamedes-011-c.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; FLOAT: left; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5206230663236595810" border="0" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_SFPLGdcHVyk/SEA_NFT2sGI/AAAAAAAAACo/oxpN6HL3vp0/s320/Mossamedes-011-c.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;Naquela praia (Praia Amélia) foi instalada uma empresa da pesca da baleia por noruegueses em 1918, onde o meu avô se empregou. Os noruegueses eram exímios executantes de concertina, alegres e divertidos. Partiram em 1929 para nunca mais voltarem.Um dia o meu pai surpreendeu-nos com umas modinhas antigas tocadas num brinquedo oferecido a um neto, o João Carlos Frota Carranca, que não se lembra do facto por ser muito jovem. Embora o instrumento (concertina) fosse um brinquedo com evidentes limitações, demonstrou ter sido um bom executante na juventude, espelho dos seus excelentes mestres. &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;a href="http://bp3.blogger.com/_SFPLGdcHVyk/SEA86nG3mKI/AAAAAAAAACg/d1CAW4JDW4o/s1600-h/Os%20Frotas.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; FLOAT: left; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5206228146868164770" border="0" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_SFPLGdcHVyk/SEA86nG3mKI/AAAAAAAAACg/d1CAW4JDW4o/s320/Os%2520Frotas.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;Por fim a fixação definitiva na Torre do Tombo que se tornou o bairro, a casa, a escola e a morada da primeira geração, uma prole de doze filhos. Para além dos já mencionados: Manuel, Miguel e José, a Ilda, a Felicidade, a Silvéria, o Serafim, o Mário, o Henrique, o José (Zeca), a Maria da Conceição, que faleceu muito jovem e o Álvaro. Eram unidos e amigos. No cimo dessa união familiar estava o meu avô, o mandador das armações à valenciana Manuel Fernandes Frota e a grande "matriarca" e educadora que foi a minha avó Carolina dos Santos Frota. Na casa grande, na Torre do Tombo nasceram os primeiros netos. A sala de jantar enchia-se, agora, com a garotada da segunda geração. Conheceram o avô Manuel a tratar das redes no seu enorme quintal. Ao fundo desse quintal, uma porta, para lá dessa porta, as areias infindáveis do deserto do Namibe. &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;O meu avô faleceu nos finais da década de 1930. Conheci a minha avó Carolina já muito velhinha, figura magra num carácter forte, um tanto frágil fisicamente nos seus oitenta e alguns anos, trança em carrapito enrolada atrás. Faleceu em Moçâmedes bastante idosa, com mais de noventa anos.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;Um dos seus netos, certa vez, na curiosidade dos seus seis ou sete anos, quis conhecer os motivos que levaram à decisão da sua avó em ir morar com o seu avô numa praia como a Baía dos Tigres, a mais longínqua dos centros de abastecimento onde a vegetação era inexistente, onde a água potável, por vezes, era uma miragem inalcansável, onde se sufocava nos dias de garroa, onde as dunas pareciam querer engolir casas e população, onde as rajadas de um vento forte devassavam as frágias casas de madeira pelas frestas abertas e dentro delas as famílias esperavam, em silêncio, que tudo acalmasse. Era sem dúvida o lugar do deserto mais difícil de se viver. A sua mãe, momentaneamente surpreendida com a pergunta, não descortinou uma resposta imediata e plausível. Perante a insistência a resposta partiu um tanto de sopetão: «porque andava sempre atrás do teu avô». Os tempos eram outros; já os céus eram cruzados por avionetas que encurtavam distâncias e há perguntas que não têm resposta fácil. Esse neto é o penúltimo de uma vasta lista de 35, tinha compreendido a causa da existência de um profundo sentimento de carinho, respeito e admiração, que sabia, rodeavam a sua avó Carolina. Na sua casa, na Torre do Tombo, há muitos, muitos anos, à mesa grande da sala de jantar, reunia-se a vasta prole de filhos e netos. Carolina amara incondicionalmente e soubera transmitir os valores da família pela forma mais credível: pelo exemplo de uma vida dedicada, nos bons e nos maus momentos, sempre ao lado do seu marido Manuel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_SFPLGdcHVyk/TOQ2N8yjrNI/AAAAAAAAALo/iAEoF4sR8yc/s1600/38159_1529790130348_1402572736_31486320_4324144_n.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 320px; FLOAT: left; HEIGHT: 238px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5540613054856932562" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_SFPLGdcHVyk/TOQ2N8yjrNI/AAAAAAAAALo/iAEoF4sR8yc/s320/38159_1529790130348_1402572736_31486320_4324144_n.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;Do sítio onde estiverem: o Manuel, a Carolina, os doze filhos que tiveram, os netos e bisnetos que foram chegando, quer seja dos altos promontórios das rotas dos caíques, quer do cimo da falésia da Torre do Tombo, da duna tigrada da Baía dos Tigres ou da açoteia da casa cúbica da Rua João dos Santos na baixa de Olhão, que pertencera à família Santos, eles observam-nos e congratulam-se com a lição aprendida. Olham a mesa grande muito aumentada onde se sentam agora gerações e gerações da sua prole a comungarem os valores semeados.&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24997630-4914039158272391772?l=memoriaseraizes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://memoriaseraizes.blogspot.com/feeds/4914039158272391772/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24997630&amp;postID=4914039158272391772&amp;isPopup=true' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24997630/posts/default/4914039158272391772'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24997630/posts/default/4914039158272391772'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://memoriaseraizes.blogspot.com/2007/07/janeiro-de-1893-grande-viagem-e.html' title='JANEIRO DE 1893-A GRANDE VIAGEM E MOÇÂMEDES, NOVO BERÇO FAMILIAR'/><author><name>Cláudio Frota</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12347804865419095178</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp2.blogger.com/_SFPLGdcHVyk/RzNpSyi27sI/AAAAAAAAAAs/KFPCPIYhxcQ/s72-c/imagem0002.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24997630.post-3127261594452840374</id><published>2007-04-24T17:48:00.008+01:00</published><updated>2010-03-09T09:18:23.199Z</updated><title type='text'>MANUEL JOAQUIM FROTA - O Mandador Pioneiro das Armações à Valenciana</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp0.blogger.com/_SFPLGdcHVyk/RzNo2Si27rI/AAAAAAAAAAk/ktPq9dBgHFE/s1600-h/imagem0001.JPG"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; FLOAT: left; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5130559682405396146" border="0" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_SFPLGdcHVyk/RzNo2Si27rI/AAAAAAAAAAk/ktPq9dBgHFE/s320/imagem0001.JPG" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;"Ía o nosso tempo em África e já Manuel Joaquim Frota era uma referência na história de Olhão. A ele se deve a ída para Angola da primeira "Armação à Valenciana" da pesca da sardinha, decorria o ano de 1887. Foi montada em Moçâmedes, seguindo depois para a Baía dos Tigres...."&lt;br /&gt;É a parte inicial do texto de homenagem que foi prestada a Manuel Joaquim Frota por cerca de 30 bisnetos e trinetos, frente à sua catacumba, no cemitério velho de Olhão, no dia 7 de Outubro de 2000.&lt;br /&gt;No ano seguinte promoveu-se novo encontro, desta vez com divulgação organizada para que a informação pudesse chegar a todos os familiares de norte a sul do País.&lt;br /&gt;A resposta excedeu todas as expectativas. Cancelaram-se compromissos e reuniões e no dia 6 de Outubro de 2001, cerca de 100 descendentes do mandador pioneiro, nascidos em Angola, encontraram-se novamente no cemitério velho de Olhão, numa sentida homenagem. A nova geração nascida em Portugal esteve também presente.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Manuel Joaquim Frota, nasceu em Olhão no dia 15 de Janeiro de 1838.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://bp3.blogger.com/_SFPLGdcHVyk/RzN62Ci27xI/AAAAAAAAABU/1x11rBAMFMg/s1600-h/Mossamedes-058-c.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; FLOAT: left; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5130579469319728914" border="0" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_SFPLGdcHVyk/RzN62Ci27xI/AAAAAAAAABU/1x11rBAMFMg/s320/Mossamedes-058-c.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;Em 1887, com 49 anos de idade decidiu fazer a travessia do Atlântico a bordo do palhabote S. José, de Manuel Pereira Gonçalves, levando a primeira "Armação à Valenciana" da pesca da sardinha que Angola conheceu e que foi montada na então Vila de Moçâmedes, hoje cidade do Namibe. Não se sabe o local onde foi instalada, talvez na Torre do Tombo, na praia onde foi construído o cais comercial, na ponta do Noronha. Demorou-se pouco tempo por ali e antes de 1893, ano de chegada do meu avô, já estaria montada na Baía dos Tigres. &lt;span style="color:#00cccc;"&gt;&lt;strong&gt;(créditos de imagem:&lt;/strong&gt;&lt;em&gt;www.antigamente1900.blogspot.com) &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Outras armações foram chegando: a de Lourenço Morgado que foi instalada, provavelmente no lugar da primeira ou muito próximo, e a de Francisco de Sousa Ganho, montada no Baba.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;As armações fixas, eram as artes de pesca mais avançadas dessa época e de grande rentabilidade, que fizeram aumentar a produção do pescado naquela zona do litoral angolano. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Poucos familiares conheciam a aventura africana deste nosso ascendente. Porque decidiu emigrar numa idade já um tanto avançada para este tipo de aventura? Porque mudou os seus planos de permanência em África? São perguntas que ficarão sem resposta certa, mas um familiar recordava-se que talvez houvesse um motivo forte para o seu regresso a Olhão: recordava-se de comentários feitos no seio da família que em dado momento, a minha bisavó reconsiderou o embarque definitivo para África, criando a dúvida se já lá teria estado alguma vez. O motivo desta decisão, talvez esteja nas difícies condições de vida que o meio sul angolense oferecia naquela época, com relativa excepção para a vila capital do distrito: Moçâmedes.&lt;br /&gt;Manuel Joaquim Frota, o mandador pioneiro, regressou a Olhão em data indeterminada e faleceu no dia 12 de Outubro de 1912 aos 74 anos. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;A CATACUMBA ABANDONADA &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Decidi um dia entrar no cemitério velho de Olhão, naquele que é uma das principais fontes documentais da cidade, com arquivo próprio.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O funcionário era um simpatizante da pesquisa histórica e prontificou-se consultar os inúmeros registos ao seu dispor. Dois deles chamaram a minha atenção: a sepultura abandonada de um tio-bisavô, Francisco Lopes Frota e a catacumba, também abandonada que servia de última morada ao meu bisavô Manuel Joaquim Frota, o mandador pioneiro das armações à valenciana. Desloquei-me aos dois lugares onde fiz um breve recolhimento. Francisco Lopes Frota era um dos irmãos mais velhos do meu bisavô e não deixou descendência. Mais tarde, numa visita, constatei não existir mais a pedra da sua sepultura. A catacumba do mandador, meu bisavô, encontrava-se sem qualquer identificação, só em parede caiada, graças ao zelo dos funcionários. A minha bisavó migrou para Lisboa com a restante família deixando Olhão para sempre, daí não ter podido cuidar da sua manutenção. Existiu uma chapa, posta por um parente que tinha um táxi mas caíu e perdeu-se, (um gesto de rara sensibilidade vindo de um sobrinho-neto do meu bisavô). Há muitos anos era visitada por familiares ligados à minha bisavó, a família Lota, recordava-se o funcionário que manteve uma forte relação de amizade com o meu parente taxista, José Sérgio Frota e que nutria por ele grande respeito e admiração por ser um talentoso apresentador de teatro e autor de várias peças representadas na saudosa sala do teatro velho de Olhão por artistas amadores. Tive o grato prazer de o conhecer, já reformado, numa breve visita em sua casa, perto de Lisboa, há cerca de 20 anos.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Confesso que, diante daquela catacumba, senti-me deveras emocionado. Ali estava sepultado o meu bisavô, um "africanista olhanense" que fez uma viagem épica a bordo de um palhabote e que era pioneiro das armações á valenciana. A sua pele fora curtida pelas maresias do mar de Moçâmedes e pelas garroas e lestadas da Baía dos Tigres. Na certidão de óbito vinha mencionada a idade aparente: 88 anos, quando na verdade tinha 74.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Prometi, naquele recolhimento, encontrar a melhor forma de lá colocar uma lápide. Como propriedade particular que era, só ao proprietário era concedida a autorização para tal e o proprietário era a minha bisavó Maria Teresa Frota, falecida há muito em Lisboa. Decidi então fazer o pedido por escrito à Câmara Municipal de Olhão e juntar uma fotocópia da página de um livro onde menciona o meu bisavô como pioneiro. E assim fiz.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A autorização demorou quatro longos e expectantes meses. O pedido veio, finalmente, deferido. Manuel Joaquim Frota ía ter lápide na sua catacumba por ter sido reconhecido o mérito da sua iniciativa pioneira. A família Frota, nascida em Angola, soube respeitar a memória daquele seu ascendente comparecendo em grande número às homenagens que lhe foram prestadas. A primeira, a mais restrita, no dia 7 de Outubro de 2000, 113 anos após um sonho africano e 25 anos após a nossa chegada e dispersão por Portugal. A segunda com divulgação a todos os familiares de norte a sul do País. Uma iniciativa ímpar do meu primo Rui e do meu irmão Walter que criaram uma autêntica máquina de divulgação, e no dia 6 de Outubro de 2001, cerca de cem familiares descendentes de Manuel Joaquim Frota, encontraram-se, numa sentida homenagem. As recordações brotaram, nas intervenções de grande qualidade que se seguiram ao almoço, num total de 110 presenças. Recordámos a velha Torre do Tombo onde nasceram e viveram os meus tios e pai, uma prole de 12 irmãos; a praia Amélia onde o meu avô trabalhou na pesca da baleia; as agruras por que passaram os meus avós na Baía dos Tigres devido ao clima hostil e ao isolamento; ao perfil de todos eles, pela vida de rectidão que levavam, desenhado pelo meu primo José Manuel, com a espontaneidade e boa disposição a que nos habituou e a que se deve aos muitos anos na rádio como chefe de produção do Rádio Club de Moçâmedes e como repórter da antena um em Portugal, um grande comunicador; as palavras sábias do meu primo Mário Ângelo, homem de grande carácter e elevada cultura, que viajou de Coimbra e seguiu para Madrid nesse dia para uma conferência, não deixando, por isso, de estar presente. Um envolvente, belo e inesquecivel exercício da memória. Um pensamento foi aflorado e comungado por todos: "quando o passado está presente o exercício da memória é quase um dever". É quase um dever, diria, quando esse passado contém a dignidade do dever cumprido. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Outros encontros se sucederam, desta feita em Alcácer do Sal, com um récord de 120 presenças no primeiro lá realizado.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Seria memorável e talvez inédito nas famílias portuguesas, um encontro global em Portugal de uma família que espalhou o seu apelido por diversos países do mundo. Muitas foram. A família Frota é uma delas: Portugal, Angola, Brasil, Estados Unidos, Argentina, etc., (sabendo que o ramo de Angola entronca somente no de Olhão), a exemplo dos Galvão, que têm organizado os seus encontros em França, com um número de presenças que rondam os mil, segundo consta. Um encontro global dos Frotas a realizar-se em Portugal, seria por bem em Alcácer do Sal ou Setúbal, cidades onde moram os pergaminhos do apelido e os portos de onde partiram em demanda das terras brasileiras nos séc. XVI a XVIII, onde se fixaram, e onde ainda residem os seus inúmeros descendentes. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;O TESTEMUNHO DE MR. GRUVEL&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;As armações à valenciana foram surgindo no distrito de Moçâmedes em grande número: na Lucira, no Mocuio, em Porto Alexandre, na Baía das Pipas, no Baba, etc., e até mais do que uma em cada uma dessas praias, e com elas o aumento da produção do pescado e do peixe seco que era comercializado nos portos de Angola, Congo Francês, Gabão e S. Tomé, levados pelos caíques olhanenses. O desenvolvimento tornou-se imparável e suscitou a admiração de portugueses e estrangeiros pela obra que se estava a realizar naquela zona de África.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mr. Gruvel era um oficial da marinha francesa, que encarregado pelo seu governo de fazer um inquérito às pescarias da costa Ocidental de África em 1909 referiu-se a Angola, nestes termos:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;"Não podemos deixar Angola sem falarmos da impressão extraordinária que nos deixaram dois dos principais centros de pesca: Porto Alexandre e Baía dos dos Tigres. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O que poderá ser a vida sedentária dum europeu numa região formada de areia pura, sem um traço de vegetação, estendendo-se tão longe quanto a vista pode alcançar? Um vento violento que sopra muitas vezes em verdadeiras tempestades, levanta quase todo o dia nuvens duma areia fina que penetra por toda a parte; bebe-se, come-se e ...sufoca-se!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;É neste país de desolação, ao pé do qual Port-Etienne parece um verdadeiro paraíso, que vivem isolados do resto do mundo, bebendo água que vai de Moçâmedes, cerca de trezentos brancos em Porto Alexandre e cem na Baía dos Tigres."&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;"Não temos maneira de felicitar todos os portugueses que habitam este deserto, pela admirável coragem de que dão prova, vivendo assim nessas regiões de desolação".&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A terminar:" Quando se vêm os milagres de energia que os portugueses têm tido que dispender para criar esta magnífica indústria de pesca em semelhantes regiões, pensa-se que temos de desesperar do nome francês se não conseguirmos fazer tão bem ou melhor que eles ...não apresentando nada de comparável ao que existe em Porto Alexandre e sobretudo na Baía dos Tigres."&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Por portaria editada no Diário de Governo de 27 de Junho de 1925 o governo português louva o esforço colonizador no distrito de Moçâmedes, terminando nestes termos:&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;"Manda o Governo da República Portuguesa pelo Ministério das Colónias que seja dado público testemunho do muito apreço em que é tido o valioso trabalho realizado por estes colonos, que tanto honram a Pátria e por esse motivo sejam louvadas as populações de Moçâmedes e Porto Alexandre por serem os principais núcleos desta colonização.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Paços do Governo da República 27 de Junho de 1925" &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24997630-3127261594452840374?l=memoriaseraizes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://memoriaseraizes.blogspot.com/feeds/3127261594452840374/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24997630&amp;postID=3127261594452840374&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24997630/posts/default/3127261594452840374'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24997630/posts/default/3127261594452840374'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://memoriaseraizes.blogspot.com/2007/04/manuel-joaquim-frota-mandador-pioneiro.html' title='MANUEL JOAQUIM FROTA - O Mandador Pioneiro das Armações à Valenciana'/><author><name>Cláudio Frota</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12347804865419095178</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp0.blogger.com/_SFPLGdcHVyk/RzNo2Si27rI/AAAAAAAAAAk/ktPq9dBgHFE/s72-c/imagem0001.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24997630.post-116915702054564324</id><published>2007-01-18T19:42:00.012Z</published><updated>2011-02-03T10:52:39.478Z</updated><title type='text'>INÁCIO</title><content type='html'>(Modelo de uma canoa da picada do blog: &lt;a href="http://www.canoadapicada.blogspot.com/"&gt;http://www.canoadapicada.blogspot.com/&lt;/a&gt;)&lt;br /&gt;&lt;a href="http://bp2.blogger.com/_SFPLGdcHVyk/R1WKEfwmq8I/AAAAAAAAABc/sOjQSEhZXAw/s1600-h/DSC01368.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; FLOAT: left; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5140166359562759106" border="0" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_SFPLGdcHVyk/R1WKEfwmq8I/AAAAAAAAABc/sOjQSEhZXAw/s320/DSC01368.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Desfolhei um bloco de notas de há 15 anos onde se encontra o nome de um velho pescador olhanense que me contara um episódio da sua vida quando criança relacionada com uma viagem em barco à vela de Olhão para a cidade de Moçâmedes, a actual cidade do Namibe no sul da República de Angola. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A páginas tantas, lá estava o nome e algumas notas naquele bloco de recordações já um tanto desgastado pelo tempo: Inácio, canoa de pesca e naufrágio nos mares da Serra Leoa. Mais adiante o nome Zá-Zá que naquele momento não relacionei logo com o nome da canoa. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Naquele encontro Inácio vestia a tradicional camisa aos quadrados e numa das mãos transportava um balde preto com alguns peixes dentro para a sua última refeição do dia. Dirigia-se a casa após umas horas de pesca na Ria Formosa frente a Olhão. Disse-lhe que ele me fora indicado por um seu amigo que sabia haver existido ligações familiares entre as nossas famílias em África, e, por isso, pedia-lhe uns breves momentos do seu tempo para conversarmos. Poisou o balde. Aquele encontro requeria mais do que uns breves momentos do nosso tempo. Havia uma história para contar relacionada com uma viagem para África, a partir de Olhão, em barco á vela: &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Inácio era ainda uma criança quando seu pai decidiu deixar Olhão e rumar Moçâmedes, como muitos outros pescadores olhanenses o tinham feito já. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Os parentes de Inácio em Moçâmedes tinham conhecimento dos preparativos para a viagem e aguardavam notícias do dia provável da sua chegada.&lt;br /&gt;Em Olhão o pai de Inácio apetrechou a sua canoa de pesca do alto, revestiu-a a folhas de cobre, obteve autorização de saída da capitania e preparou-se para zarpar. Levava alguns familiares e amigos a bordo e queria levar também o seu rebento Inácio. Mas Inácio queria ficar com sua mãe em Olhão e à hora de partir atravessou baldios e areais e escondeu-se. Procuraram-no por todo o lado e não foi encontrado. Só regressou a casa, para junto de sua mãe, quando viu, do esconderijo, a canoa de seu pai, já longe, a navegar, de velas enfunadas.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Alguns dias depois a tragédia abateu-se sobre aquela canoa de pesca do alto que ousava atravessar perigosamente o Atlântico até Angola, então possessão portuguesa de África. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Perto da Serra Leoa, Neptuno bramiu a sua raiva àquela ousada gente, e a pequena canoa de pesca do alto sucumbiu na refrega, num mar que não era o seu. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Fora vencida pelas vagas alterosas e afundara-se. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Inácio terminou a narrativa com uma profunda tristeza no olhar. Quantas vezes não teria contado esse episódio da sua vida de criança com a mesma tristeza que a distância no tempo não dissipou.&lt;br /&gt;Contei-lhe que ouvira de minha mãe, a história do naufrágio dos Trocatos, ainda criança, em África e da forte impressão que me causara a ponto de não a ter esquecido. Parecia que se ligava àquela história de Inácio mas vivida pelos seus familiares em Moçâmedes: contou-me minha mãe das missas rezadas pelos familiares dos Trocatos, na esperança de ainda serem encontrados com vida perdidos na imensidão do mar, do desespero vivido, das ídas à praia, vezes sem conta, sempre que alguma vela surgia no horizonte á entrada da baía. Seriam duas partes duma mesma história ou teria havido um duplo naufrágio naquela época?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Aquela tragédia marcou Olhão e a sua diáspora no sul de Angola nos primeiros anos da década 1920.&lt;br /&gt;Inácio achava-se um "sobrevivente".&lt;br /&gt;Na despedida ofereceu-me uns peixes do seu balde preto. Tinha trazido a mais para oferecer, caso encontrasse um amigo, e ofender-se-ía se eu os recusasse. Solidariedade olhanense?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Inácio nunca emigrou. Tornou-se pescador e foi envelhecendo no mar da sua Terra. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Sobre este naufrágio escreve o grande historiador olhanense Dr. Alberto Iria numa publicação de 1938:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;"A última embarcação que seguiu para Moçâmedes, há pouco mais ou menos 15 anos, foi a canoa da picada «Zá-Zá» que, cheia de gente moça e aventureira, saiu um dia da barra de Olhão para nunca se ouvir dizer nada do seu destino". Continua o texto dizendo:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;"Outros tiveram melhor sorte. A chalupa Florinda de mestre José dos Reis Peixe Rei, andou à deriva nos mares de África com o mastro grande partido e as velas feitas em farrapos até aportarem no Congo Francês, ou o palhabote de mestre João Valente e o caíque de mestre João Bento Estrela que aportou à ilha de Ano Bom depois de a sua tripulação flagelada pela fome e sêde ter sofrido as piores inclemências".&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Estes episódios dizem bem do temperamento do povo de Olhão. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Os resultados práticos da colonização espontânea e livre feita pelos pescadores olhanenses no sul de Angola superaram em muito tudo o que se possa imaginar. Uns falam em milagre, outros em força criadora. Foi sobretudo a obra da coragem, do sacrifício e da perseverança na epopeia do mar e na epopeia do trabalho árduo. Ela lá está para quem quiser observar.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24997630-116915702054564324?l=memoriaseraizes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://memoriaseraizes.blogspot.com/feeds/116915702054564324/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24997630&amp;postID=116915702054564324&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24997630/posts/default/116915702054564324'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24997630/posts/default/116915702054564324'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://memoriaseraizes.blogspot.com/2007/01/igncio.html' title='INÁCIO'/><author><name>Cláudio Frota</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12347804865419095178</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp2.blogger.com/_SFPLGdcHVyk/R1WKEfwmq8I/AAAAAAAAABc/sOjQSEhZXAw/s72-c/DSC01368.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24997630.post-115702639995428931</id><published>2006-08-31T11:47:00.001+01:00</published><updated>2008-07-29T12:54:13.587+01:00</updated><title type='text'>OS OLHANENSES A SUL DE BENGUELA</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;A fama do povo olhanense como povo navegador passou fronteiras no séc. XVIII. Eram eles que melhor conheciam o mar, pelas viagens de longo curso que faziam nos seus caíques, palhabotes e lanchas. Sabe-se que realizaram viagens ao Brasil na tarefa de colonizar, sem contudo deixarem memória desses factos. Agiam por conta própria numa predisposição natural ao apelo do mar.&lt;br /&gt;As populações do litoral algarvio, desde há milhares de anos, têm sido tocadas por grandes civilizações oriundas do mediterrâneo, que construíram os seus impérios comerciais instalando feitorias. Algumas delas transformaram-se em importantes centros urbanos, como a fenícia Carteia, hoje Quarteira, ou Portus Anibalis, a actual Alvor ou Portimão, fundada pelo célebre general cartaginês Aníbal, ou Ossónoba (Faro), cidade romana com bispado, representada nos Sínodos, cujas actas se encontram depositadas nos arquivos da Universidade de Salamanca e é mencionada pelos maiores historiadores romanos, Silb (Silves), no Al-Gharb muçulmano, cidade luz da cultura árabe, tal como foi Córdova, Granada e Sevilha.&lt;br /&gt;Olhando a história, ela leva-nos a admitir que o géne navegador e comercial dos fenícios, gregos, cartagineses, romanos e árabes, deixado nas praias algarvias, possa ter como principal herdeiro o povo de Olhão, que demonstrou ser o mais capaz de realizar as missões mais arriscadas no mar e adaptar-se perfeitamente a novas difilculdades surgidas em terra, no contacto com outros povos, levando até eles o seu capital de experiência como navegadores, comerciantes e trabalhadores do mar, peritos no manuseio das artes de pesca e nas formas de conservar o peixe.&lt;br /&gt;Depois da independência do Brasil em 1822, deu-se prioridade ao desenvolvimento das possessões portuguesas de África. Mais uma vez os olhanenses responderam com a sua experiência. Em meados do séc. XIX, o chamado terceiro império, o Império Português de África estava em marcha. O esforço colonizador tinha-se iniciado. Era necessário povoar esses territórios e desenvolvê-los para que Portugal recuperasse a força de Potência Colonizadora de outros tempos.&lt;br /&gt;A partir de 1860 os olhanenses iniciaram uma forte corrente migratória para a Vila de Moçâmedes, a sul de Benguela, hoje cidade do Namibe na República de Angola.&lt;br /&gt;Muitos caíques, palhabotes e lanchas à vela partiram do porto de Olhão com destino a Moçâmedes, em viagens arriscadas que duravam mais de 40 dias. As embarcações eram frágeis cascas de noz reforçadas prèviamente a cobre, sujeitas a inspecção e autorização de saída por parte da capitania. Era necessário dotar aquelas "quengas" (metade de 1 côco, na gíria brasileira) de toda a segurança possível, pois a mulher olhanense, a companheira de todas as horas dos seus maridos, fossem elas boas ou más, íam também elas embarcar com os seus filhos de tenra idade, e partilhar sofrimentos e perigos, tornando cada viagem num épico-familiar, cujo final ninguém conseguia prever.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;O primeiro caíque referenciado, já em carreiras de cabotagem entre Moçâmedes e Benguela, data de 1855 e chamava-se "Os 2 Amigos". Não há registo da sua entrada na capitania de Moçâmedes e desconhece-se o nome do seu proprietário. Os registos iniciam-se com a entrada da barca D. Ana em 1860 comandada por José Guerreiro de Mendonça. Tem como piloto José Guerreiro Nuno. Levava a bordo Francisco de Sousa Ganho e esposa Maria Catarina Peixe, Francisco de Sousa Ganho, filho de ambos com 9 anos, António de Sousa Ganho, irmão do primeiro e José Carne Viva, levando a 1ª. canôa de pesca do alto. São considerados como a primeira leva da corrente migratória que se gerou a partir de Olhão para a então Vila de Moçâmedes. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;A segunda leva foi composta por José Rolão e dois filhos João da Cruz Rolão e Francisco da Cruz, Manuel Tomé do O, Domingos Galambas e José Mendonça Pretinho. Ignora-se qual o barco que os transportou. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Na terceira leva, levada pelo vapor "D. António" em carreira regular para África, segue a primeira rede de pesca. Um dos emigrantes, João da Rosa Machado é considerado o primeiro que se estabeleceu na Baía dos Tigres. Chegaram em Julho de 1861.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;O primeiro caíque registado na capitania de Moçâmedes foi o Flor de Maio com chegada em Janeiro de 1863. Tinha como tripulação o mestre Bernardino do Nascimento, vulgo o Brancanes, o piloto Pedro José dos Reis, Francisco Ferreira Nunes, Manuel Ramos de Jesus Peleira e um menor de nome Baptista. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Nesse mesmo ano começam a chegar olhanenses a Porto Alexandre, hoje cidade de Tômbua, a 100 kms a sul de Moçâmedes. A corrente migratória continuou por muitos anos, quer em barcos à vela quer em vapôres. Em 1894 há nos Tigres 7 casais olhanenses e em Porto Alexandre 200 pescadores algarvios, na sua maioria olhanenses. O porto de chegada era o Bairro Torre do Tombo, a 1 km. da vila de Moçâmedes. Dali irradiavam para todo o distrito onde existisse uma praia: Porto Alexandre, Baía dos Tigres, Baba, Chapéu Armado, Lucira, Mocuio, Baía das Pipas, Praia do Catara, S. Nicolau, Porto Pinda, Praia do César, etc.; algumas delas sem água potável, que eram logo abandonadas até se organizarem carreiras regulares de abastecimento, quer de água potável, quer de pão fresco. Os dias de chegada desses abastecimentos eram chamados, "os dias do pão fresco", e podemos imaginar quão especiais eram esses dias para aquelas gentes, em locais isolados como Porto Alexandre e Baía dos Tigres, quase na Foz do Cunene, cujo clima era ainda mais agreste, com as célebres garrôas, o vento do deserto, a levantar a areia das dunas que picava a pele como alfinetes, dificultava a respiração e fustigava dias a fio as casas de madeira, abrindo frestas, por onde as areias entravam e se depositavam nos móveis e nas camas. Era, na verdade desesperante o desterro daquelas famílias na Baía dos Tigres. &lt;/div&gt;&lt;a href="http://bp1.blogger.com/_SFPLGdcHVyk/R1Wl9Pwmq_I/AAAAAAAAAB0/ai5N5MdvFyk/s1600-h/imagem0004.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5140197021334285298" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp1.blogger.com/_SFPLGdcHVyk/R1Wl9Pwmq_I/AAAAAAAAAB0/ai5N5MdvFyk/s320/imagem0004.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Em Porto Alexandre a vida tornou-se mais fácil, quando plantaram fiadas de casuarinas que aparavam os ventos do deserto e evitavam o avanço das dunas. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Porto Alexandre, hoje Tômbua tornou-se numa cidade industrializada dos derivados do peixe. Chegou a ser nos anos 1960 um dos maiores centros piscatórios da África Ocidental, com dezenas de fábricas de farinhas e óleos de peixe, e grande centro conserveiro. &lt;a href="http://bp3.blogger.com/_SFPLGdcHVyk/R1Wacvwmq9I/AAAAAAAAABk/Ue62bBt3eOU/s1600-h/imagem0006.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5140184368360631250" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_SFPLGdcHVyk/R1Wacvwmq9I/AAAAAAAAABk/Ue62bBt3eOU/s320/imagem0006.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;A Baía dos Tigres só teve água potável nos anos 1950, levada do Rio Cunene, 60 Kms. de condutas. Nunca passou duma aldeia de pescadores com uns 500 habitantes, entre brancos e pretos, devido ao isolamento e ao clima agreste. As viagens por terra eram conseguidas por jeeps em baixa mar, aproveitando a areia endurecida e molhada da maré. Nada mais existia para além das dunas altaneiras de areia solta e o mar. Era uma viagem arriscada que alguns aventureiros tentavam, por vezes sem sucesso. A comun&lt;a href="http://bp1.blogger.com/_SFPLGdcHVyk/R4YcHdxsIuI/AAAAAAAAACU/qJd0ZNLdiJQ/s1600-h/BA41.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5153837738149815010" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp1.blogger.com/_SFPLGdcHVyk/R4YcHdxsIuI/AAAAAAAAACU/qJd0ZNLdiJQ/s320/BA41.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;icação com a Baía dos Tigres passou a fazer-se por avioneta (correio e passageiros). Acabaram por construir uma igreja, uma escola primária, um hospital, os correios, a casa do chefe do posto e uma rua que era também a pista para a avioneta. As casas eram construídas em cima de pilares, para que as areias levadas pelo vento da garrôa passassem livremente. &lt;/div&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;a href="http://bp3.blogger.com/_SFPLGdcHVyk/R1WkCvwmq-I/AAAAAAAAABs/3zCK_PZju9I/s1600-h/imagem0005.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5140194916800310242" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_SFPLGdcHVyk/R1WkCvwmq-I/AAAAAAAAABs/3zCK_PZju9I/s320/imagem0005.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; A todas aquelas vicissitudes os olhanenses foram resistindo ao longo do tempo. Os homens, as mulheres, as crianças. A Baía dos Tigres foi o limite das forças, do querer, da resistência humana, nos seus primeiros tempos. Sobrevivia-se mal e as eventuais ajudas muito distantes. Não posso deixar de admirar a força da mulher olhanense, o que ela representou nos primeiros tempos de povoamento, o esforço pioneiro partilhado, ao lado dos seus maridos e filhos. Era na verdade gente muito especial. Apetece dizer que os olhanenses desafiaram e venceram o deserto na Baía dos Tigres, o sítio mais isolado e agreste do deserto do Namibe. &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24997630-115702639995428931?l=memoriaseraizes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://memoriaseraizes.blogspot.com/feeds/115702639995428931/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24997630&amp;postID=115702639995428931&amp;isPopup=true' title='12 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24997630/posts/default/115702639995428931'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24997630/posts/default/115702639995428931'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://memoriaseraizes.blogspot.com/2006/08/os-olhanenses-sul-de-benguela.html' title='OS OLHANENSES A SUL DE BENGUELA'/><author><name>Cláudio Frota</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12347804865419095178</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp1.blogger.com/_SFPLGdcHVyk/R1Wl9Pwmq_I/AAAAAAAAAB0/ai5N5MdvFyk/s72-c/imagem0004.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>12</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24997630.post-115590283551315619</id><published>2006-08-18T11:18:00.031+01:00</published><updated>2010-06-15T21:57:13.444+01:00</updated><title type='text'>OLHÃO-TERRA DE PESCADORES/NAVEGADORES "A MAIOR DIÁSPORA COLONIZADORA A SUL DE BENGUELA"</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;A população de Olhão conta-nos uma história de duas actividades distintas relacionadas com o mar: a pesca e o comércio marítimo.&lt;br /&gt;Dotado de uma matriz psicológica em que alguns historiadores destacam a valentia, o aventureirismo, a audácia, a ambição, o espírito de sacrifício, o gosto pelo risco, etc., o povo olhanense situa parte da sua história na pesca e no comércio de cabotagem em todo o litoral português especialmente na costa do Algarve, do norte de África e do sul de Espanha até ao Mediterrâneo Oriental e Mar Negro, havendo uma referência especial ao porto de Odessa, importante entreposto cerealífico russo, no Mar Negro, onde o pequeno caíque do olhanense António da Silva Guerreiro foi comerciar um grande carregamento de biqueirão em salmoura, trazendo umas toneladas de trigo e artigos orientais. Nessa viagem foi visitado pela mais alta hierarquia marinheira daquele País, onde foi comentada a audácia do homem do mar português ao aventurar-se, naqueles barquitos de vela latina de 50, 6O ou 70 toneladas, para tão longes paragens. Mal sabiam os russos que outras glórias épicas tinham surgido daquele povo e essas ainda mais ousadas: a viagem do caíque Bom Sucesso ao Brasil no dia 6 de Julho de 1808, (viagem essa comemorada anualmente por iniciativa de alguns docentes das escolas de Olhão, terminando com visita à réplica do caíque, aportado em cais próprio, que em boa hora a autarquia mandou construir), e mais tarde, a partir de meados do sec XIX, as viagens aos mares piscosos do sul de Angola, então colónia portuguesa, em viagens sucessivas, intermináveis, onde Adamastor, em promontórios outros, reclamava o seu mar, ante a pertinaz audácia daqueles navegadores; ou Neptuno, calmo e apaziguador umas vezes, outras bruto e temível, constituindo cada viagem um episódio épico-familiar, faltando somente o poeta inspirado nas musas parnasianas a cantar os feitos de tal ousada gente, onde não falta a tragédia dos naufrágios ou a alegria do reencontro após viagem tranquila ou mais atribulada mas nunca isenta de perigos. Centenas de olhanenses fizeram tal proeza. O destino era o mar piscoso do sul de Angola. Dezenas de barcos levando famílias inteiras aportaram nas baías e enseadas a sul de Benguela. Constituíram a maior diáspora naquelas paragens do sul de Angola.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A VIAGEM DO CAÍQUE "BOM SUCESSO" AO BRASIL&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Visitava Olhão em 2005, quando, vindo da avenida principal, se ouviu o som de cavalos a trote e o rufar de vários tambores. Ao assumar-me notei que, quer os cavaleiros, quer os «tambores», trajavam à tropa napoleónica e em cortejo seguiam-nos um grupo de populares trajados à sec. XIX. Comemoravam a expulsão do exército napoleónico do Algarve e a consequente viagem épica do caíque Bom Sucesso ao Brasil, iniciada no dia 6 de Julho de 1808. O cortejo dirigiu-se a um cais onde se encontra acostado uma réplica daquele mesmo caíque e ali houve cerimónias e discursos. Pude ainda conversar com um elemento da organização que me afirmou pertencer esta iniciativa a um grupo de docentes das escolas de Olhão visando a divulgação deste acontecimento histórico, reputado como um dos que mais honram a história da cidade, e esclareceu-me que a viagem do caíque Bom Sucesso ao Brasil tem tudo a haver com a derrota das tropas francesas no Algarve. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;O exército francês, comandado pelo General Junot, 1ª. invasão, exercia o domínio em todo o território português. A rebelião no Algarve teve início em Olhão e alastrou-se pelas aldeias, vilas e cidades até à sua expulsão definitiva. (Na ponte velha de Quelfes deu-se uma emboscada ao exército francês com a participação da população olhanense, resultando desta acção 18 baixas e 12 feridos para o lado francês e uma baixa para o lado português. Foi posta uma placa a assinalar este acontecimento).&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Após a expulsão do exército francês do Algarve constituiu-se a Junta Suprema Provincial do Reino do Algarve que assumiu o governo em nome do Príncipe Regente, refugiado no Brasil com a Corte.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Tinham de levar a boa nova ao Brasil. Para essa empresa foi escolhido o marítimo olhanense, &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;reconhecidamente o mais destro para tão perigosa missão.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Partiram no dia 6 de Julho de 1808. Oito dias depois chegavam ao Funchal e a 16 rumaram ao Rio de Janeiro. &lt;strong&gt;(na foto vemos a réplica do caíque "Bom Sucesso", acostado em cais próprio em Olhão)&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://bp3.blogger.com/_SFPLGdcHVyk/R1btpfwmrAI/AAAAAAAAAB8/O5JxKgoFeY4/s1600-h/BomSuc1(1).jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 0px 10px 10px; FLOAT: right; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5140557321845779458" border="0" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_SFPLGdcHVyk/R1btpfwmrAI/AAAAAAAAAB8/O5JxKgoFeY4/s320/BomSuc1(1).jpg" /&gt;&lt;/a&gt; Levavam uma carta do governo de Faro que participava a expulsão dos franceses, cartas de felicitações do Bispo e uma cópia do auto de eleição da Junta Suprema e outra carta de parabéns do Compromisso Marítino, ao Príncipe Regente. &lt;strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Pouco mais de 2 meses durou a travessia do Altântico. Tiveram, não só de lutar com o mar, mas também fugir dos franceses, dos corsários e de navios negreiros de todas as nacionalidades. Por mais estranho que pareça não possuíam qualquer aparelho ou simples carta marítima. Dirigiam-se por uma estimativa muito incerta, traçada por um vulgaríssimo e primitivo mapa. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Chegaram ao Rio de Janeiro no dia 22 de Setembro. Tiveram recepão grandiosa à chegada, não só pela boa nova de que eram portadores, mas, também, pela audácia demonstrada.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A população carioca e mesmo a de todo o Brasil guardou memória deste acontecimento, de tal forma, que nos fins do séc. XIX, apareciam, ainda, no nordeste brasileiro pescadores e praieiros a dizerem-se descendentes dos pescadores de D. João VI que vieram ao Brasil numa "quenga", isto é, na metade de um côco.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;D. João VI pagou pelo caíque 6.000 cruzados. Os 15 pescadores/navegadores olhanenses da tripulação, regressaram a Portugal num iate novo, oferta de D. João VI. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O caíque Bom Sucesso foi mandado conservar no Arsenal da Marinha no Rio de Janeiro, ad perpectuam memoriam, onde realmente esteve durante muitos anos, exposto à admiração de nacionais e estrangeiros. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Como reconhecimento desta empresa logo Olhão foi elevada à categoria de vila com o nobilitante título de "&lt;strong&gt;Vila de Olhão da Restauração&lt;/strong&gt;".&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24997630-115590283551315619?l=memoriaseraizes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://memoriaseraizes.blogspot.com/feeds/115590283551315619/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24997630&amp;postID=115590283551315619&amp;isPopup=true' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24997630/posts/default/115590283551315619'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24997630/posts/default/115590283551315619'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://memoriaseraizes.blogspot.com/2006/08/olho-terra-de-pescadoresnavegadores.html' title='OLHÃO-TERRA DE PESCADORES/NAVEGADORES &quot;A MAIOR DIÁSPORA COLONIZADORA A SUL DE BENGUELA&quot;'/><author><name>Cláudio Frota</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12347804865419095178</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp3.blogger.com/_SFPLGdcHVyk/R1btpfwmrAI/AAAAAAAAAB8/O5JxKgoFeY4/s72-c/BomSuc1(1).jpg' height='72' width='72'/><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24997630.post-115030968051920945</id><published>2006-06-14T17:19:00.029+01:00</published><updated>2010-11-20T08:52:07.285Z</updated><title type='text'>Bernardino - o intelectual , o militar, o patriota, o exilado que se fez colono,    "Fundador de Moçâmedes"</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://bp1.blogger.com/_SFPLGdcHVyk/RzL0Pyi27qI/AAAAAAAAAAc/zjZehZLxenw/s1600-h/foto0001.JPG"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; FLOAT: left; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5130431477631610530" border="0" alt="" src="http://bp1.blogger.com/_SFPLGdcHVyk/RzL0Pyi27qI/AAAAAAAAAAc/zjZehZLxenw/s320/foto0001.JPG" /&gt;&lt;/a&gt; Bernardino Freire de Figueiredo Abreu e Castro, português, é considerado pelos historiadores portugueses como o fundador da cidade do Namibe, no sul da República de Angola, a antiga cidade de Moçâmedes da época colonial portuguesa, fundada em meados do sec. XIX por colonos portugueses, quando o areal imenso do deserto do Namibe bordejava por inteiro a baía do soba Mossungo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Exilado em Pernambuco, do então Império do Brasil, Bernardino foi o mentor da primeira colónia agrícola de povoadores portugueses, que, também eles, radicados em Pernambuco, de lá saíram no dia 23 de Maio de 1849 (166 entre homens, mulheres e crianças) com rota ao novo porto de Moçâmedes e com chegada àquele porto no dia 4 de Agosto desse ano. As políticas de povoamento das possessões portuguesas de África estavam a ser implementadas pelo então governo português cujo reconhecimento da costa fora mandada pelo Barão de Moçâmedes, governador geral da "Província de Angola" do Reino de Portugal, em finais do sec XVIII.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;A chegada desta colónia ao estabelecimento de Moçâmedes, hoje Namibe, revestiu-se de importância crucial para o desenvolvimento rápido da agricultura, especialmente das culturas da cana do açúcar e do algodão, fazendo também desenvolver no plano agrícola a região planáltica da Huíla, com a introdução de novos colonos.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Uma biografia de Bernardino conta a história duma vida dedicada à política, à pesquisa histórica, ao ensino e mais tarde, em Moçâmedes, à agricultura. História que merece ser recontada para conhecermos melhor a personalidade dum líder carismático, os seus ideais, a fidelidade às suas convicções políticas, pessoa que se ouvia proferir o seu nome como o fundador de Moçâmedes sem todavia conhecermos a sua vida e as suas lutas.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;AS LUTAS DE UM GRANDE LIDER E O PATRIOTA&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Nasceu em Nogueira do Cravo região beirã perto de Coimbra e foi baptizado em 1809, ano do seu nascimento, ao que se supõe.&lt;br /&gt;Estivera matriculado na Universidade de Coimbra no "1º. ano de Leis" em 1829 e no 2º. ano em 1830. Não aparece matriculado no 3º. ano. "Teria sido levado pelos sentimentos e princípios de sua família e se alistara no exército de D. Miguel," voluntários realistas, como tenente de caçadores. Fizera a guerra civil seguindo os ideais absolutistas de D. Miguel contra o exército liberal de D. Pedro IV. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A guerra civil (1826-1834) fora dura e sangrenta e originara muitas baixas de ambos os lados. Bernardino sobreviveu e em 26 de Maio de 1834-tinha 25 anos de idade-assinava-se a convenção de Évora Monte, de que D. Miguel e seu partido saíam derrotados. Os seus regimentos seriam dissolvidos e partiria para o exílio no dia 1 de Junho, desse ano.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Bernardino que jurara fidelidade a D. Miguel, continuou fiel à causa que defendia e passou à clandestinidade em Lisboa, faz-se jornalista e colabora no jornal clandestino "Portugal Velho", defendendo, ainda, os princípios do absolutismo. Enquanto isto, outros companheiros continuam em armas contra o governo, organizam guerrilhas. Torna-se célebre o chefe de guerrilha Remexido que actuava no Baixo Alentejo e Algarve, chegando mesmo a tomar pelas armas Albufeira. Curiosamente conheci duas tetranetas do guerrilheiro, que me disseram que, se D. Miguel tivesse ganho a guerra civil, o seu tetravô, hoje, faria parte da galeria dos grandes heróis nacionais. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Remexido tinha o seu quartel general na Serra de Monchique e foi mais tarde aprisionado, condenado e fuzilado no Largo da Trindade em Faro, em 48 horas, por ter sido capturado de arma na mão, segundo a lei. A tomada de Albufeira tomou contornos duma verdadeira chacina e Remexido fora responsabilizado. Uma das vítimas dessa chacina foi Jacintho d´Ayet, que deu nome a um largo de Albufeira e curiosamente, a sua viúva e seu filho, com o mesmo nome, seriam os padrinhos duma minha tia-bisavó, nascida em Olhão em 1840. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mas, o que poderia ter acontecido a Bernardino, se D. Miguel tivesse ganho a guerra civil? Fiel que sempre fora aos seus princípios e ao juramento que fizera, certamente não se teria exilado. A 1ª. colónia, organizada por ele, em Pernambuco, não teria existido. A fundação de Moçâmedes não seria a 4 de Agosto de 1849, (data da chegada da colónia). Não seria invocado, nesse dia, ano após ano, nos jogos interselecções, em aclamação e em uníssono pela claque, BER...NAR...DI...NO... BER...NAR...DI...NO, empolgando jogadores e público, para que a sua alma ajudasse a selecção de Moçâmedes a conquistar a vitória. O que é certo é que ninguém se lembra duma derrota da selecção, nesses dias festivos de comemoração do 4 de Agosto, o dia da cidade. Seria bem diferente a Moçâmedes da minha recordação, naquele velho estádio ao fundo da avenida, "memorial vivo" do desporto rei da terra, passado cheio de glória, numa época em que o desporto associativo era seguido com particular entusiasmo, avivando "bairrismos" nos jogos interselecções e amor clubista nos campeonatos distritais, antes do advento dos campeonatos provinciais. "Memorial" esse vergastado a golpes de camartelos e picaretas nos anos 1960, apesar dos defensores de memórias se terem oposto à sua demolição.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Após a sua estada por Lisboa na clandestinidade Bernardino exila-se no Brasil, fixa-se em Pernambuco, renuncia a toda a actividade política e dedica-se ao ensino de História, Geografia e Latim, no Colégio Pernambucano. Escreve livros de carácter didático, como a História Geral em 6 volumes. O 1º. sobre a História Sagrada do Antigo Testamento, o2º. sobre a História da Vida de Jesus Cristo e dos Apóstolos e História dos Judeus desde a dispersão até aos nossos dias, o 3º. sobre a História Antiga e Grega, o 4º. sobre a História Romana e da Idade Média, o 5º. sobre a História Moderna e o 6º. sobre a História de Portugal e do Brasil.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Escreve, ainda, o romance histórico, descritivo, moral e crítico " Nossa Senhora de Guararapes", que tem por fundo os encontros sangrentos entre portugueses e holandeses em 1648 e 1649, nos altos montes de Guararapes, na região do Recife.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;As saudades da Pátria e da sua terra são enormes, Bernardino escreve: "Saudade, nome melodioso e suave, mas enternecedor! Vocábulo sem par! Que inveja fazes a tantos povos, os quais, por que te não sentiram, não te souberam exprimir. Ditosa língua que tal expressão possuis! Ditosa terra que tal língua tens! Ah!. Pátria minha! Tu o foste! Aceita cá de longe o suspiro da mais viva saudade que te envia o desterrado filho teu."&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mas os portugueses não estavam seguros em Pernambuco. Certos partidos brasileiros exigiam a expulsão dos portugueses do Império. As perseguições são particularmente intensas nos dias 8, 9 e 10 de Dezembro de 1847. Arruaceiros espancam pelas ruas da cidade quantos portugueses encontram. As turbas amotinadas gritam «mata marinheiros» e «não escape um só», entravam desenfreadas nos estabelecimentos comerciais, casas, a ferir e a matar, arrastando os cadáveres pela via pública.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Bernardino decide-se embarcar para solo português. O objectivo agora é sair de Pernambuco e estabelecer-se numa possessão portuguesa de África.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Organiza uma colónia agrícola de povoadores portugueses estabelecidos em Pernambuco e avança com o projecto.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Escreve para o Ministério da Marinha e Ultramar a solicitar relatórios sobre Angola. Simultâneamente pedia auxílio material, a fornecer pelo Estado, que permitisse o transporte de pessoas e bens desde o Recife até local a escolher, em terras angolanas. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Era funcionário do Ministério Luz Soriano, que se interessou pelo caso e enviou um relatório detalhado intitulado "Memória sobre a Angra do Negro". A seu ver, o local mais indicado para fixação europeia.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;O relatório, mapas e tudo o que é conhecido recebe Bernardino de Luz Soriano. O governo propõe ao parlamento o projecto para fixação no Presídio e Estabelecimento de Moçâmedes, dos portugueses fixados em Pernambuco, no Brasil. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;É dado apoio material aos colonos (18.000 reis, transporte e víveres) para a viagem. Adquiriu-se três engenhos de açúcar, que custaram 8.000 reis e seriam entregues a três sociedades ou a três concessionários, para exploração. O valor seria resgatado com o produto de 3 safras, sendo o primeiro resgate na terceira safra de laboração dos engenhos. Providenciou-se o apoio aos doentes para que não faltasse os alimentos próprios a estes e aos convalescentes. Uma vez chegados, o território destinado à colónia seria dividido de forma a que não faltasse o terreno para construção de uma habitação e formar maior ou menor estabelecimento agrícola. Era também fornecido, nos primeiros 6 meses, farinha e legumes pelo governo para sustento da colónia, etc.etc.. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;O FUNDADOR DE MOÇÂMEDES &lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;A 23 de Maio de 1849, finalmente a concretização do projecto. Partia de Pernambuco, a barca "Tentativa Feliz" e o brigue da marinha portuguesa "Douro" com 166 portugueses a bordo, rumo ao estabelecimento de Moçâmedes, na Província de Angola, então província do reino de Portugal. Na viagem, sucumbiram, com bexigas, 3 adultos e 5 crianças. &lt;/p&gt;&lt;div align="justify"&gt;Após 73 dias de viagem chegam ao destino. Entram na baía de Moçâmedes e avistam um vasto areal servido por um rio seco, o rio Bero, que mais tarde Bernardino chamou de Nilo de Moçâmedes, porque na época das chuvas a água das enxurradas invade toda a terra, trazendo os fertilizantes naturais para novas sementeiras, num microclima temperado. Era ali que os novos colonos íam reconstruir as suas vidas em tranquilidade, em paz e em território pátrio. Era o dia 4 DE AGOSTO DE 1849, que ficou na História como o dia da FUNDAÇÃO DE MOÇÂMEDES.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Houve recepção de boas vindas, discurso oficial pelo governador do distrito na presença das autoridades tradicionais: sobas Mossungo e Giraúl. Ficaram alojados em barracões construídos de pau a pique, cobertos de palha e amarrados com mateba ou cordas de cascas de árvores. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;No dia seguinte foram conduzidos às áreas agrícolas onde foram distribuídas as terras. Bernardino seguiu para Luanda no dia 16 de Agosto afim de apresentar cumprimentos ao governador geral. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;No dia 21 de Outubro foi a instalação, no Vale dos Cavaleiros, dos engenhos de açúcar: às 7 da manhã içou-se, no local, a bandeira portuguesa, na presença do governador do distrito, com uma salva de 21 tiros. A maior parte dos colonos ali compareceu e houve arraial com largada de foguetes. Almoçaram e jantaram em barracas improvisadas.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;(Gravura da Fazenda dos Cavaleiros, propriedade de Bernardino Freire de Figueiredo Abreu e Castro)&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_SFPLGdcHVyk/SV5G3v9Li4I/AAAAAAAAAGY/tn6tSAVW1Gc/s1600-h/Fazenda+dos+CAVALEIROS.JPG"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 335px; FLOAT: left; HEIGHT: 203px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5286740936159366018" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_SFPLGdcHVyk/SV5G3v9Li4I/AAAAAAAAAGY/tn6tSAVW1Gc/s320/Fazenda+dos+CAVALEIROS.JPG" /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Bernardino ergueu a sua habitação no Sítio da Bandeira, (designação que ficou na tradição popular), no Vale dos Cavaleiros.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;No dia 13 de Outubro foi investido num cargo no Conselho Colonial de Moçâmedes. Faz viagens de estudo, contacta sobas, colabora com as autoridades, sobe a Chela, entra na Huíla, visita a lagoa dos cavalos marinhos, que fica a 4 léguas ao norte de Lopolo, onde os rios gelam em Maio e Junho. Já lá existem alguns colonos. Outros irão fixar-se noutras áreas do planalto da Huíla em consequência do estudo feito. Uma vida de líder, de rija têmpera, apostado em tudo fazer pela "sua" colónia. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mas a natureza não se compadeceu dos recém-chegados. Uma estiagem de 3 anos secou as terras, perdendo-se todas as sementeiras. A 1ª. colónia luta com falta de tudo, desde alimentos a vestuário. A situação é desesperada. Alguns opinam mudar a colónia e comentam: "Antes fôssemos mortos em terras de Pernambuco, quando estávamos sentados junto às panelas cheias de carne e comíamos pão com fartura, em vez de padecer com fome neste deserto." Bernardino mantém-se firme e lança a máxima: "Vence quem perseverar até ao fim".&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;O governador do distrito oficia a desesperada situação dos colonos. Há um intenso movimento de solidariedade em Luanda e em Benguela, promovido pelas respectivas câmaras municipais. Os víveres, vestuário, dinheiro e outras ofertas chegam finalmente a Moçâmedes e tudo se vai normalizando. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Entretanto, em Pernambuco, os portugueses organizam, a expensas suas, uma segunda leva de colonos (125) para se dedicarem á agricultura em Moçâmedes, chefiada por José Joaquim da Costa. Viajam na barca Bracarense e no brigue Douro, da marinha portuguesa. Chegam a Moçâmedes no dia 26 de Novembro de 1850. Dedicam-se também à pesca. Lançam mão a pessoal conhecedor da técnica de escalagem e secagem do peixe que trabalhou na feitoria montada no estabelecimento pelo olhanense Cardoso Guimarães, 7 anos antes.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Bernardino reconhece que os colonos conseguiram vencer as adversidades e o deserto. São o maior exemplo de perseverança em toda a Província.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Moçâmedes engradece-se ràpidamente e é elevada a vila por decreto de 26 de Março de 1855. Em 1857 já existem 16 pescarias onde trabalham 280 escravos. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ao festejarem o décimo aniversário da chegada da colónia, no dia 4 de Agosto de 1859, verificaram a existência de 83 propriedades agrícolas nas margens do rio Bero, três no Giraúl, dois no Bumbo, três em S. Nicolau, um no Carujamba, três no Coroca, sete na Huíla. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Tinha-se materializado o sonho do Barão de Moçâmedes, Luz Soriano e Sá da Bandeira, de fixar populações nas regiões a sul de Benguela. Foi graças à liderança forte de Bernardino que esse desiderato foi possível. Mas havia uma outra luta que todos eles estavam empenhados: a abolição da escravatura.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Bernardino não permite na sua fazenda mão de obra escrava. Bate-se pela abolição da escravatura. Escreve em 1857: "os poucos pretos com quem trabalho, podem hoje ser livres porque continuarão a ser úteis. Eduquei-os com boas maneiras e não com castigos bárbaros e por isso não me fogem e vivem satisfeitos. Não me agrada a distinção entre escravos e libertos, nem a admito na minha fazenda. Todos são agricultores com iguais direitos e obrigações". Em 1858 Portugal decretou que, passados vinte anos não poderia haver escravos; mas, onze anos depois, em 1869, aboliu o estado de escravidão. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Sabe-se que Bernardino foi generoso para com os companheiros mais desafortunados. A sua casa fora uma espécie de hospedaria ao visitante. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Bernardino faleceu pobremente, no dia 14 de Novembro de 1871. Tinha 62 anos de idade. Faleceu quando regressava de Luanda, onde tinha ído em serviço da comunidade. Causa da morte: uma pneumonia dupla.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_SFPLGdcHVyk/TOY5JmV1rcI/AAAAAAAAALw/eNkrG9X4gwI/s1600/Bernardino.JPG"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 320px; FLOAT: left; HEIGHT: 212px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5541179228599725506" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_SFPLGdcHVyk/TOY5JmV1rcI/AAAAAAAAALw/eNkrG9X4gwI/s320/Bernardino.JPG" /&gt;&lt;/a&gt;Não se sabe o local, no cemitério, onde foi sepultado. Memoriais: somente o grande quadro a óleo no salão nobre da Câmara Municipal e um busto muito simples no jardim, plantado cerca de 90 anos depois da sua morte. As autoridades portuguesas não prestaram a homenagem devida. Os sobas Mossungo, Giraúl, Moeni-Quipola e muitos outros deviam ter dado voltas nas sepulturas pela falta de reconhecimento das autoridades locais ao amigo que pugnou pela justiça e igualdade entre os povos e não admitia escravos na sua fazenda, porém quase ostracizado pelas autoridades da terra. O povo é que nunca o esqueceu e demonstrava-o nas competições interselecções quando a claque o invocava em uníssono BER...NAR...DI...NO, BER...NAR...DI...NO, para que a sua alma ajudasse a alcançar a vitória. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A história da vida de Bernardino irá perder-se como papéis imprestáveis nas prateleiras de algum arquivo. A guerra civil de Angola após 1974, entre os movimentos de libertação, criou uma nova diáspora em Portugal: a dos filhos de Moçâmedes. Nunca mais será invocado o seu nome na cidade que fundou. A população que o invocava e o respeitava já lá não se encontra a viver. Criou raízes em Portugal e só a visita para matar saudades da infância ou rever todo um passado deixado para trás.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Acreditemos que em algum ponto do universo, exista plasmado, um registo eterno de vidas justas e verdadeiras de heróis humanistas, como foi a vida de Bernardino, para que a ciência um dia a possa trazer de volta e ajudar na concepção de um Homem novo que esta Terra tanto necessita.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Um dia visitou Moçâmedes um amigo da família de Bernardino. Esteve na Fazenda dos Cavaleiros. Um negro idoso apontou a ruína duma casa onde muitos anos antes teria vivido um branco. Não se lembrava do nome. Num alto, a ruína domina toda a extensão da terra, numa vigília constante de mais de uma centena de anos. É também o Sítio da Bandeira onde os colonos íam beber a Pátria Portuguesa, naquela terra adoptiva de Angola e onde foi sonhada uma cidade: a cidade de Moçâmedes, hoje cidade do Namibe da República de Angola. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Moçâmedes foi elevada a cidade em 1907, 36 anos após a morte de Bernardino. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:130%;color:#000000;"&gt;(Agradeço ao moçamedense Ruca Pompeu da Silva a imagem da Fazenda dos Cavaleiros que gentilmente me enviou).&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24997630-115030968051920945?l=memoriaseraizes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://memoriaseraizes.blogspot.com/feeds/115030968051920945/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24997630&amp;postID=115030968051920945&amp;isPopup=true' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24997630/posts/default/115030968051920945'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24997630/posts/default/115030968051920945'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://memoriaseraizes.blogspot.com/2006/06/bernardino-o-intelectual-o-militar-o.html' title='Bernardino - o intelectual , o militar, o patriota, o exilado que se fez colono,    &quot;Fundador de Moçâmedes&quot;'/><author><name>Cláudio Frota</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12347804865419095178</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp1.blogger.com/_SFPLGdcHVyk/RzL0Pyi27qI/AAAAAAAAAAc/zjZehZLxenw/s72-c/foto0001.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24997630.post-114838623530265627</id><published>2006-05-23T11:47:00.002+01:00</published><updated>2010-07-07T14:15:13.475+01:00</updated><title type='text'>QUANDO TUDO ERA UM AREAL</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Durante o ano de 1485, mareantes portugueses avistam, desembarcam e baptizam como Angra das Aldeias e Manga das Areias onde hoje se situam a cidade de Tômbua, antiga cidade de Porto Alexandre do tempo colonial português, no sul da República de Angola e a Baía dos Tigres, pequena aldeia de pescadores, mais a sul, hoje completamente despovoada, ambas fundadas por pescadores olhanenses que se instalaram com carácter permanente nessas praias e desenvolveram a produção de pescado e a indústria dos derivados do peixe. A cidade de Moçâmedes seria edificada na baía que se designava como Angra do Negro e a Angra João de Lisboa seria mais tarde Lucira Grande (terminus da 1ª. viagem de Diogo Cão). Naquelas baías corsários fazem aguada e descansam (franceses na sua maioria), fazendo, também, aí, o embarque de escravos.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Durante o sec. XVII após ocupação holandesa, organiza-se expedições de reconhecimento e Cardonega, autor e contemporâneo delas, contacta o povo bochímane, que segundo sua opinião são os autênticos e verdadeiros aborígenes do continente africano. As actuais etnias do sul são na sua maioria povo banto, que segundo a tese do escritor negro M. S. Molena, quando no seu ensaio "The bantus-his past and présent" considera este povo nómada, migrante e invasor e que em muitos locais foram precedidos pelos portugueses. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;O MORRO TORRE DO TOMBO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Em 1785 o Tenente Coronel Pinheiro Furtado, comandante de uma missão de reconhecimento portuguesa, visita a Angra do Negro, (designação do lugar onde mais tarde seria erigida a cidade de Moçâmedes da época colonial portuguesa, hoje, cidade do Namibe, no sul da república angolana) e registou as inscrições gravadas por mareantes e corsários na rocha branda. Talvez tivesse sido este oficial português quem primeiro chamou ao morro das inscrições de Torre do Tombo, pondo uma ponta de ironia na analogia com o Arquivo Nacional Português com o mesmo nome. Eis as inscrições:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;1645-José da Rosa Alcobaça&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;1665-O capitão josé da Rosa Alcobaça passou por aqui indo para o Cunene no patacho Nossa Senhora da Nazareth em 4 de Janeiro de 1665.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Piloto Pederneira&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sargento Domingos de Morais em companhia de José Rosa Alcobaça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bernardo Quado Goya&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1666-André Chevalier&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1723-Kenny&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1762-Tomás Decombo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1765-Luís Barros&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1768-W. Taylor&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1770-Tomás Decombo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Manuel Rodrigues Coelho&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Marti&lt;/div&gt;&lt;p align="justify"&gt;Na rocha branda do morro das inscrições ou Torre do Tombo foram escavadas grutas, possivelmente por corsários, para servirem de abrigo e refúgio na sua itinerância pela costa. &lt;em&gt;&lt;span style="color:#330099;"&gt;(Créditos de imagem de Mário Tendinha´s Site) &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;E &lt;a href="http://bp1.blogger.com/_SFPLGdcHVyk/RzNwUii27vI/AAAAAAAAABE/pwPpoUtg7bU/s1600-h/Cavernas2.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; FLOAT: left; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5130567898677833458" border="0" alt="" src="http://bp1.blogger.com/_SFPLGdcHVyk/RzNwUii27vI/AAAAAAAAABE/pwPpoUtg7bU/s400/Cavernas2.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;foram essas mesmas grutas que abrigaram, anos mais tarde, famílias de olhanenses, que em meados do sec XIX foram chegando a Moçâmedes, em levas sucessivas, voluntariamente, sem apoios governamentais; os primeiros, em caíques (pequenas cascas de noz de vela latina triangular utilizados na pesca e comércio de cabotagem na costa portuguesa, no norte de África e no Mediterrâneo) para aí reconstruírem as suas vidas e inaugurarem uma nova era de progresso para o distrito, cuja riqueza seria proporcionada pelo mar. &lt;/p&gt;&lt;div align="justify"&gt;Construíram o seu bairro perto do morro das inscrições ou Torre do Tombo, que foi crescendo à medida que mais olhanenses foram chegando. Constituíam um núcleo populacional à parte, a 1 Km. da vila. Montaram aí as suas pescarias e estaleiros, instalaram as artes de pesca e desenvolveram uma pequena indústria artesanal, bem como um pequeno comércio de víveres "as quitandas", onde não faltavam os legumes, as frutas, a batata, o arroz, o feijão, o leite e todo o género de produtos hortículas. As grandes fábricas apareceram mais tarde assim como o primeiro clube que Moçâmedes conheceu, o Ginásio Club da Torre do Tombo, que desenvolveu variada actividade desportiva, masculina e feminina e incrementou as festas tradicionais portuguesas. Esse bairro de pescadores passou a designar-se por bairro Torre do Tombo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O NOME MOÇÂMEDES&lt;/div&gt;&lt;p align="justify"&gt;Como foi referido acima, em Agosto de 1785, àquele abrigo da Angra do Negro chegava, para aportar, o Tenente Coronel Pinheiro Furtado , que a bordo da fragata Loanda, comandava uma expedição de reconhecimento da costa marítima até ao Cabo Negro.&lt;br /&gt;Para o mesmo local, mas por terra, seguia outro grupo de exploradores, chefiados pelo Sargento-Mor de ordenanças Gregório José Mendes. Estas duas viagens foram ordenadas por José de Almeida e Vasconcelos Soveral de Carvalho da Maia Soares de Albergaria, 11º. senhor da terra e celeiro de Moçâmedes, póvoa beirã no concelho de Vouzela, designado, Barão de Moçâmedes. Por honra e homenagem a esta iniciativa e ao êxito da empresa, Pinheiro Furtado quis fixar em terras de Angola os títulos de nobreza do seu governador, levantando cartas topográficas em que inscrevia os nomes de Baía de Moçâmedes onde anteriormente se mencionava Angra do Negro. Assim, este oficial seria o verdadeiro padrinho da futura cidade africana. O topónimo Moçâmedes, único no País, de origem árabe e de significado obscuro, para sempre ficaria ligado a uma terra de África. Ao passar por aquela póvoa beirã, foi-me indicado um solar senhorial, um tanto degradado, cujo portão da propriedade estava fechado a cadeado e que me disseram pertencer aos herdeiros de tão ilustre político, que marcou uma época em Angola depois de ser governador de Goiaz no Brasil. Os esforços que então foram feitos para fixação de povoadores portugueses a sul de Benguela, com receio de que outras potências coloniais tomassem tal iniciativa, não tiveram eco a nível de governo central e este grande anseio do Barão de Moçâmedes, naquele momento, não passou de um sonho cor de rosa. A corrente migratória continuou a processar-se para o Brasil que se tornou independente em 1822. Esse projecto iria materializar-se muito mais tarde, quando a 1ª. colónia chegou a Moçâmedes, no dia 4 de Agosto de 1849, ída de Pernambuco, chefiada por Bernardino, que já lá encontrou o presídio na Ponta Negra (Fortaleza D. Fernando), construído entre 1840 e 1845, (1º. passo para o povoamento da região, cuja força militar destacada seria o garante da segurança de povoadores e de seus bens) e 7 feitorias, cuja pesca era exercida por escravos. Uma delas, a do olhanense Cardoso Guimarães, que introduziu a técnica da produção do peixe seco em 1843 foi de primordial importância para o início do comércio de cabotagem que mais tarde os olhanenses promoveram em toda a costa de Angola, S. Tomé e Príncipe e Congo. &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24997630-114838623530265627?l=memoriaseraizes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://memoriaseraizes.blogspot.com/feeds/114838623530265627/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24997630&amp;postID=114838623530265627&amp;isPopup=true' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24997630/posts/default/114838623530265627'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24997630/posts/default/114838623530265627'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://memoriaseraizes.blogspot.com/2006/05/quando-tudo-era-um-areal.html' title='QUANDO TUDO ERA UM AREAL'/><author><name>Cláudio Frota</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12347804865419095178</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp1.blogger.com/_SFPLGdcHVyk/RzNwUii27vI/AAAAAAAAABE/pwPpoUtg7bU/s72-c/Cavernas2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24997630.post-114607754215356316</id><published>2006-04-26T18:59:00.007+01:00</published><updated>2009-12-01T21:20:14.876Z</updated><title type='text'>Objecto deste site</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Agradeço ao sr. Marco, ex-emigrante, e ao sr. Luís Espada, o apoio na abertura deste blog. Como padrinho, o sr Luís Espada manifestou a pretensão de se criar um livro em branco ao sabor da palavra de quem queira expor as suas experiências pessoais, vivências de amigos ou familiares com substância aventureira, em Portugal, em solo de África, França, Brasil, Argentina, Venezuela, ou em qualquer outro país onde exista ou tivesse existido emigrantes.&lt;br /&gt;O programa televisivo que passou no canal um no dia 25/4/2006 sobre um grupo de emigrantes da Ilha Terceira que viajou no sec. XIX para o Hawai com destino às plantações da cana de açúcar seguindo depois para as cidades da Califórnia onde se radicaram; todo esse conhecimento de vivências, mais aventureiras umas, menos aventureiras outras, só foi possível graças às recolhas realizadas pelas associações criadas pelos seus descendentes e que foram ao encontro dos que desejavam relatar experiências pessoais, e outras estórias de vida no sentido de se dar uma contribuição preciosa à história da emigração terceirense. Relata sucessos de vida e outras estórias curiosas: o caso da captura de Bill the Kid que foi preso graças à informação de um Luso-americano descendente de terceirenses.&lt;br /&gt;Também aqueles que hoje vivem em Portugal ou noutro local do mundo e que viveram parte das suas vidas no antigo ultramar português, no Brasil, em França ou noutro país, podem deixar aqui o seu testemunho particular em estórias passadas consigo, com familiares ou amigos. Existe uma África pouco conhecida da maioria de nós. Existem vivências na África profunda do Norte, de Leste ou do Sul, em Angola, Moçambique ou Guiné que foram aventureiras e pouco comuns. Demo-nos a conhecer essas vivências para compreendermos melhor a alma portuguesa.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24997630-114607754215356316?l=memoriaseraizes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://memoriaseraizes.blogspot.com/feeds/114607754215356316/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24997630&amp;postID=114607754215356316&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24997630/posts/default/114607754215356316'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24997630/posts/default/114607754215356316'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://memoriaseraizes.blogspot.com/2006/04/objecto-deste-site_26.html' title='Objecto deste site'/><author><name>Cláudio Frota</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12347804865419095178</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24997630.post-114365710275638136</id><published>2006-03-29T19:11:00.001+01:00</published><updated>2009-02-12T18:56:55.540Z</updated><title type='text'>Mossungo/Moçâmedes/Namibe</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Tive o privilégio de ter conhecido um grande poeta angolano chamado Eduardo Mossungo. A sua alma estava encarcerada nas memórias da terra que o viu nascer. Vivia amargurado num Portugal que não lhe trazia qualquer razão de viver e a sua vida decorria sem objectivos de futuro. Ansiava pelo dia em que teria de pôr fim a esse desterro. E esse dia chegou. Estive com ele dias antes de partir. Disse-me que ía regressar a Mossungo, a sua Terra. Pouco tempo sobreviveu. O chão onde nasceu acolheu-o no seu seio num abraço eterno ao filho pródigo e amado. Foi um poema que nunca pôde escrever. Mas os seus amigos, aqueles que admiravam a sua luta, o seu amor, a paixão, nunca poderão esquecer o exemplar sentimento que nos legou.&lt;br /&gt;Mossungo, Moçâmedes, Namibe, três fases no tempo. O mesmo mar piscoso e o mesmo deserto de microclima temperado. A pesca e a agro-pecuária em desenvolvimento galopante. Um casamento perfeito entre e Terra e o Mar. Dois povos pacíficos que se tornaram irmãos e que caminhavam lado a lado em direcção ao futuro que se visualizava promissor e feliz num progresso surgido no confronto de duas culturas que se apuraram no aproveitar útil de todas as suas capacidades em convivência pacífica. Por fim uma cidade que foi crescendo, filha desse Mar e desse Deserto, construída a pulso, onde abundavam as indústrias, as escolas que levavam o ensino a toda a população citadina e suburbana, o liceu, os clubes desportivos, os parques, o cais comercial e o de embarque de minério onde acostavam os maiores navios do mundo. E tudo isto fruto duma colonização que só pode ser exemplar pelo esforço, pela dedicação e pelo trabalho de todos e não pela devassa do burguês dissoluto como alguns querem fazer crer. Valeu o esforço, o sacrifício e o afecto do Homem na obra feita.&lt;br /&gt;Este texto é uma homenagem a todos aqueles que lá viveram, construíram em Mossungo/Moçâmedes a sua Casa, desbravaram com charruas e enxadas o seu Chão, lançaram as suas linhas e redes no seu Mar generoso. Nos desalentos mais profundos foram buscar ânimo ao lema de Bernardino, o fundador: "vence, quem perseverar até ao fim", transformaram um pedaço de deserto em cidade e viram crescer a obra glorificada pelo trabalho árduo duma vida: a cidade de Moçâmedes. (Labor Omnia Vincit). &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A Eduardo Mossungo, pseudónimo de Eduardo Brazão Filho: ele era o afecto, o exilado desesperado pelo regresso, a expressão mais sentida do Amor que alguma vez alguém sentiu pela sua Terra: a cidade de Mossungo, que segundo ele, poderia ser a nova e a mais apropriada designação para a cidade de Moçâmedes, quando Angola deixasse de ser colónia portuguesa. No entanto, logo no primeiro governo da nova República independente (República Popular de Angola) foi rebaptizada para cidade do Namibe.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A Namibe (cidade) o desejo que o desenvolvimento torne àquele espaço para que não seja o Namibe (deserto) a fazê-lo com as suas areias.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24997630-114365710275638136?l=memoriaseraizes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://memoriaseraizes.blogspot.com/feeds/114365710275638136/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24997630&amp;postID=114365710275638136&amp;isPopup=true' title='15 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24997630/posts/default/114365710275638136'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24997630/posts/default/114365710275638136'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://memoriaseraizes.blogspot.com/2006/03/mossungomomedesnamibe.html' title='Mossungo/Moçâmedes/Namibe'/><author><name>Cláudio Frota</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12347804865419095178</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>15</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24997630.post-114365496386018990</id><published>2006-03-29T18:54:00.000+01:00</published><updated>2006-03-29T18:56:03.870+01:00</updated><title type='text'>Um padrinho sem memória!</title><content type='html'>Cá está.&lt;br /&gt;O pontapé de saída, para mais  do que o comum.&lt;br /&gt;O meu desejo é que este seja um livro em branco, que aceite todas as escritas, todas as palavras, o sentir e o fazer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Força Frota!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Luís Espada&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24997630-114365496386018990?l=memoriaseraizes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://memoriaseraizes.blogspot.com/feeds/114365496386018990/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24997630&amp;postID=114365496386018990&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24997630/posts/default/114365496386018990'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24997630/posts/default/114365496386018990'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://memoriaseraizes.blogspot.com/2006/03/um-padrinho-sem-memria.html' title='Um padrinho sem memória!'/><author><name>Cláudio Frota</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12347804865419095178</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry></feed>
